Em evento com alfinetadas no bolsonarismo, Lula critica quem ‘prefere falar uma palavra em inglês do que em português’

 

Fonte: Bandeira



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomou o discurso de soberania neste sábado ao afirmar que “tem gente (no Brasil) que prefere falar uma palavra em inglês do que em português”. A declaração ocorre dois dias após o governo federal rebater os Estados Unidos por classificarem as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

Dark Horse: Polícia investiga uso de verba de WiFi público em filme sobre Bolsonaro e pede dados sigilosos de empresária

Escalado para Dark Horse, Malafaia recusou papel no filme: ‘Para a minha imagem, não era uma boa’

A fala do presidente ocorreu durante participação no evento Rio2C, no Rio de Janeiro, onde participou do lançamento da plataforma Tela Brasil, um serviço de streaming público e gratuito de audiovisual brasileiro. A cerimônia foi marcada também por críticas indiretas ao filme “Dark Horse”, que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e está no meio do escândalo do Banco Master.

— (O Tela Brasil) vai contribuir para a compreensão no Brasil. Porque somos assim. Somos acostumados com a cultura estrangeira no Brasil. Não temos nem informação do quanto a cultura contribui para o desenvolvimento econômico do país. O mais importante é conhecermos a razão e o motivo que nos fizeram chegar onde chegamos. Tem gente que prefere falar uma palavra em inglês do que em português. É muito importante a gente conhecer a nossa gente — disse Lula, que completou:

— Muita gente defende o meio ambiente, mas pega um avião e vai para Miami. Não vai para a Amazônia.

Durante o evento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, chamou atenção para o gargalo na distribuição do conteúdo nacional e fez críticas veladas ao filme sobre Bolsonaro.

— É um primeiro passo para fortalecer a soberania do povo por meio da cultura. A gente não precisa inventar produtora de mentira para ser o que a gente —

A biografia cinematográfica do ex-presidente tem sido um dos principais problemas de Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato a presidência. Como revelaram áudios do Intercept Brasil, o filho do presidente cobrou milhões de reais do banqueiro supostamente para o financiamento da obra.

Apesar de negar em um primeiro momento, Flávio reconheceu ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro. O dinheiro foi para uma produtora que teve o registro confirmado em 9 de julho de 2025 e está em situação regular, mas nunca lançou nenhum filme, seja no cinema, na TV aberta ou fechada.

Aparentemente, a empresa, conhecida como Go Up, foi formada para fazer o filme de Bolsonaro. O contrato social na Junta Comercial de São Paulo inclusive mostra uma alteração do objeto e das atividades econômicas, em junho de 2025.

Embora negue que tenha sido o caso, a sócia da Go Up, Karina Ferreira da Gama, reconhece que o dinheiro para a produção de “Dark Horse” começou a entrar em março de 2025, vindo do fundo mantido pelo advogado Paulo Calixto no Texas.