Em agenda na Alemanha, Lula cobra UE e critica gastos 'trilionários' com armas na Guerra no Oriente Médio

 

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Direto da Alemanha, o presidente Lula cobrou hoje uma posição da União Europeia no acordo de livre comércio com o Mercosul ao dizer que medidas ameaçam a desnivelar os pratos da balança. Em declaração à imprensa, ele criticou o que chamou de medidas unilaterais dos europeus.

'Acordo Mercosul União Europeia – só se sustenta se há equilíbrio de parte a parte. Uma série de Medidas da UE ameaçam a desnivelar os pratos dessa balança. Legítimo impulsionar a política de descarbonização, mas não é correto usar métricas que não são fidedignas com a realidade. Não é possível vencer o unilateralismo com mais unilateralismo'.

O acordo entra em vigor provisoriamente no dia 1º de maio. E para Lula, abre oportunidades muito além do livre comércio.

O presidente aproveitou para defender o Brasil como protagonista na transição energética e segundo ele 'desmistificar o preconceito contra os biocombustíveis brasileiros'. Ele participou de um teste feito em um caminhão alemão com biodiesel. E ainda afirmou que Brasil pode se tornar a 'Arábia Saudita dos biocombustíveis' e rebateu o medo de que a energia limpa roube espaço da agricultura.

'Se a imprensa alemã publicar direitinho nós Vamos acabar com preconceito que o biocombustível vai ocupar terra que seria para produzir alimento. Também não é verdade. Temos de sobra terra fértil e agricultável. Para quem quiser nos ajudar estamos colocando a disposição 40 milhões de hectares de terras degradadas que nós queremos recuperar'.

A pauta internacional também teve destaque. Lula se disse profundamente preocupado com o retorno do conflito no Irã e criticou gastos altos com armas enquanto há fome no mundo.

Ele exigiu ainda uma reforma do Conselho de Segurança da ONU ao dizer que não é privilégio de cinco países que não estão preocupados com a paz.

'Ou nós assumimos a responsabilidade para mudar a carta e estatuto da ONU ou continuamos nessa nau vagando pelo mar sem controle... Vou gritar nos 4 cantos do mundo: ou nós renovamos a ONU ou a gente vai continuar com a guerra'.

Lula defendeu a participação de países como Brasil, Alemanha, Japão, Índia, México e outros países africanos.

Sobre uma possível invasão dos EUA a Cuba, Lula disse ser contra assim como foi em relação à invasão da Venezuela, Ucrânia, Gaza e Irã.

'Sou contra a falta de respeito à integridade territorial das nações, sou contra a qualquer país do mundo se meter, a ter ingerência política de como um país deve se organizar ou não'.

Lula ainda destacou que Cuba é vítima de um bloqueio de 70 anos: 'não teve chance de escolher seu destino'. Para ele, a sanção classificada como "ideológica" é uma "vergonha mundial".

Lula ainda celebrou a parceria com Alemanha classificando-a como 'sólida' e que se expande em diversas áreas como Defesa, Inteligência Artificial e Infraestrutura.

Ele disse que os dois países são favoráveis em acordos, como por exemplo, para regular as redes sociais.

Sobre as eleições no Brasil, Lula destacou que ainda faltam nove meses: "não tem turbulência nenhuma, vou encarar de forma democrática".