Eliana fala de novo programa, da trajetória de 35 anos na TV, revela que terapia sexual ajudou a se soltar e o desejo de ser 'mãe de quatro filhos'

 

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Dona Eva estará ao lado da filha na estreia do programa "Em família com Eliana", que passa a ocupar a grade da TV Globo aos domingos, a partir do dia 15. Aos 86 anos, a mãezona é definida pela apresentadora como seu "amuleto da sorte". Também foi a grande responsável por fazer a comunicadora acreditar em si mesma e ir em busca do sonho de ser tornar uma artista, mesmo diante da resistência de seu pai. Ele não levava muita fé na "seriedade" da profissão e a filha precisou provar dentro da própria casa que podia chegar lá.

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Lá se vão 35 anos dessa trajetória, marco que ela celebra neste 2026, ano em que volta a fazer o que mais sabe: comandar uma plateia de auditório. Mas é com animação de iniciante que Eliana fala sobre o novo projeto, que mistura entrevistas com famílias célebres e anônimas que tiveram suas vidas transformadas pela música competição. Ela também repassa carreira a limpo e revela aspectos de sua vida pessoal, como a vontade de "ser mãe de quatro filhos", e como aprendeu a ligar o dane-se diante da expectativas das pessoas sobre si própria. Leia a entrevista abaixo:

Está tranquila ou com frio na barriga?

Tenho frio na barriga há 35 anos e ele não muda nunca. Ele reflete o respeito ao ofício, e isso eu não quero perder. Uma coisa que me move é fazer sempre o melhor que posso, ser a minha melhor versão.

O que mais está te animando com o programa? Que desafios ele te impõe?

Ao longo de 35 anos de carreira, já fiz muita coisa, de diversas formas. O que acho muito bonito de ver é que a TV me mostrou em várias fases da minha vida como mulher. E, hoje, poder estar aos domingos na Globo, aos 52 anos, ativa, produtiva, cheia de projetos é um símbolo de que a vida continua sendo vivida e a história sendo escrita. São 20 anos ininterruptos aos domingos falando, me comunicando e sendo ouvida. A grande alegria e satisfação é poder mostrar meu DNA como profissional amplificado, falando com público maior, na TV maior do Brasil e segunda maior no mundo.

Você participou da construção do formato do programa?

É um formato original, para todas as idades. Participei de todas as etapas na primeira fase. É um programa de auditório, com quadros que o brasileiro gosta de ver: famílias no centro da narrativa, entrevista com famosos e anônimos, competição musical e o diferencial de mostrar os Brasis dentro do Brasil. Cada família vai trazer não só a sonoridade típica de sua região, mas falar da sua região, dos costumes, da cultura. Através dessas famílias, vamos vão viajar pelo Brasil afora. Eu também vou viajar para encontrar amigos famosos que tiverem suas vidas transformadas pela música.

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E mostrá-los na intimidade...

Isso. Mais do que a celebridade, que todo mundo já conhece, queremos mostrar como a pessoa é como pai, mãe, filha, mostrá-la em seu momento mais simples e familiar, como é a intimidade dela e da família que se formou. Cada lar é um mundo, e isso é muito bonito de a gente compreender e viver junto. O programa vai fazer as pessoas se sentirem representadas por famílias anônimas e famosas, do jeito que elas forem: a família que se escolheu ter, em que nasceu ou decidiu ser. Vamos respeitar todos os tipos de família e retratá-las ao longo do programa.

O formato dialoga um pouco com a sua história, já que canta desde criança e teve infância, tanto no agreste nordestino quanto no Paraná, bastante musical...

Palcos fazem palco da minha vida desde que conheço por gente, me sinto à vontade, é como se fosse uma extensão. Me sinto à vontade com microfone na mão, falando com auditório. A música está na vida de todos nós. É um momento de refletir sobre a vida, nos remete a momentos de infância, adolescência, felizes, tristes, nos conecta com o que já vivemos, com o presente e o que podemos viver. É um veículo de comunicação potente, não é à toa que um cantor consegue se comunicar com milhares de pessoas cantando. Pensando nessa importância da música na vida do ser humano, e no quanto ele remete a sentimentos da vida, quando penso em Luiz Gonzaga, vem minha imagem garotinha passando férias no sertão nordestino ao lado do avós primos, festas na casa da minha avó materna e paterna, minhas tias tocando violão, sanfona. Lembro de estar na rede com meus primos, tios, avós, ao luar, cantando Luiz Gonzaga. Vivi o verdadeiro luar do sertão.

