Em evento com empresários e investidores, Caiado, Zema e Renan criticam juros altos e descontrole fiscal do governo Lula

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A uma plateia de empresários, gestores financeiros e investidores, os candidatos a presidente Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) fizeram críticas à gastança do atual governo do presidente Lula, à taxa de juros elevada, que tem levado empresas a pedir recuperação judicial, além da inadimplência recorde de pessoas físicas, durante a 27ª Conferência Anual do Santander Brasil, que oocorre em São Paulo nesta segunda e terça-feiras.

Segurança pública: tema foi o mais visitado por candidatos à presidência em primeiro dia de campanha Em comum, os três presidenciáveis defenderam um ajuste fiscal imediato, que possibilite a queda da taxa de juros, retomando o ciclo de investimentos no país. Renan Santos defendeu que o Brasil precisa sair do "buraco" de baixa produtividade e falta de esperança por meio de reformas estruturais profundas. Ele disse que o ajuste fiscal é a a prioridade absoluta e deve ser enfrentado já na transição de governo. — O problema fiscal se resolve na área da despesa e não com receitas extraordinárias — disse o candidato, que propõe uma "super reforma fiscal" que envolva a desvinculação e desindexação de verbas para saúde, educação, aposentadoria e salário mínimo, visando transformar o que for cortado em superávit e investimentos. Ele argumenta que o controle das despesas públicas é o que dará espaço para a queda dos juros. — Precisamos de "juros dignos" para que o cidadão consiga consumir sem se destruir financeiramente — afirmou. Inadimplência recorde Para ele, o atual nível de inadimplência dos brasileiros (quase 84 milhões de pessoas negativadas no país) é uma "calamidade social". Ele disse que a falta de educação em financeira nas escolas e o impacto das apostas online (bets e "tigrinho"), aceleraram o endividamento. Santos afirmou que programas como o Desenrola, criado pelo governo federal para negociar dívidas de pessoas físicas em atraso, ajudam a consolidar uma "cultura de inadimplência" no país. — O Estado age de forma perdulária com suas próprias contas e acaba estimulando o mesmo comportamento na população através dessas renegociações — criticou. Ele propôs uma agenda de investimentos voltada para a Inteligência Artificial, sugerindo que o Brasil aproveite suas matrizes energéticas limpas para atrair Data Centers e explore o processamento de terras raras para se inserir na nova cadeia industrial global. Romeu Zema disse que a responsabilidade fiscal é o "ponto número 1" para recuperar a credibilidade do país. Ele defendeu privatizar "tudo" e garantiu que não existe "vaca sagrada". Ele afirmou que as estatais são estratégicas para políticos, mas nocivas para a sociedade. Também defendeu um choque de gestão para cortar a "gordura" do Estado, eliminando privilégios como quinquênios e promoções automáticas e afirmou que é necessária uma nova reforma da Previdência, já que a expectativa de vida do brasileiro cresceu.

— Também defendo a revisão de programas sociais, com a criação de "portas de saída", suspendendo o benefício de quem recusar três ofertas de emprego ou de quem não concluir os estudos básicos — disse o candidato, argumentando que o Estado brasileiro é carente de infraestrutura e que os recursos das privatizações devem ser integralmente usados para construir portos, estradas e ferrovias. Pagando por dois carros Zema descreveu o cenário atual como um "círculo vicioso" de endividamento recorde e associou a inadimplência diretamente à taxa de juros elevada, que consome a renda das famílias. Segundo ele, 80% dos brasileiros compram financiado e, com os juros atuais, acabam pagando por "dois carros" ao comprar um, o que asfixia o orçamento familiar. Para ele, programas como o Desenrola são apenas paliativos que não resolvem a saúde da economia. — O remédio real seria reduzir a "gastança" para que os juros caiam para níveis civilizados (algo como 6%), permitindo que as pessoas paguem suas dívidas e voltem a consumir de forma saudável — criticou o presidenciável do Novo. Ronaldo Caiado acusou o atual governo de ser perdulário, aumentando gastos constantemente e utilizando "bypass" (manobra contábil) no arcabouço fiscal por meio de créditos extraordinários, que constitucionalmente deveriam ser restritos a situações de guerra ou calamidade. Segundo ele, o governo atual carece de coragem pessoal e independência intelectual, "preferindo culpar o Congresso ou o Supremo por sua própria incapacidade de gerir o país". Ele classificou o governo de Lula como "retrógrado", focando na exportação de commodities em vez de investir em tecnologia, inovação e inteligência artificial. O ex-governador de Goiás descreveu um cenário de incapacidade generalizada de renegociação de dívidas em diversos setores, desde a indústria até a agropecuária e lembrou que existem atualmente 9,1 milhões de empresas inadimplentes no Brasil, além do endividamento recorde das famílias. — Programas como o Desenrola são apenas "analgésicos" ou "anti-inflamatórios". O nível atual dos juros é insustentável para o setor produtivo e a continuidade desse patamar está "quebrando" o varejo e o mercado como um todo. Essa taxa de juros reflete a falta de credibilidade moral e à má gestão fiscal do governo — criticou. Ele defendeu o combate à corrupção, a realização de uma reforma administrativa e o corte de salários e "penduricalhos" que estejam fora da razoabilidade. Disse que sua proposta central é uma Emenda à Constituição (PEC) que estabeleça um limite rígido para as despesas: o crescimento dos gastos públicos ficaria restrito a apenas 40% ou 50% do crescimento do PIB. — Essa medida daria previsibilidade aos empresários e geraria uma queda real na inflação e nos juros — disse o candidato, que criticou o uso inconstitucional de medidas provisórias para criar fontes de despesa fora do orçamento planejado.

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