Em carta a Rubio, senadores americanos criticam 'interferência' dos EUA e pedem reconhecimento do resultado das eleições

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Em uma carta enviada nesta terça-feira ao secretário de Estado Marco Rubio, três senadores americanos do partido Democrata cobraram o governo do presidente Donald Trump para reconhecer o resultado das eleições brasileiras. No documento, eles se dizem preocupados de que Trump "esteja utilizando pressão diplomática, econômica e política para enfraquecer as instituições democráticas do Brasil".

Leia mais: Flávio Bolsonaro recebe apoio de Pablo Marçal e integra ex-coach à equipe da campanha: 'Trazer o empreendedorismo' Brasil: Campanha de Lula aciona TSE e pede remoção de posts de Nikolas que usam fala do presidente sobre 'toque' O texto é assinado pelos senadores Tim Kaine, Peter Welch e Jeanne Shahenn. Segundo eles, o governo americano faz uma "campanha de interferência e desestabilização no Brasil". Ao final da carta, eles questionam o governo americano se ele está comprometido em reconhecer o resultado das eleições brasileiras e apoiar relações diplomáticas normais com qualquer candidato que seja escolhido.

O trio também questiona o Departamento de Estado sobre como é feita coordenação dos seus "objetivos relacionados à democracia e aos direitos humanos" com parceiros regionais, "particularmente no que diz respeito à assistência técnica ou monitoramento de processos eleitorais e judiciais". Os três senadores se dizem preocupados "com ações da administração que ameaçam nossa aliança estratégica com o Brasil e minam a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental". Eles citam as tarifas e sanções impostas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) às vésperas do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os parlamentares democratas destacam que, nos meses seguintes, foram tomadas medidas para reduzir as tensões, com "conversas diretas e cordiais" de Trump com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eles afirmam, no entanto, que posteriormente a situação se reverteu, com a indicação do americano Darren Beattie para o cargo de "consultor sênior para questões relacionadas ao Brasil".

Beattie é descrito por Kaine, Welch e Shahenn como "extremista de direita e supremacista branco", com histórico de declarações que indicavam "compromisso ideológico com o enfraquecimento das instituições democráticas do Brasil".

Na lista de medidas recentes que voltaram a aumentar a tensão diplomática entre Brasil e EUA, os senadores americanos citam o encontro de Flávio Bolsonaro com Trump na Casa Branca, além das novas tarifas sobre produtos brasileiros.

"Em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos estão exercendo pressão diplomática, econômica e política de maneiras que ameaçam enfraquecer as instituições democráticas do país, minar a confiança no processo eleitoral brasileiro e causar mais danos à nossa relação com um aliado estratégico e parceiro comercial dos EUA", diz a carta.

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