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É um programa que vai me emocionar em muitos aspectos. Claro que a gente vai passar por esse região, trazer o Brasil através do nosso palco com essas músicas. Vai ter diversão e emoção. Quero me emocionar, estou morrendo de saudade de me comunicar com meu público, doida de saudade do meu auditório. Continuo no "Saia Justa", um sofá super potente para tantos assuntos femininos, que me coloca num lugar de estudo e consciência dos momentos que a gente vive, do que precisamos melhorar, do quanto precisamos conquistar, mas me falta o auditório. Sou nativa do auditório, todo mundo que me conhece, conhece com o microfone na mão, animando um auditório.

Eliana

TV Globo / Ju Coutinho

Como enxerga o fato de ser a única mulher num programa dominical de variedades na TV aberta?

Mais uma conquista, algo que precisa ser dito e falado e não pode ser invisibilizado. Não foi fácil construir e ser reconhecida nesse lugar. Quando entrei, 20 anos atrás, os domingos eram dominados por homens, por grandes nomes que estavam na TV há muitos anos: Silvio Santo, Fausto Silva, Gugu Liberato. E entrei fazendo uma transição importante e delicada do público infantil para o adulto, em 2005. E não foi algo que as pessoas acreditavam que poderiam dar certo.

E você não tinha nenhuma referência feminina fazendo aquilo aos domingos, em que podia se inspirar...

Não, o lugar em que eu estava entrando era novo em todos os aspectos. Tive que buscar inspiração nos anos que estabeleci comunicação com as famílias, agora falando com as mães e não só com os filhos, ampliando minha comunicação com mães, pais, avós, era um desafio. Precisei passar por muita terapia, fonoaudiologia para impostar a minha voz, torná-la mais grave. Precisei estudar muito. Antes de ir para a TV, essas transformações precisaram acontecer de dentro para fora. A estreia se deu de forma positiva e assim fui fazendo o caminho do jeito que imaginava ser bom, aparando as arestas no meio do caminho, o que não deixa de acontecer em nenhum momento da carreira. Imagina o que era a TV 20 anos atrás? É preciso renovar, ser adaptar. O desejo de inovar foi o que me fez ir permanecendo na TV por muitos anos, mudando de emissora, tendo transições bem-sucedidas, continuando a ser ouvida, com o público crescendo e amadurecendo junto comigo.

Ficou insegura ao fazer essa transição?

Precisei de muita coragem, e ela veio de uma infância de resiliência. Venho de uma família simples, nada foi fácil. Sempre foi aquele "não desista, segue" desde criança. Uma força interna que me acompanhou longos dos anos e me ajudou a não desistir. Não posso esquecer a base familiar. Minha mãe foi um alicerce muito forte para me apoiar nas decisões e dizer "bora! você pode, você consegue, juntas somos fortes". É minha força motriz, meu amuleto da sorte. Me ensinou a ter fé, é um mulherão. Aos 86 anos, continua forte e potente. Estará no nosso programa de estreia, quero ela sempre comigo.

É verdade que fez terapia sexual para se soltar em cena?

Total. Imagina ficar 16 anos tendo total consciência que eu não podia me expressar como uma adolescente ou como uma jovem de 20 ou 30 anos de idade, como normalmente eu faria como qualquer outra garota faria na época? Me policiava mesmo: roupas, gestos, a maneira como me comunicava. O exemplo que tinha que dar as pessoas.. Sempre me catequisei nesse lugar. Atenta a qualquer sinal. Entendia que se saísse desse lugar não era o ambiente seguro que gostaria de passar para o meu público de crianças. Foi um ativo importante de confiança entre mim e as mães. Não tinha internet. Era um lugar de de distração para as crianças enquanto as mães estavam trabalhando. Queria plantar boas sementes, que as crianças fizessem comentário positivos, tipo: "Aprendi a brincar com sucata", "Eliana me ensinou a respeitar a natureza". Tinha um biólogo que trabalhava comigo e ensinou o Brasil a respeitar animais retratados como maus em filmes.

