Em clima de eleição antecipada, Paes explora 'herança maldita' de Castro, e Ruas tenta colar imagem a Flávio Bolsonaro

 

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Em meio ao imbróglio sobre como e quantas serão as eleições para o governo do Rio neste ano, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e o deputado estadual Douglas Ruas (PL) modularam suas estratégias de campanha de olho numa disputa antecipada pelo Palácio Guanabara. Enquanto Paes vem apostando no discurso de “herança maldita” em relação ao governo Cláudio Castro (PL), Ruas passou a apostar na nacionalização, atrelando seu nome ao do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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Segundo interlocutores dos dois lados, o tom adotado por Paes e Ruas está diretamente ligado à hipótese de uma eleição direta suplementar, possivelmente em junho, para escolher um substituto de Castro até o fim do ano. Essa hipótese, antes descartada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vem ganhando força após manifestações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na última semana, e passou a ser abertamente defendida por PL e PSD.

Em vídeos nas redes sociais, sob o argumento de apresentar propostas para um futuro mandato de governador, Paes tem aproveitado para martelar problemas do governo Castro, como a “politização” das forças policiais e a “desordem” nas contas públicas.

Para estrategistas envolvidos na eleição do Rio, a ideia de que o ex-governador deixou a casa desarrumada é crucial não só para a campanha de Paes, mas também para um eventual período como governador-tampão. Se eleito, o ex-prefeito teria apenas três meses no governo antes de concorrer novamente, em outubro, para um mandato de quatro anos. Com pouco tempo para imprimir uma marca no estado, a chave da campanha seria expor malfeitos da gestão anterior — estratégia normalmente usada por gestores para preservar a popularidade no início de mandato.

Os ataques a Castro também buscam atingir Ruas, que foi secretário de Cidades na atual gestão. No domingo, por exemplo, Paes disse que a Polícia Militar “sabe trabalhar, mas ficou submetida à politicagem do governo Castro”, e criticou “indicações de deputados estaduais” para batalhões. Ontem, o ex-prefeito argumentou que a gestão estadual precisa “parar de atrapalhar e começar a liderar” a gestão econômica.

— O Rio não é pobre, é desorganizado. (...) Vamos substituir improviso por estratégia, desordem por planejamento e gestão — afirmou.

Vinculação a Flávio

Ruas, por sua vez, vem recorrendo ao bolsonarismo na tentativa de pegar um “atalho” para se tornar mais conhecido no curto espaço de tempo até uma possível eleição-tampão. Aliados de Ruas vinham apregoando uma imagem de moderação como ativo tanto para a campanha de outubro, quanto para uma possível eleição indireta. Já numa eleição suplementar, o voto bolsonarista é tido como crucial para que ele já aumente seu patamar de votos.

Ontem, Ruas reproduziu nas redes sociais um vídeo em que Flávio Bolsonaro declara apoio à sua candidatura, e reiterou sua vinculação ao senador.

— Informo que já conversei com meu partido e com o senador, e futuro presidente da República, Flávio Bolsonaro, que de pronto declarou apoio à minha candidatura para governador nessa eventual eleição suplementar — declarou.

Embora a eleição indireta fosse vista como uma alternativa mais confortável para Ruas, cujo partido tem maioria na Assembleia Legislativa (Alerj), o deputado do PL também vem reiterando em posicionamentos públicos que é favorável a uma eleição direta para o mandato-tampão. O objetivo, segundo aliados, é não deixar Paes “nadar sozinho” na defesa da eleição direta.

Sondagens que vêm sendo feitas por estrategistas eleitorais, desde a semana passada, sugerem que o eleitorado não está satisfeito com a possibilidade de ir duas vezes às urnas em um curto espaço de tempo. Isso não significa, no entanto, que a hipótese de um governador escolhido pela Alerj — cujo ex-presidente, Rodrigo Bacellar (União), foi preso e cassado — tenha a preferência dos eleitores. Diante desse cenário, Paes e Ruas têm defendido uma escolha pelo “voto popular”, enquanto outras alternativas são cogitadas por ambos os lados.

Aliados do ex-prefeito vêm apoiando a permanência por mais tempo do atual governador interino, o desembargador Ricardo Couto, que é presidente do Tribunal de Justiça. Ontem, Couto demitiu aliados de Castro que seguiam no governo estadual e nomeou, como seu secretário do Gabinete de Segurança Institucional, o delegado Roberto Lisandro Leão — que estava cedido pela Polícia Civil, desde fevereiro de 2025, à gestão de Paes na prefeitura do Rio.

O PL, por sua vez, pressiona para que a Alerj eleja um novo presidente — Ruas é o favorito ao posto —, e que esse nome assuma o governo interinamente, no lugar de Couto.