Em ato com forte apelo eleitoral, Flávio ataca presidente Lula, pede impeachment de ministros do STF e anistia para o pai

 

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Em clima de comício, vários dos principais representantes da direita brasileira, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência da República, participaram neste domingo de um ato na Avenida Paulista, em São Paulo. Manifestações em oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), e em defesa da liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ocorreram de forma simultânea em pelo menos 33 cidades do país, entre elas 21 capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife e Salvador.

Último a falar do alto do caminhão de som instalado nas proximidades do Masp, e principal estrela do evento, Flávio participou de seu primeiro ato de larga escala desde que foi apontado por Jair Bolsonaro como pré-candidato à presidência da República. O senador utilizava um colete à prova de balas — assim como seu pai fazia em manifestações do tipo — ao pegar o microfone para discursar na Avenida Paulista, lotada por cerca de dois quarteirões. Fez críticas ao STF de maneira genérica, sem nomear ministros, mantendo o tom moderado das últimas semanas.

— Todos nós somos favoráveis ao impeachment de qualquer ministro do STF que descumpra a lei. Isso só não acontece hoje porque ainda não temos a maioria no Senado, mas o povo brasileiro vai ter a oportunidade, nesse ano, de escolher candidatos que se comprometam com o resgate da nossa democracia. O nosso alvo nunca foi o Supremo, nós sempre dissemos que o Supremo é fundamental para a democracia. Mas estão destruindo a democracia, a pretexto de defendê-la, para atingir Jair Bolsonaro – discursou Flávio.

As manifestações deste domingo foram convocadas pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) com o mote “Fora Lula, Moraes e Toffoli”. O objetivo principal era endurecer a oposição ao governo federal e aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF.

Na multidão, havia a presença de “pixulecos” de Moraes, Toffoli e Lula, e cartazes com expressões como “Fora Moraes”, “Bolsonaro livre” e “Delata Vorcaro - Toffoli na cadeia”, em relação ao banqueiro dono do Banco Master que é investigado em inquérito no STF.

Além de Flávio, outros representantes da direita que discursaram em São Paulo foram o pastor Silas Malafaia, os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Romeu Zema, de Minas Gerais, e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, além do próprio Nikolas. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não compareceu pois viajou para a Alemanha para cumprir agendas na área de tecnologia.

Mesmo com críticas ao STF, vários dos discursos evitaram ataques diretos a integrantes específicos da Corte. A avaliação de representantes da direita nos últimos dias foi de que seria mais estratégico investir num tom mais moderado e cauteloso, como o que Flávio Bolsonaro tem adotado nos últimos meses, com foco nos pedidos de anistia a Jair Bolsonaro e aos condenados pelo 8 de janeiro. Ainda assim, os nomes de Moraes e Toffoli foram citados em algumas ocasiões.

Dos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro participou do ato com uma breve mensagem por videoconferência, na qual falou sobre eleger o irmão Flávio Bolsonaro para “conseguir a justiça”.

— Vocês estão fazendo valer a pena todo o sacrifício. Agradecer a todos vocês, com certeza o recado fica cada vez mais forte, e nós preferimos as lágrimas da derrota à vergonha de não ter lutado. A eleição é só a ferramenta, o caminho mais rápido para levar à justiça, se Deus quiser com a eleição de Flávio Bolsonaro presidente e de deputados federais e senadores valentes. Posso contar com vocês aí da Avenida Paulista? — disse.

Os dois governadores presentes à manifestação na Paulista também adotaram um tom eleitoral em seus discursos. Ronaldo Caiado, de Goiás, exaltou seus feitos na segurança pública e disse que é isso que fará na presidência da República “se chegar lá”.

— Flávio Bolsonaro, meu amigo senador e pré-candidato, e governador Zema, nós estamos com o mesmo objetivo. Aquele que chegar lá, o primeiro ato será a anistia plena, geral e irrestrita no primeiro de janeiro de 2027. O recado está dado — falou.