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Precisou desconstruir tudo isso no próprio corpo...

Com todas essa consciência emocional e corporal, fazer essa transição para uma sala mais aberta, pode passar o batom vermelho e deixar a unha vermelha que antes não usava, mostrar mais o corpo, a sensualidade, ter um molejo, cruzar suas pernas de saia. Era tudo isso que não sabia que podia. Toda vez que a câmera ligava, eu voltava para a garota que já conhecia, que desde os 16 anos falava com o público infantil. Precisei me reinventar nesse lugar. E aí fiquei mais solta, dançava com certa liberdade de uma garota da minha idade, 30 anos. Mas precisei fazer muita terapia com a sexóloga Maria Helena Matarazzo, pioneira na educação sexual no Brasil. Ninguém faz nada sozinha e contei com figuras importantes que me ajudaram a fazer transições sólidas na minha carreira. Tive inteligência emocional de me entender em lugares onde tinha que evoluir, de identificar profissionais competentes e uma pitada de sorte para eles quererem estar ao meu lado.

No "Saia Justa", a gente conheceu uma Eliana ainda mais solta. Em vez de mega reservada e inatingível como era, uma mulher se colocando no jogo, falando abertamente de assuntos pessoais. O que te fez destravar?

A maturidade. Aceitei sentar naquele sofá porque me sentia pronta para me abrir mesmo de forma discreta, porque é assim que me vejo, faz parte da minha personalidade, para me abrir sobre temas que pudessem ampliar as discussões, colocar minhas vivências e trocar. Há todo um trabalho que antecede o momento em que as pessoas ligam a TV para nos assistir ao vivo. Outras conversas já surgiram desde que reúno com equipe para escolher a pauta, as reuniões que antecedem, a principal com todas as "saias", roteiristas, direção. É, realmente, uma grande terapia, um aprendizado muito potente.

O programa te ajudou a entender sua força como mulher?

A educação é transformadora. Estar no "Saia..." foi como voltar à faculdade. Não basta viver, é preciso entrar de cabeça nos temas, entender o que tem de novo, se atualizar. Externar o que o que faz sentido para você, mas também coisas atuais, estar antenada com o que está acontecendo no Brasil e no mundo. Minha mãe já era feminista sem saber que era, a minha avó também. Ser feminista é buscar equidade, igualdade, não tem como viver no país que a gente vive sem ser feminista. Não é ideologia, é questão de direitos, ainda mais quando vemos crescer o número de feminicídios, o etarismo... Ser feminista é lutar pela nossa proteção, exigir politica públicas que nos protejam, é quebrar essa cultura que nos mata. Não é teoria, salva vidas mesmo. E não é ser contra o sexo oposto, é um assunto sobre todos nós.

O "Saia..." me deu mais forca nesse lugar que eu já sentia, vivenciava e sentia necessidade de externar por muitos anos sendo uma mulher à frente de um programa dominical. Fiz campanhas sobre violência domestica com Gabriela Mansur. Se chamava "Eliana por todas elas" e ajudou muitas mulheres, ensinou didaticamente a crianças o que era um abuso e a buscar ajuda. Tenho orgulho de saber que ajudamos mulheres e crianças que estavam passando por isso e tiveram a chance de entender que não estavam sozinhas. Só o fato de podermos falar sobre o tema já é muito potente. E tem muito avanço pela frente. Talvez, eu não esteja viva para ver, mas minhas filhas e netas estarão.

Como a faculdade de Psicologia te ajudou a ter mais consciência sobre processos pessoais e coletivos?

