Elusivo, líder houthi alcança maior vitória com avanço no Mar Vermelho

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Fonte da notícia: Valor Valor

Abdul Malik al-Houthi, um personagem elusivo que lidera uma força de combatentes endurecidos pela guerra, alcançou sua maior vitória militar em anos quando o seu grupo, alinhado ao Irã no Iêmen, avançou pela costa do Mar Vermelho e estreitou o controle sobre uma passagem marítima vital para o escoamento do petróleo saudita. Leia também: Análise: Arábia Saudita e houthis encaminham guerra para nova fase Arábia Saudita intensifica ataques contra houthis, que consolidam avanço no Iêmen Guerra ao Irã já custou US$ 38 bilhões aos EUA

A ofensiva, combinada a ataques do grupo à Arábia Saudita, colocou os houthis em posição sólida no Estreito de Bab el-Mandeb, ameaçando o fluxo da commodity por uma das vias mais importantes para o petróleo. Al-Houthi transformou guerrilheiros montanheses, que usam sandálias e consomem um chá estimulante à base de uma planta local, o qat, em uma força de combate com dezenas de milhares de integrantes, que suportaram anos de bombardeios aéreos conduzidos pela coalizão liderada pela Arábia Saudita. O arsenal do grupo, hoje, inclui drones e mísseis balísticos.

Uma trégua mediada pela ONU em 2022 interrompeu os combates pesados, sem que tenha sido suficiente para uma paz duradoura no país, empobrecido pela longa guerra civil.

No ano seguinte, em 2023, os militantes liderados por al-Houthi reemergiram em apoio aos palestinos de Gaza, com iniciativas já então centradas em afetar o tráfego marítimo pelo Mar Vermelho. Agora, voltam aos holofotes em apoio ao Irã, abrindo uma nova frente de combate contra aliado dos EUA na região, alavancando a posição persa no conflito iniciado por americanos e israelenses, no fim de fevereiro.

O Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, era a alternativa ao Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, praticamente fechado pelo Irã desde o início do conflito, há quase sete meses.

Como líder do grupo rebelde iemenita, Abdul Malik al-Houthi se tornou o principal e mais resiliente aliado árabe do Irã desde que Israel matou os líderes do Hezbollah, no Líbano, e do Hamas, em Gaza.

Enigmático, al-Houthi tem se mantido desafiador, tendo chegado a se referir ao presidente dos EUA, Donald Trump, como a um criminoso. “Reafirmamos nossa posição contra a tirania sionista israelense e americana, que mira a nossa nação sob a bandeira de ‘transformar o Oriente Médio’”, disse al-Houthi, em agosto, em discurso pela data de nascimento do profeta Maomé.

Em outro discurso, durante a guerra de Israel em Gaza, al-Houthi, com a tradicional adaga iemenita no cinturão, acusou os países árabes e muçulmanos de imobilismo e disse que o bloqueio israelense ao enclave palestino era um crime contra a humanidade.

Al-Houthi tem sobrevivido em um país conhecido pela história complexa, marcada por alianças voláteis e mudanças de lado. Após o veterano político iemenita e ex-presidente Ali Abdullah Saleh ter mudado de lado na guerra civil, trocando os aliados houthis pela coalizão liderada pelos sauditas, combatentes do grupo conseguiram fazer com que o veículo blindado em que ele estava parasse em um ataque com lançador de granadas, e o abateram a tiros.

Desde o início da guerra civil, vista como um combate por procuração entre a Arábia Saudita e o Irã, autoridades estrangeiras que mantêm algum contato com o grupo jamais estiveram em presença de al-Houthi, de acordo com fontes próximas à questão.

Os que buscam contato direto são convidados a viajar até Sanaa, no Iêmen, onde um comboio leva o visitante até um refúgio em que, após verificações de segurança, a pessoa que deseja falar com al-Houthi é levada até uma sala, e o vê por uma tela — um reflexo do receio dele, de ser assassinado.

O movimento houthi foi formado para defender os interesses de uma minoria xiita, dos Zaid, que esteve no comando de um reino de 1.000 anos no território em que hoje fica o Iêmen, até 1962. O grupo, contudo, foi marginalizado entre 1990 e 2012 durante o governo de Saleh, o primeiro presidente do Iêmen unificado.

Os houthis negam ser marionetes de Teerã e alegam estar lutando contra um sistema corrupto no Iêmen e à agressão regional. A Arábia Saudita e aliados acusam o Irã de armar e treinar o grupo, o que Teerã nega.

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