Em caso raro, pai é condenado por homicídio após dar ao filho arma usada para massacre em escola nos EUA

 

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Um júri do estado da Geórgia, nos Estados Unidos, condenou Colin Gray, de 55 anos, por homicídio em segundo grau, homicídio culposo e outras acusações por ter dado ao filho a arma que foi usada no tiroteio de 4 de setembro de 2024 na Apalachee High School, que deixou dois alunos e dois professores mortos e nove feridos.

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O veredito, raríssimo em casos de violência armada envolvendo crianças, considerou que Gray permitiu acesso à arma sem tomar medidas razoáveis para impedir que o filho, então com 14 anos, cometesse a tragédia. À época, dois estudantes de 14 anos e dois professores foram mortos, e outras nove pessoas ficaram feridas em um ataque a tiros em Winder, Geórgia. Ele agora enfrentará penas de prisão por 29 condenações.

Procuradores sustentaram durante o julgamento que Colin Gray ignorou vários sinais de alerta, incluindo o declínio da saúde mental do filho, episódios violentos e uma fixação em atiradores escolares que incluía um “santuário” a figuras desse tipo no quarto de Colt.

A defesa argumentou que o pai agiu como um cuidador atento, acreditando que atividades como caça e treino de tiro ajudariam o filho a superar dificuldades. Gray testemunhou no tribunal dizendo que nunca imaginou que Colt pudesse cometer tal atrocidade.

A Apalachee High School, na cidade de Winder, Geórgia, foi alvo de um ataque a tiros; suspeito foi preso

Reprodução/WSBTV

O ataque em 2024, considerado o mais letal em uma escola na história da Geórgia, começou quando o adolescente entrou na escola com um rifle semiautomático — presente de Natal do pai — e abriu fogo em salas de aula e corredores. Colt Gray, agora com 16 anos, foi indiciado em 55 acusações, incluindo quatro de homicídio qualificado, e aguarda julgamento marcado para março.

Os ataque a tiros em escolas são um fenômeno comum nos Estados Unidos, onde o número de armas supera o de habitantes e as regulamentações para a aquisição até mesmo de rifles potentes de estilo militar são frouxas. Nos últimos anos, a responsabilidade dos pais em ataque a tiros tem sido alvo de crescente escrutínio.

Em abril de 2024, os pais de um adolescente condenado à prisão perpétua por matar quatro estudantes em sua escola de ensino médio em Michigan, em 2021, com uma arma que lhe haviam dado, foram condenados a penas de 10 a 15 anos por homicídio culposo, a primeira sentença desse tipo nos Estados Unidos. O caso de Colin Gray marca a terceira vez da condenação de um pai em caso de massacre cometido por um filho.