Sonho um dia poder concluir a faculdade. Precisei fazer escolhas, viajava muito. Mas a forma como eu falava os brinquedos que lançava... Eu era muito garota e tinha total consciência da forma como me comunicava, do licenciamento de produtos. Pensava: "Compraria para o meu filho? Gostaria que meu filho visse esse programa?". Sempre me preocupei não só em entreter, mas informar. Era um trabalho com propósito. Fiz viagens pelo mundo, Egito, Espanha, para Galápagos para falar sobre a Teoria da Evolução de Darwin, pelo nosso país mostrando nossas riqueza. Isso sempre esteve no meu DNA. Cultura sempre foi importante para mim.

Ter feito faculdade... Meu pai não acreditava que eu poderia ser uma artista famosa, que eu chegasse lá. Pela educação dele, artista não parecia algo tão profissional. Tive que provar para o meu pai, dentro da minha própria casa que poderia ser uma grande profissional com a escolha que fiz. Para ele, grande profissional tinha que ser doutor, professor. Depois de muitos anos, ele me respeitou e entendeu que poderia dar certo, que eu poderia ter voz, que era a minha vocação. A maternidade me ensinou sobre escuta, prioridade, empatia. Ser empresária me ensinou coragem e decisão. Ser comunicadora me lembra todo dia que nossa voz tem poder.

Olhando para esses 35 anos de trajetória, que balanço pode fazer? Houve mais ganhos do que perdas?

O balanço é tão positivo... Imagina o privilégio de fazer o que amo todos os dias? Acordar sabendo que eu vou para uma empresa que dá asas aos meus sonhos e possibilidades gigantescas de ampliar meu conhecimento, profissionalismo e minha voz? Claro que enquanto, na adolescência, minhas amigas estavam curtindo, viajando e ampliando conhecimentos em outra área, eu estava trabalhando. Mas não via meu trabalho como algo pesado, um fardo, sempre foi prazeroso demais, mesmo com altos e baixos que acontecem em todas as profissões. Talvez, quando falo em inteligência emocional, seja sobre os altos e baixos não me definirem como ser humano e mulher. Nunca levei o personagem para casa. Tenho o pé no chão, e isso vem da minha criança, da família que tive e nunca tirou o pé do chão independentemente da filha ser quem é, do que conquistei ou deixei de conquistar. Quando estou com meus filhos e amigos, não tem personagem, sou eu. E isso, nos momentos difíceis, me dá uma força muito grande.

O momento mais difícil da vida pessoal foi durante a gestação da sua filha Manuela, em 2017, quando teve que parar tudo e passou cinco meses hospitalizada?

Foi dos momentos mais difíceis, sim. Ali percebi que a gente não tem controle de nada, algo sobre o qual já tinha ouvido e lido, mas quando sente na pele é diferente. Quando imaginava que poderia organizar minha vida profissional, como sempre fiz, a vida me mostrou que eu não tinha poder de nada. Gravei meu programa num dia e no outro estava hospitalizada, com sangramento severo podendo perder minha filha qualquer momento. Entrei no hospital com três meses de gestação e só sai quando ela nasceu.

Como se sentiu durante esse período e como isso te transformou?

A vida inteira fui observada. No momento em que fico deitada numa cama no quarto de um hospital, virei a observadora. As pessoas iam e vinham dentro do meu quarto e eu as observava. Reconheci com clareza quem eram os meus amigos, com quem eu podia contar e quem nunca apareceu para me dar um beijo, um carinho num momento em que mais precisava. Foi um momento de lucidez sobre as pessoas que estavam ao meu redor. Foi impactante, emocionante e tambem libertador saber com quem poderia contar.

E do ponto de vista profissional, que momento foi o mais crítico?

Posso citar a perda de alguns programas. Em 1991, tinha acabado de ganhar o "Festolândia", que acabou três meses depois. Ia bem de audiência, mas não tinha reconhecimento comercial. Trabalhando numa TV comercial (SBT), você precisa vender. Era uma época de cortes, e meu programa foi cortado por conta dos números financeiros. Ali, percebi que era muito forte, e que às vezes, precisamos dar três passos para trás até dar um para a frente. Tinha 16 anos e pedi ao Silvio Santos, aos prantos, chorando muito, que não me mandasse embora, queria permanecer no ar. Ele disse: "Você não vai ser demitida, tem um ano de contrato, vou continuar te pagando". E eu: "Não é sobre dinheiro, é sobre trabalho". Pedi uma chance e disse que faria qualquer coisa que não tivesse tanto custo. Ele respondeu que a única coisa que tinha era apresentar desenho, que não ia ter cenário, nada. Comecei a sentar num banquinho apresentando desenhos, me autoentitulei VJ de desenhos e as pessoas começaram a gostar daquela menina divertida, criativa. Não tinha como dançar nem ter bailarinos, então, comecei a brincar com a mão.

