Em cúpula com mais de 40 países, Reino Unido condena 'imprudência iraniana' e pressiona por reabertura do Estreito de Ormuz

 

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O Irã conseguiu "sequestrar uma rota marítima internacional para manter a economia global como refém", disse a ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, durante uma cúpula com mais de 40 países para discutir a reabertura do Estreito de Ormuz nesta quinta-feira. A chanceler destacou a “urgente necessidade” de garantir novamente a segurança do tráfego marítimo na passagem, por onde circulam cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados globalmente. O encontro virtual ocorre sob pressão dos Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, tem instado países dependentes do petróleo que passa pelo Estreito a agir para desbloqueá-lo.

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Ao abrir a reunião, Cooper afirmou que a “imprudência” do Irã ao bloquear a via marítima desde o início da guerra, que já dura mais de um mês, afeta a “segurança econômica global”.

— Contamos com mais de 40 países para discutir o Estreito de Ormuz, as consequências de seu fechamento, a urgente necessidade de restabelecer a liberdade de navegação para o transporte marítimo internacional e a firmeza de nossa determinação em ver o Estreito reaberto — acrescentou a chefe da diplomacia britânica, que preside o encontro, dizendo que o Reino Unido busca liderar uma iniciativa diplomática.

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Ela afirmou que houve, até agora, mais de 25 ataques a embarcações no Estreito e que 20 mil marinheiros ficaram presos em 2 mil navios.

— Essa imprudência iraniana em relação a países que nunca estiveram envolvidos neste conflito, que nós e 130 países em todo o mundo condenamos veementemente na ONU, não está apenas afetando as taxas de hipoteca, os preços da gasolina e o custo de vida aqui no Reino Unido e em muitos outros países do mundo, mas também está afetando nossa segurança econômica global — afirmou.

Reino Unido liderou cúpula com mais de 40 países para discutir a reabertura do Estreito de Ormuz

LEON NEAL / AFP

Em declarações feitas antes da reunião, Cooper afirmou que planejadores militares estão sendo convocados para analisar como desminar o Estreito.

— Paralelamente às discussões, também estamos reunindo planejadores militares para analisar como podemos mobilizar nossas capacidades militares defensivas coletivas, incluindo a análise de questões como desminagem ou medidas para — disse ela, segundo a agência de notícias Associated Press.

Em visita a Seul, capital da Coreia do Sul, também nesta quinta, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou ser “irrealista” reabrir o Estreito de Ormuz com meios militares, dizendo que a segurança da rota só poderia ser garantida “em coordenação com o Irã”, após um cessar-fogo.

Presidente francês, Emmanuel Macron, fala com a imprensa durante visita ao Memorial da Guerra da Coreia, em Seul

Ludovic Marin/AFP

— Essa nunca foi a opção que escolhemos — disse ele, referindo-se a reabertura de Ormuz pela força. — Isso só pode ser feito em conjunto com o Irã. Portanto, antes de mais nada, deve haver um cessar-fogo e a retomada das negociações.

Além disso, Macron criticou seu homólogo americano, Donald Trump, afirmando que ele estava minando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao criar "dúvidas diárias sobre seu compromisso" com a aliança.

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No dia 19 de março, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão divulgaram um comunicado conjunto no qual se declararam “dispostos a contribuir” para garantir a segurança no Estreito. Ao todo, 37 países aderiram ao documento. Estados Unidos, China e a maioria dos países do Oriente Médio não figuram entre os signatários. A Espanha também não assinou, mas Panamá e Chile estão na lista, segundo o governo britânico.

EUA ameaçam sair da Otan

Desde o início da guerra, Washington tem acusado os aliados de não fazerem o suficiente para garantir a segurança do Estreito de Ormuz ou para apoiar seu esforço no conflito. Em entrevista ao jornal britânico Telegraph, publicada na quarta-feira, Trump afirmou que considera retirar os EUA da Otan, devido ao que classificou como apoio insuficiente de aliados à sua guerra contra o Irã, classificando a aliança como "tigre de papel".

Trata-se da mais recente ameaça do republicano, que há muito critica o propósito e a eficácia da organização, que já chamou de "obsoleta", contra seus aliados após a relutância dos países europeus em ajudar Washington a reabrir o Estreito de Ormuz.

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Na entrevista, o presidente criticou o Reino Unido, dizendo que o país nem "sequer tem Marinha", e mandou um recado direto ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

— Não vou dizer a ele o que fazer. Ele pode fazer o que quiser. Não importa. Tudo o que Starmer quer são turbinas eólicas caras que estão elevando os preços da energia às alturas — disse o republicano.

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Questionado sobre a entrevista de Trump ao Telegraph, Starmer afirmou que o Reino Unido está "totalmente comprometido com a Otan", que garantiu a segurança do continente europeu durante 80 anos, chamando-a de "aliança militar mais eficaz que o mundo já viu".

— Ela (Otan) nos manteve seguros durante muitas décadas. Independentemente da pressão sobre mim e sobre os outros, agirei sob o interesse nacional britânico em todas as decisões que tomar — afirmou o premier na quarta-feira.

Ao anunciar a cúpula desta quinta, o premier disse que a reunião avaliaria “todas as medidas diplomáticas e políticas viáveis” para “restabelecer a liberdade de navegação, garantir a segurança dos navios e dos marinheiros retidos e retomar o fluxo de mercadorias essenciais”.