Em início de mandato, prefeito Eduardo Cavaliere anuncia soluções para a cidade; saiba mais
Recém-empossado no lugar de Eduardo Paes (PSD), que renunciou para concorrer ao governo do Estado, o novo prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, não economizou no anúncio de planos ambiciosos em seus primeiros cinco dias de gestão. Tratou de soluções para mobilidade, combate aos flanelinhas, população de rua, desordem urbana e segurança pública, entre outros temas. Tirar tantas ideias do papel, no entanto, vai exigir, além de mais tempo, recursos públicos e investimento da iniciativa privada.
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Em entrevista à CBN Rio, Eduardo Cavaliere disse que discute com o Ministério Público do Estado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para dar mais segurança aos agentes na abordagem à população de rua. Ele prometeu, inclusive, diretrizes para situações em que seria possível a internação compulsória de dependentes químicos abordados nas cracolândias da cidade.
Na mesma entrevista à rádio, por outro lado, admitiu que ainda não tem recursos no orçamento para ampliar o programa Seguir em Frente, da Secretaria municipal de Saúde, o principal já implantado na área. Lançado em 2023, o projeto tem apenas 600 vagas para acolher, tratar e oferecer aos interessados uma bolsa de R$ 400 a cada 20 dias de trabalho. A população de rua da cidade é estimada em cerca de 8 mil pessoas.
Outro desafio proposto é a digitalização do Rio Rotativo, através do aplicativo Jaé, empregado na bilhetagem de ônibus, BRT, VLT e na integração com o Metrô. O contrato de concessão do serviço por 12 anos (prorrogáveis), assinado em dezembro de 2022 com o Consórcio Bilhete Digital, prevê que a empresa faça apenas a gestão dos cartões usados no transporte — o que foi mantido nos dois aditivos ao contrato.
Em outra frente aberta por Cavaliere, pela lei que regulamenta a função de guardador, seria possível que esses trabalhadores deixassem de vender tíquetes e passassem a fiscalizar se os motoristas efetivamente estão pagando para estacionar. O valor do tíquete, R$ 2, congelado desde 1997, seria mantido, de acordo com o novo prefeito.
— O guardador fica com R$ 1,40 desses R$ 2. Se tivesse correção pela inflação, esse tíquete estaria em mais de R$ 10. Com a defasagem, o número de guardadores legalizados caiu de 6 mil para cerca de 2 mil, por não compensar tanto— alerta o presidente do Sindicato dos Guardadores Autônomos do Rio, Moyses Trajane.
Em diversas entrevistas, Cavaliere prometeu renovar e modernizar a frota de ônibus da cidade até 2028, oferecendo serviços como os mantidos pela Mobi-Rio, estatal responsável pela operação das linhas de BRT.
Mas, ao contrário do BRT, que teve a frota renovada com recursos públicos, a substituição dos coletivos antigos por novos modelos dependerá de investimentos privados. Os novos operadores serão escolhidos por meio de 32 licitações — das quais só duas já foram concluídas, e uma terceira não teve interessados.
4,2 mil agentes nas ruas
Já a meta de colocar nas ruas 4,2 mil agentes da Força Municipal, tropa armada da Guarda Municipal, vai exigir acelerar o treinamento. Como são esperados mais 600 agentes formados em 2026, outros 1,5 mil guardas teriam que ser treinados por ano, em 2027 e 2028, para a conta fechar. Só em salários, o custo dessa iniciativa chegaria a cerca de R$ 600 milhões por ano, sem contar despesas para comprar mais armas e equipamentos.
Sem esquecer seu time de coração, Cavaliere ainda prometeu resolver pendências jurídicas para ceder ao Flamengo um terreno do Gasômetro, onde seria construído um estádio. No entanto, já existe desde outubro um pré-acordo com a União, que deverá ser confirmado.
Resta a promessa mais fácil de cumprir: barrar a cantora Chappell Roan, que foi rude com a filha do jogador Jorginho, do Flamengo, em um hotel em São Paulo, no palco do Todos no Rio, megaevento realizado anualmente em maio em Copacabana. A jovem estrela, de fato, ainda não parece ter o poder de fogo de atrações como Madonna, Lady Gaga e Shakira, que canta este ano, para lotar bares e hotéis da cidade.
Outras promessas anunciadas
Concluir a construção do terminal de BRT de Santa Cruz: Com custo estimado em R$ 73,7 milhões, a obra começou no ano passado. A previsão é terminar o projeto em meados de 2027. Os recursos são garantidos por um empréstimo contraído à União.
Investir R$ 1 bilhão em nova fase do Asfalto Liso até 2028: A retomada do programa, que prevê a substituição completa do asfalto dos principais corredores viários da cidade, já estava prevista desde 2025, mas as licitações atrasaram porque os editais precisaram ser alterados por falhas identificadas pelo Tribunal de Contas do Município. A primeira concorrência foi concluída no ano passado para atender aos bairros da Grande Tijuca, do Centro e da Zona Sul até 2028. Cavaliere optou por começar as intervenções por ruas da Tijuca, domingo passado.
Concluir as obras do Anel Viário de Campo Grande até 2028: Com empréstimo do BNDES, já teve 61,53% das obras executados. O orçamento é de R$ 838,5 milhões.