Os famosos dedinhos da Eliana...

Foi numa dessas brincadeiras que surgiu a música dos dedinhos, e meu primeiro disco. Veio então, uma discografia de 16 discos, DVDs, discos de platina, viagens para o Grammy Latino.

Do que se arrepende?

Não sei se arrependimento, mas eu queria ter quatro filhos (além de Manuela, de 11, ela tem Arthur, de 14). Mas não dá para abraçar o mundo. Sempre ouvi minha mãe dizer "tudo não terá". Seria uma mãe de quatro filhos fácil, mas a profissão exige muita dedicação e sou uma mãe presente. Claro que poderia, biologicamente colocar mais dois filhos no mundo, tenho condições para isso. Mas sempre quiser ser uma mãe presente e sou, é uma demanda de muita responsabilidade.

Ser mãe de adolescente não é fácil...

Diferentemente do que as pessoas falam sobre adolescência, eu acho tão bonito... Tinha muito apoio da minha mãe, e meu filho tem muito apoio meu, e minha filha também terá. Acho uma fase linda sair da infância, fazer a transição emocional e hormonal. Vejo um rapaz caminhando dentro de casa e falo: "Quem é esse moço?". Ele tem 14 anos e 1m,72cm de altura. Me reconheço nessa etapa da vida, lembro de coisas do meu passado. Criar filhos hoje, com a consciência e maturidade que tenho é criar pelo exemplo mais que pelo discurso. Respeito aos outros, igualdade, empatia responsabilidade... Eles vêem o exemplo do padrasto participando da casa, da criação, a mãe decidindo, tendo voz. Observam o entorno. Tudo isso demanda atenção, é do que eles mais precisam e mesmo quando falam que não precisam.

Aos 52 anos, diante da vida pública, da pressão de estar na frente das câmeras e de equilibrar tudo que uma mulher equilibra, como cuida da sua saúde mental?

Hoje está difícil manter a saúde mental, que deveria ser direito de todos e não um privilégio. Entendo todos os meus privilégios e agradeço todos os dias. Claro que minha autoestima, mesmo com com tudo que tenho, não é constante e linear. O que tento fazer para me ajudar é me comparar só comigo mesma sempre, com quem fui, sou e posso me tornar. É ser carinhosa e generosa comigo. Isso me salva quando penso onde mais posso chegar. Me sinto muito viva, ativa, com muitos capítulos por surgir. O que me acalma é olhar sem ansiedade o que construí. Isso me deixa mais segura com quem me tornei e tem e tem total a ver com minha saúde mental. Na prática, eu respiro, tento dormir bem, faço a terapia com minha professora de faculdade de psicologia.

O que te salva da expectativa dos outros sobre você?

Maturidade e a segurança da minha construção. É o que é, sabe? Sou aquilo que que posso ser, estar satisfeita comigo mesma. Mais do que as pessoas possam esperar, pensar que o que sou está bom pra mim. É o que temos para hoje. Não sou super heroína, não quero ser essa mulher "dou conta de tudo" porque isso detona minha saúde mental. Tem dias que dou e dias que não. Quero voltar a dançar, ago que deixei há dois anos. É algo que me areja a mente, assim como ler.

O que está lendo?

Acabei de ler ler o livro da Mirian Goldenberg: "Liberdade, felicidade e foda-se". Não é um foda-se sendo mal criada com ninguém, é um botão que aperto para mim mesma quando quero me sabotar, me cobrar demais ou me comparar. Falo: "Aperta o botão e segue sua vida". A Mirian foi ao "Saia Justa" e me intitulou a presidenta do clube das velhas sem vergonha. Eu amei.