Em Copacabana, novo MIS começa a abrir as portas ao público no sábado, após 15 anos em obras

 

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Os tapumes saíram, os andaimes e guindastes estão sendo retirados, e mais de 200 operários correm contra o tempo, dia e noite, para que a primeira parte do novo Museu da Imagem e do Som (MIS), na orla de Copacabana, seja entregue na próxima quinta-feira, após 15 anos de obras, paralisadas entre 2016 e 2021. Dois dias depois, o prédio de arquitetura inovadora — inspirada no calçadão da Avenida Atlântica, assinado por Burle Marx — começará a receber o público, que poderá agendar pela internet para ver gratuitamente, no mezanino do térreo, a exposição temporária “Arquitetura em Cena: o MIS antes da imagem e do som”, sobre a construção do espaço cultural.

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Será uma abertura parcial, mas com ampla programação. Para a corrida “MIS a MIS”, dia 29, entre o museu na Praça Quinze e o de Copacabana, estão sendo esperados três mil participantes. A partir de abril, estão previstas visitas guiadas ao terraço, onde será possível subir num triângulo envidraçado para fazer os melhores cliques dos cartões-postais na vizinhança. Ao longo do mês que vem, serão realizados ainda três shows.

O triângulo, no alto do terraço, de onde os visitantes do novo MIS poderão tirar fotos

Custódio Coimbra

O governo do estado espera terminar as obras no fim de abril. A partir daí, segundo a Fundação Roberto Marinho (FRM), serão necessários mais seis meses para concluir a museografia, o que permitirá ao visitante usufruir todos os ambientes do prédio. O novo MIS é uma realização do governo do Rio, concebido e implantado em parceria com a FRM. O museu está sendo viabilizado por meio de recursos do estado e de parceiros privados, beneficiados pelas leis do ICMS e Rouanet.

Cobogós e painel gigante

Foi um longo percurso até o novo MIS chegar ao estágio atual, desde o início do processo de desapropriação da boate Help, em 2008, e passando pela realização de concurso internacional, no ano seguinte — vencido pelo prestigiado escritório americano Diller Scofidio + Renfro, responsável pela High Line, em Nova York. A obra começou em 2011, sendo interrompida cinco anos depois, com a crise financeira do estado e o rompimento do contrato pelos construtores.

— Quando retomamos as obras, encontramos só a casca. Tivemos que fazer toda a parte elétrica e hidráulica e agilizar todas as licenças necessárias — conta o secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione, que tem acompanhado o trabalho in loco.

De fora, o boulevard vertical se destaca na paisagem. Só na fachada são mais de 700 peças de vidro, incluindo as que formam os corrimãos dos 194 degraus externos que levam do térreo ao terraço, além dos mais de 22 mil cobogós de alumínio (tubos tridimensionais que filtram a luminosidade), material que permite a quem está dentro do edifício observar até o Pão de Açúcar. Já quem está nos fundos pode ver um painel gigante: de um lado, estão os olhos de Carmen Miranda; e do outro, o sorriso marcante da Pequena Notável.

A orla e e Pão de Açúcar vistos de um cogobó instalado no novo MIS

Divulgação/Fundação Roberto Marinho

Nos oito andares do edifício — incluindo térreo e subsolos —, quando o museu estiver pronto, o visitante vai se deparar com surpresas. Entre elas, uma instalação, no segundo pavimento, que vai reproduzir o piano de Ernesto Nazaré, o sax de Pixinguinha e a bateria de Luciano Perrone. Quem for ao quarto andar verá reproduções de imagens de Augusto Malta e Guilherme Santos, que retrataram o Rio entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do XX.

O novo MIS se propõe a ser um passeio pela cultura carioca e brasileira, por meio de experiências audiovisuais e interativas. E os andares ganharam nomes para designar o que pode ser visto ali. A entrada do museu é o Baixo Atlântica: lá, haverá um café, inicialmente operado pelo Senac, lojinha e bilheteria. O Alegres Trópicos, no terceiro andar, será dedicado à televisão e a Carmen Miranda. Originais e fac-símiles de roupas da cantora, que hoje estão no museu dedicado a ela, passarão a ser expostos ali.

— O novo MIS vai ser um novo ponto de encontro da cultura carioca, onde as pessoas vão poder se reconhecer e conhecer a sua história — diz Larissa Graça, gerente de Patrimônio e Cultura da FRM.

Rio_21-03_mis-andares

O acervo do atual museu — que está na Lapa e na Praça Quinze —, com mais de um milhão de peças, não será transferido para o futuro espaço, explica Larissa:

— Criaremos narrativas usando trechos de depoimentos e reproduções do acervo do MIS. Mas usaremos outros acervos também. No salão do Humor Carioca, por exemplo, vamos mostrar uma peça dos Trapalhões para contar sobre o humor na televisão. No Hall da Fama, usaremos o trecho de um depoimento do Chico Buarque, com uma foto dele.

Curador do novo museu, Hugo Sukman destaca que o Rio “tem a vocação da arte popular”:

— Aqui, o povo cria, os artistas estilizam e transformam essa criação em linguagens artísticas que vão forjar o que se convencionou chamar de cultura brasileira. O MIS, por missão, celebra e guarda essa vocação. Isso acontece com o samba, o funk, as artes visuais e audiovisuais, o carnaval, a dança, o teatro etc. Mostrar de onde vem isso, esse “não sei quê que faz a confusão”, como diz o samba, é o principal objetivo da nossa curadoria.

Nos fundos do novo MIS, o painel com os olhos de Carmen Miranda

Divulgação/Governo do estado

Telão de 10,20m por 4,70m

Para os pesquisadores, haverá uma área onde eles terão acesso ao material do museu atual, que está sendo digitalizado. O projeto contempla ainda restaurante panorâmico, a boate Noites Cariocas e cineteatro. No rooftop, um telão de 10,20m por 4,70m exibirá filmes, projetados de dentro do triângulo no alto do prédio. Gramado e jardim suspenso serão outras atrações.

Em valores atualizados, diz Nicola, os custos totais do novo MIS são de R$ 345 milhões, dos quais R$ 126 milhões gastos após 2021. Desse valor, 53% correspondem a investimentos do estado, 10% ao Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo no estado e 37% à iniciativa privada, via leis de incentivo.

Gestor do contrato de obras, o engenheiro Eric Silva afirma que 95% das intervenções físicas estão prontas, faltando terminar os dois subsolos e acabamentos nos andares. O funcionamento pleno do lugar depende ainda da contratação de uma Organização Social (OS) para a administração.

Imagem da exposição que está sendo montada no MIS e que, a partir do dia 28, será aberta ao público, que deve se cadastrar

Divulgação/Fundação Roberto Marinho

Detalhe da exposição temporária que o público poderá ver no novo MIS, mediante cadastramento, a partir do dia 28

Divulgação/Fundação Roberto Marinho

Animada, a secretária estadual de Cultura, Danielle Barros, quer liberar as áreas, assim que forem ficando prontas, para visitas guiadas. Profissionais e estudantes de arquitetura e urbanismo, no entanto, terão um privilégio extra.

— Queremos que eles visitem, acompanhem o processo de instalação da museografia — conta.

Para a inauguração parcial, destinada a autoridades e convidados, Danielle anuncia a programação: o grupo de choro Passagem de Nível, de Mendes, no rooftop, e o pianista João Carlos Martins, acompanhado de um conjunto de músicos de câmara, no térreo.