Em conferência da FAO, Lula critica alto gasto mundial em armamentos e diz que ONU está 'desacreditada'
O presidente Lula "subiu o tom" durante a abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para América Latina e Caribe, no Palácio do Itamaraty, nesta quarta-feira (4). Em discurso, Lula não citou diretamente a guerra no Irã e os ataques militares dos Estados Unidos e Israel, mas criticou o alto gasto do mundo com armamentos e cobrou líderes globais por ignorarem o combate à fome.
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O presidente afirmou que a miséria não sensibiliza o coração dos governantes e criticou a Organização das Nações Unidas (ONU), que, segundo ele, está desacreditada, descumpre a própria carta e cede ao que chamou de "fatalismo dos senhores das guerras".
"Não tem espaço para os senhores da paz. Por que a ONU já não convocou uma conferência mundial para discutir esses conflitos? Por que a guerra da Rússia e da Ucrânia demora quatro anos quando todo mundo já sabe o que vai dar naquela guerra? O presidente Trump, todo dia, fica dizendo que tem o maior navio do mundo e o maior exército do mundo. Por que ele não fala que tem a maior capacidade de produção de alimento do mundo? 'Eu tenho como distribuir alimento'?", disse.
'Resort em cima dos cadáveres'
Lula também reforçou que o Brasil escolheu na Constituição não possuir armas nucleares, porque a paz é o único caminho para o avanço da humanidade.
O presidente citou a destruição em Gaza e a morte de mulheres e crianças, para criticar as propostas de reconstrução do território por meio da criação de um conselho. Comparou essa reconstrução a um "resort em cima dos cadáveres".
É válido lembrar que quem propôs a criação do Conselho da Paz foi o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticado na fala do presidente Lula nesta quarta-feira.
O presidente disse ainda que os pobres são invisíveis para as máquinas burocráticas globais. O fórum da FAO, que debate a segurança alimentar e tem a presença do presidente da FAO, segue em Brasília até sexta-feira (6).