Romeu Zema, de Minas, falou que o Brasil “não aguenta mais essa farra dos que estão em Brasília e acham que estão acima das leis”, mas não citou diretamente nenhum ministro do STF ou autoridade da República.

— Vamos estar aqui quantas vezes forem necessárias, deve ser a minha sexta, sétima vez aqui, se for preciso venho 50 para acabar com esses intocáveis. Eles têm medo da verdade, nós não ficaremos passivos, quietos, assistindo. Não vamos permitir, o Brasil está inconformado com tudo o que vem acontecendo. Ninguém no Brasil é intocável, acorda, Brasil! — disse.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, acenou a Flávio e a Tarcísio e disse que o time "está escalado".

— O Flávio está escalado, o time está sendo montado e agora a gente está em jogo para ganhar de lavada e fazer uma grande vitória da verdadeira democracia, da liberdade, com o avanço do Brasil contra a corrupção. Eu e Tarcísio, e muita gente aqui de São Paulo vai estar trabalhando dia e noite para resgatar o orgulho dessa bandeira. Eu vou estar aqui trabalhando duro, o time está instalado, o Flávio está escolhido e vamos com tudo para resgatar o nosso país — disse.

O deputado federal Guilherme Derrite (PL-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, que deve concorrer ao Senado pelo estado com o apoio de Bolsonaro, criticou a política de segurança do governo federal, e citou a aprovação do PL Antifacção nesta semana pela Câmara dos Deputados.

— Nós conseguimos aprovar o projeto colocando fim a saída temporária de presos, mas o atual ex-condenado vetou o projeto. E nós derrubamos o veto. E nesta semana, aprovamos o PL Antifacção — disse.

Malafaia e Nikolas sobem o tom

Fugindo um pouco do roteiro eleitoral, o pastor Silas Malafaia protagonizou um dos discursos mais fortes contra o STF. Ele criticou o inquérito das fake news e chamou Moraes de “ditador”.

— A partir deste inquérito, o Alexandre de Moraes institui o crime de opinião no Estado democrático de direito. Alexandre de Moraes e Dias Toffoli têm que ser afastados do STF, não têm moral para julgar ninguém — disse o pastor.

Malafaia falou que Moraes usou “o inquérito ilegal e imoral das fake news para intimidar os auditores da Receita Federal, querendo saber quem vazou a informação do contrato”, fazendo referência ao contrato firmado pela esposa de Moraes, que é advogada, com o Banco Master.

— Senhor presidente do STF, ministro Fachin, se o senhor não tomar frente disso, o senhor está desmoralizado. É melhor você sair do STF e deixar Alexandre de Moraes cometer seus crimes e seus absurdos — acrescentou.

Principal idealizador do ato, Nikolas fez críticas às políticas federais e também atacou a Corte Suprema.

— Nós estamos aqui por “fora, Lula”. Primeiro, este cara já está no poder há três mandatos, continua prometendo segurança para o país e hoje entrega milhões de brasileiros que estão sob comando do crime organizado. Um cara que gasta bilhões de reais para colocar no bolso de artistas da Lei Rouanet, para bancar jantares do STF. Falta caráter, falta homem de verdade para comandar este país — falou.

Ele ainda lembrou a CPI sobre os presos de 8 de janeiro e o projeto da dosimetria de pena, vetado por Lula e conclamou pela derrubada do veto. E, assim como Malafaia, nomeou Alexandre de Moraes em seus ataques, pedindo impeachment do ministro do STF.

— E nós estamos aqui pelo 'fora Moraes'. Alguém aqui um dia quer vir para a Paulista para comemorar o impeachment do Moraes? O destino do Alexandre de Moraes é a cadeia. Não é por birra política não — declarou Nikolas.

Outros parlamentares também fizeram discursos acalorados contra o ministro do Supremo. O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), por exemplo, falou por três vezes “fora, Alexandre de Moraes”. Já a deputada estadual de São Paulo Valéria Bolsonaro (PL) citou indiretamente os ataques dos Estados Unidos ao Irã, ao dizer:

— Trump já ajudou muito acabando com dois, agora falta mais um — falou.