Em ato de desespero, Microsoft pede que jogadores de Xbox revendam seus consoles, e o motivo é curioso

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Diante da escassez de memória RAM e dos sucessivos aumentos de preços, a Microsoft tomou uma decisão inesperada: incentivar diretamente os jogadores inativos a revenderem seus Xbox Series X ou S para reabastecer o mercado. Essa manobra pragmática visa recolocar os consoles em circulação e, assim, preservar a receita do Game Pass.

No entanto, ver uma fabricante incentivando seus próprios clientes a se desfazerem de seus equipamentos é algo incomum. Se o seu console estiver acumulando poeira em uma prateleira há algumas semanas, não é impossível que você receba um e-mail sugerindo educadamente que se desfaça dele.

Pelo menos é o que está acontecendo com certos usuários nos EUA. A abordagem foi revelada inicialmente pela comunidade PowerUpGaming.

Vários americanos relataram ter recebido um e-mail oficial da marca com uma mensagem particularmente direta: "Faz tempo que você não joga no seu console?". A mensagem então direciona os jogadores à Best Buy para trocarem seus Series X por até US$ 375 (R$ 2046 em conversão direta) de compensação ou Series S por US$ 200 (R$ 1091).

Para receber esse valor máximo, o console deve estar em perfeito estado de funcionamento e ser devolvido com cabos, controle e dock. No entanto, essa compensação não é paga em dinheiro, mas sim como crédito na loja.

É sabido que as infraestruturas de hospedagem de inteligência artificial exigem muita RAM. Tanto que a maioria dos fornecedores produziu apenas para esse fim, o que saturou o mercado.

A própria Microsoft está investindo pesado nesse setor. Em todo caso, essa escassez global de componentes causou um aumento nos custos de fabricação e uma significativa falta de estoque nas prateleiras das lojas.

Os consoles não escaparam dessa crise e sofreram vários aumentos de preço. A situação não deve melhorar tão cedo, as previsões atuais estimam que esse déficit de RAM poderá persistir até 2028.

Para a Microsoft, um console ocioso representa uma perda gigantesca de faturamento. Isso é especialmente verdadeiro, visto que o modelo de negócios da divisão de jogos depende muito mais de serviços e consumo digital do que da venda dos consoles em si.

Consequentemente, um Xbox sem uso não gera receita: sem compras na loja online, sem microtransações e sem renovações de assinaturas do Xbox Game Pass. Apenas o dinheiro da venda do console não fecha a conta para a Microsoft.

Ao recuperar essas máquinas inativas e reintroduzi-las no mercado de segunda mão, a Microsoft busca atingir dois objetivos com uma única ação. O primeiro é oferecer equipamentos mais baratos aos consumidores que se sentem desencorajados pelos novos preços exorbitantes.

O segundo é colocar a máquina nas mãos de um jogador ativo, que provavelmente assinará os serviços internos e impulsionará as vendas de jogos digitais. Essa redistribuição do mercado de consoles demonstra, mais uma vez, o quanto a guerra dos consoles mudou ao longo dos tempos.

A verdadeira batalha agora é garantir que cada console seja usado e continue gerando lucro mesmo muitos anos após ele ter sido vendido.

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