Em discurso na av. Paulista, Flávio Bolsonaro critica STF, mas não cita ministros nominalmente

 

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No primeiro grande ato público desde que foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como pré-candidato ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro fez um discurso de cerca de 17 minutos, usando colete à prova de balas, em tom de confronto ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal.

O senador criticou decisões do STF, mas não citou nominalmente ministros como Alexandre de Moraes ou Dias Toffoli. Os dois foram citados pelo pastor Silas Malafaia e pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) durante discurso no ato

A CBN informou que o ato pró-Bolsonaro deste domingo, organizado em várias capitais, teve mudança de foco e divisão sobre o tom dos ataques ao Supremo. Nos últimos dias, a intenção era priorizar a pressão por pedidos de impeachment dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Flávio Bolsonaro afirmou neste domingo que é favorável ao impeachment de ministros que, segundo ele, “descumprem a lei”:

“Todos nós somos favoráveis ao impeachment de qualquer ministro do Supremo que descumpra a lei. E isso só não acontece hoje porque ainda não temos maioria no Senado Federal.

Em seguida, afirmou que o “alvo nunca foi o Supremo”, mas que, na visão dele, integrantes da Corte estariam “destruindo a democracia a pretexto de defendê-la”

O discurso foi marcado por críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele acusou o chefe do Executivo de gastos excessivos no cartão corporativo, citou suposto desperdício de medicamentos e atacou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Flávio também defendeu a derrubada do veto ao projeto que altera a dosimetria das penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro.

Segundo ele, a proposta permitiria que “praticamente todas” as pessoas presas retornassem para casa, exceto o próprio Bolsonaro, que, de acordo com o senador, teria apoiado a iniciativa mesmo sem ser beneficiado.

A manifestação “Acorda Brasil”, convocada por Nikolas Ferreira, também ocorreu em outras capitais brasileiras. Em São Paulo, além de Flávio, outros dois presidenciáveis: Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), participaram do ato na Avenida Paulista neste domingo.

O prefeito da capital, Ricardo Nunes, afirmou representar o governador do estado, Tarcísio de Freitas, que não participou da manifestação. Ele está em Frankfurt, na Alemanha, onde cumpre agenda oficial que inclui visita ao supercomputador JUPITER e participação em um painel sobre logística e transporte.

Michelle Bolsonaro também não esteve presente. Segundo a organização, ela passou por uma cirurgia na última sexta-feira.

De acordo com os organizadores, o custo do evento foi de cerca de R$ 130 mil, valor arrecadado por meio de uma vaquinha promovida pelos parlamentares envolvidos.