Em evento da direita em SP sem Tarcísio, Flávio diz que estão tentando ‘enterrá-lo vivo’

 

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, afirmou que há uma campanha de “tudo ou nada” para tentar “enterrá-lo vivo”, se disse perseguido e acusou o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “aparelhar a Polícia Federal”. A fala ocorre dias após operações da PF que atingiram aliados, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), e após virem à público mensagens de Flávio pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

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— Começaram as perseguições, as mobilizações. O tudo ou nada para poder tentar me enterrar vivo, mas não vão conseguir, porque isso aqui é um projeto de Deus, eu estou com mais disposição do que nunca. Um governo corrupto, um governo que persegue adversários políticos, vocês acabaram de ver. Eles aparelharam até a Polícia Federal, trocaram o delegado que quebrou o sigilo do Lulinha para tentar manipular as investigações – falou.

Flávio esteve em Sorocaba (SP) na manhã deste sábado (16), onde participou do lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado. Foi o segundo evento do tipo, já que na noite nesta sexta-feira (15) Derrite já havia lançado sua pré-candidatura em Campinas. Neste sábado, entretanto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não compareceu. Segundo sua assessoria, ele acordou resfriado e decidiu ficar de repouso no Palácio dos Bandeirantes. No evento desta sexta, Tarcísio já apresentava rouquidão quando discursou em Campinas.

Nos bastidores, conforme mostrou o GLOBO, aliados afirmaram que o governador foi pego de surpresa com o envolvimento de Flávio com Vorcaro, e que se incomodou com a gestão da crise, já que o senador deu várias versões divergentes desde que as mensagens vieram à tona, na última quarta-feira. Tarcísio também sugeriu, segundo aliados, cancelar o evento desta sexta, mas Flávio e Derrite quiseram manter. O governador compareceu, apesar de ter chegado uma hora atrasado. No palco, o governador elogiou Flávio em seu discurso e o abraçou.

Na quinta (14), o chefe do Palácio dos Bandeirantes saiu em defesa do aliado, dizendo que ele “procurou dar todos os esclarecimentos”, mas que o escândalo do Banco Master “é uma questão que preocupa e precisa ser esclarecida”. Um dia antes, indagado sobre o tema pelo GLOBO, Tarcísio havia dito se recusado a comentar.

Imerso na crise, nos últimos dias, Flávio tem dado versões contraditórias sobre suas relações com o dono do Banco Master em entrevistas e pronunciamentos. Nos discursos desta sexta e deste sábado, direcionados a plateias repletas de aliados, ele vem minimizando a situação, dizendo que na época em que ele pediu que Vorcaro financiasse o filme “Dark Horse”, produção que vai contar a história da candidatura de Jair Bolsonaro (PL) em 2018, as suspeitas sobre o banqueiro ainda não eram públicas.

Entretanto, Flávio pediu dinheiro a Vorcaro em setembro de 2025, quando o Banco Central já havia bloqueado a compra do Master pelo BRB por suspeitas no negócio, e depois seguiu em contato com ele até novembro de 2025, quando o BC decretou a liquidação da instituição financeira. Nesta sexta, Flávio disse que “Bolsonaro merece um filme” e que “lá atrás ninguém poderia imaginar” o que se sabe sobre Vorcaro. Já neste sábado, ele adotou o discurso de “perseguição do outro lado” e atacou o presidente Lula, pedindo explicitamente que seus aliados “convençam” as pessoas a voltarem contra o PT.

— Eu não quero de novo esse ano, em 2026, as cadeias em festa comemorando a eleição do Lula. Não é estranho alguém que vota igual traficante de drogas, igual a sequestrador, estuprador? Essas pessoas é que comemoraram, nas cadeias, a vitória de Lula. Você quer votar igual a eles? E quem está fazendo isso, a gente pode chegar e conversar, expliquem, convençam, porque o voto de vocês é igual ao de todo mundo. Nós temos a oportunidade de livrar o Brasil dessa escravidão que o Lula está enfiando — disse neste sábado.