Em estreia de Datena na Rádio Nacional, Boulos diz estar 'doido' para ver Lula debatendo segurança com Flávio Bolsonaro
Na estreia de José Luiz Datena no comando do programa “Alô Alô Brasil”, da Rádio Nacional, braço da Empresa Brasil de Comunicação, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou estar “doido” para ver o presidente Luiz Inácio Lula da Silva debater segurança pública com o senador Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro. A entrevista aconteceu nesta segunda-feira (23).
Tarcísio sobre vice investigado: 'Quem tem que comentar e já vem comentando é ele’
Benedita da Silva: PT escala deputada para vídeo em defesa da 'família' após críticas por ala de desfile em homenagem a Lula
“A oposição vive dizendo que quer debater segurança pública na eleição. Eu estou doido para ver o Lula debater com Flávio Bolsonaro segurança pública”, declarou Boulos na primeira edição apresentada por Datena na emissora estatal.
Durante a entrevista, o ministro acusou Flávio Bolsonaro de ter relação com a milícia no Rio de Janeiro e citou o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, apontado como líder do chamado Escritório do Crime, além do ex-assessor Fabrício Queiroz. Segundo Boulos, o governo Lula tem dado autonomia à Polícia Federal para investigar irregularidades, diferentemente da gestão anterior.
Questionado sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal, Boulos afirmou que a Corte teve papel fundamental na preservação da democracia diante de ameaças golpistas, mas ponderou que nenhuma instituição está imune a críticas.
“O Supremo Tribunal Federal foi importante para o Brasil para preservar a democracia contra quem queria dar golpe de Estado. Isso não quer dizer que o Supremo ou qualquer outra instituição esteja acima do bem e do mal”, disse.
A declaração ocorre em meio a questionamentos envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal e o Banco Master. O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria de investigação relacionada à instituição após reconhecer vínculos indiretos de empresa familiar com negócios ligados ao banqueiro. Outro caso envolve a contratação do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, pelo banco.
Boulos defendeu que críticas são legítimas em uma democracia, mas diferenciou questionamentos institucionais de ataques à Corte. “Uma coisa é criticar o Toffoli no caso do Master. Outra é querer fechar o Supremo ou fazer plano para matar ministro”, afirmou.
A conversa também retomou a cadeirada dada por Datena no influenciador Pablo Marçal durante debate eleitoral em 2024. “Você fez uma coisa que eu gostaria de fazer: lavou a alma do povo brasileiro”, disse Boulos ao apresentador, relembrando o episódio.
Datena, por sua vez, classificou sua participação em debates nas últimas eleições municipais como “uma das piores coisas” de sua vida.
"Eu fui engolido pelos caras porque eu não sei falar a linguagem do político", destacou.
No programa, o ministro também defendeu a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, enviada pelo governo ao Congresso, argumentando que o crime organizado atua nacionalmente e exige coordenação federal. Ele criticou ainda a postura do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump em relação à América Latina, ao comentar a cooperação internacional no combate ao crime.
Entre as prioridades do governo no primeiro semestre, Boulos citou a aprovação da PEC da Segurança, o fim da escala 6x1, com redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial, e a regulamentação de direitos para trabalhadores de aplicativos.
Sobre uma eventual candidatura em outubro, o ministro afirmou que não pretende disputar cargo, mas que cumprirá “a missão que for necessária” para contribuir com a reeleição de Lula.
