Elon Musk diz que não houve contrato que definisse sua doação inicial à OpenAI

 

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Elon Musk reconheceu que não havia um contrato com a OpenAI (dona do ChatGPT) sobre os termos de sua doação à empresa quando ela foi fundada como uma organização de pesquisa sem fins lucrativos, há mais de uma década.

Sob questionamento do advogado da OpenAI, William Savitt, Musk afirmou nesta quinta-feira que contribuiu com a startup de inteligência artificial com base em sua compreensão da missão fundadora e na leitura do estatuto da organização.

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— Se você cria uma entidade sem fins lucrativos, ela é sem fins lucrativos — disse Musk. —O que mais você precisa saber?

Em resposta a perguntas posteriores de seu próprio advogado, Musk disse que ficou “tranquilizado” pelo CEO da OpenAI, Sam Altman, e por outros membros da organização de que ela continuaria operando como uma entidade beneficente.

O interrogatório tenso marcou o terceiro dia de depoimento de Musk em um julgamento bastante acompanhado sobre suas alegações de que a OpenAI traiu sua missão altruísta ao buscar lucro.

No processo que moveu em 2024, Musk afirmou que Altman e Greg Brockman, presidente da empresa, enriqueceram ao transformar a organização em um negócio com fins lucrativos, com bilhões de dólares em apoio da Microsoft.

A OpenAI e Altman acusam Musk de assédio e dizem que o verdadeiro objetivo da ação judicial é prejudicar a concorrência com sua própria startup, a xAI, que ele cofundou em 2023.

Musk concluiu seu depoimento na manhã de quinta-feira. Altman e Brockman estiveram presentes no tribunal durante boa parte de sua fala. Sentaram-se lado a lado atrás de sua equipe jurídica e aparentavam ouvir atentamente, com Brockman ocasionalmente fazendo anotações em um bloco amarelo.

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Grande parte do depoimento de Musk tratou de seu rompimento com a liderança da OpenAI, à medida que a organização buscava estratégias para garantir financiamento suficiente para competir com o Google, da Alphabet Inc., e outros pioneiros da área de inteligência artificial que operam com fins lucrativos.

Ao anunciar seu lançamento em 2015, a organização afirmou que Musk se comprometeu a doar até US$ 1 bilhão para a missão de desenvolver inteligência artificial que “beneficie toda a humanidade”. Em uma publicação no X em 2023, Musk escreveu que havia doado US$ 100 milhões. O valor real foi bem menor.

— Em termos estritamente monetários, contribuí com US$ 38 milhões — disse Musk nesta semana.

Jared Birchall, que administra os escritórios familiares de Musk, foi chamado a depor após ele. Birchall disse aos jurados na quinta-feira que Musk pagou o aluguel do escritório da empresa nos primeiros anos e que recebeu instruções para parar de pagar em 2020.

Musk deixou o conselho da OpenAI em 2018 e lançou a xAI cinco anos depois. O principal chatbot da empresa, Grok, é conhecido por suas respostas irreverentes e já gerou polêmica global por produzir imagens explícitas sem consentimento.

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Musk afirmou que a xAI, que opera como empresa com fins lucrativos, “em parte” utilizou tecnologia da OpenAI para desenvolver seus próprios modelos, usando suas ferramentas de IA para validar e comparar respostas de chatbots. A agência Bloomberg informou que engenheiros da xAI também utilizaram modelos da Anthropic para programação.

O advogado da OpenAI perguntou a Musk se ele acredita que suas empresas — incluindo a SpaceX e a Tesla — são benéficas para a sociedade, citando publicações dele sobre IA e robôs como algo positivo para a humanidade. Musk respondeu afirmativamente a todas.

—Há muitos futuros possíveis. Alguns são bons e outros não — disse. — É melhor errar pelo lado do otimismo.

Mas Musk também ressaltou repetidamente durante seu depoimento que tem grandes preocupações com a “segurança da IA”, especialmente sobre como evitar que a tecnologia, um dia, possa “nos matar a todos”.

Antes de Musk retornar ao banco de testemunhas na manhã de quinta-feira, seu advogado, Steven Molo, discutiu com a juíza distrital dos EUA, Yvonne Gonzalez Rogers, sobre a possibilidade de uma testemunha especialista falar sobre riscos existenciais da IA, incluindo a extinção humana. A juíza rejeitou o argumento.

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— Também é irônico que seu cliente, apesar desses riscos, esteja criando uma empresa exatamente nesse setor. Suspeito que há muitas pessoas que não querem colocar o futuro da humanidade nas mãos do sr. Musk. Mas isso não importa. Não vamos entrar nesses temas — ela disse.

Mais tarde, durante seu depoimento, Musk tocou brevemente no assunto e disse que empresas de IA deveriam buscar evitar uma “situação à la The Terminator”, em referência à franquia de filmes. Questionado por Molo para explicar melhor, Musk respondeu: — Se você viu o filme, sabe que não é uma situação boa.

— No pior cenário, a IA poderia nos matar a todos, suponho — disse Musk.

Após dispensar o júri para uma breve pausa, a juíza instruiu Musk a não voltar ao tema.

— O senhor já fez sua pequena declaração, e tudo bem. Mas está instruído a não abordar mais esses tópicos.

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