Eletrônicos mais baratos? Veja impactos do Acordo Mercosul-UE no seu bolso

 

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O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia entrou em vigor, nesta sexta-feira (01), e se tornou a maior resolução comercial já negociado pelo bloco sul-americano. O texto prevê a redução de tarifas de importação sobre produtos industriais, como eletrodomésticos e eletrônicos. O tratado inclui os membros fixos (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), além dos 27 países da União Europeia e pode impactar mais de 700 milhões de consumidores.

Com as mudanças, uma dúvida surgiu entre consumidores: afinal, notebooks, celulares e outros dispositivos vão ficar mais baratos no Brasil? Para esclarecer, o TechTudo entrevistou especialistas do direito tributário e economistas. De antemão afirmamos, o impacto não será imediato. Isso acontece pelo fato que o acordo estabelece a eliminação progressiva de tarifas sobre cerca de 91% dos produtos europeus ao longo de até 15 anos. Confira abaixo tudo o que precisa saber sobre as novas regras.

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Eletrônicos podem custar mais barato por causa do Acordo Mercosul-UE. Veja os detalhes

Reprodução / Internet

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1. Eletrônicos vão ficar mais baratos?

O entusiasmo popular com o acordo é compreensível. Em teoria, menos impostos de importação deveriam resultar em preços mais baixos. No entanto, entre a redução tarifária e o valor final na prateleira, existe uma cadeia complexa que envolve câmbio, logística, margens de distribuição e, principalmente, a carga tributária interna brasileira.

O advogado e pesquisador em Direito Internacional Econômico, Rodrigo Bueno Prestes, explica que a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul para bens industriais gira, em média, entre 10% e 16%. Com o acordo, esses valores serão reduzidos ao longo do tempo, mas o ritmo dessa queda é determinante.

"A redução tarifária cria um ambiente mais favorável à competitividade, mas não necessariamente implica uma queda imediata ou uniforme de preços no varejo" , afirma Rodrigo Bueno Prestes.

Com a aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia na Câmara, consumidores esperam preços menores.

Reprodução/Freepik

Por outro lado, Antônio Censi, diretor de tecnologia da Montreal comenta sobre a indústria nacional e como a relação é prioritária ao mercado asiático e não necessariamente a compra de componentes produzidos na União Europeia.

"A indústria nacional de eletrônicos não adquire insumos da União Europeia. Mesmo que sejam fornecidos por empresas multinacionais sediadas na Europa, a origem dos insumos é principalmente da China e do Sudeste Asiático”, explica o diretor.

2. Quais produtos ficarão mais baratos com o acordo Mercosul-UE?

Se o impacto sobre smartphones e notebooks populares tende a ser limitado no curto prazo, há segmentos em que os efeitos do acordo podem aparecer mais rapidamente. Isso acontece principalmente em setores onde a Europa já é competitiva na comparação com outros continentes.

A indústria eletrônica mundial está concentrada na Ásia, enquanto a Europa lidera em tecnologia industrial. O velho continente segue na frente em produção de máquinas em automação, sensores, equipamentos para indústria, tecnologia agrícola e equipamentos médicos.

Vale destacar que produtos com cadeias logísticas mais estruturadas, como periféricos, equipamentos de rede e notebooks corporativos, podem absorver reduções de custo mais rapidamente. Além disso, o acordo também prevê facilitação comercial e redução de barreiras regulatórias, o que pode diminuir custos operacionais e acelerar importações.

Isso significa que os primeiros impactos devem aparecer em áreas como:

Equipamentos de automação industrial

Tecnologia agrícola

Equipamentos médicos

Infraestrutura de redes e telecomunicações

Notebooks podem ficar mais baratos com o novo acordo Mercosul-UE

Divulgação/ASUS

3. O acordo pode acelerar a chegada de novas tecnologias ao Brasil?

Neste ponto, o consenso entre especialistas é mais otimista. Mais do que preços, o acordo pode impactar o acesso à tecnologia no Brasil. Thiago Iglesias, do hub de inovação da Evertec Brasil, destaca que o principal ganho está na harmonização regulatória entre os blocos, o que reduz burocracia e acelera o tempo de entrada de produtos no mercado.

"Na prática, isso pode facilitar a chegada de tecnologias desenvolvidas por empresas europeias como Siemens, Bosch, Ericsson e Nokia, especialmente em áreas como automação, telecomunicações e infraestrutura digital. Além disso, a convergência entre regulações como o GDPR europeu e a LGPD brasileira tende a favorecer a adoção de soluções mais avançadas em segurança de dados e serviços digitais, comenta

Sede Siemens Berlim

Tainah Tavares / TechTudo

5. Quando o consumidor vai sentir o impacto?

Essa é a pergunta que mais interessa ao leitor e a resposta é direta: não tão cedo. O acordo prevê prazos diferentes para redução de tarifas, que podem variar de quatro a até 15 anos, dependendo do setor. Segundo estimativas, os primeiros efeitos econômicos começam a aparecer entre dois e quatro anos, mas impactos perceptíveis no preço ao consumidor podem levar de cinco a dez anos.

Além disso, o cenário geopolítico atual adiciona incerteza ao cálculo. Tensões no Oriente Médio, guerra tarifária global e o aumento da demanda por componentes ligados à inteligência artificial, que pressiona preços de memória RAM e semicondutores, podem mais do que compensar qualquer ganho vindo da redução tarifária do acordo Mercosul-UE.

Na prática, o consumidor raramente percebe efeitos imediatos. O impacto tende a aparecer de forma gradual, à medida que os contratos comerciais são renovados, as cadeias logísticas se ajustam e as reduções tarifárias entram em vigor."

6. O que esperar do acordo Mercosul-UE?

O acordo Mercosul-União Europeia é um marco histórico e pode, sim, abrir novas oportunidades para o mercado de tecnologia no Brasil. No entanto, a expectativa de uma queda rápida nos preços de eletrônicos não deve se concretizar no curto prazo. O impacto mais imediato tende a ocorrer na indústria e na infraestrutura tecnológica, enquanto o consumidor final deve perceber mudanças apenas de forma gradual, ao longo dos próximos anos.

Para quem pretende comprar eletrônicos, a recomendação permanece a mesma: acompanhar o mercado, observar o câmbio e não esperar grandes reduções de preço no curto prazo. O acordo é um passo importante, mas seus efeitos dependem de uma série de fatores que vão muito além das tarifas de importação.

Apesar das expectativas, o acordo Mercosul-UE não deve reduzir os preços dos eletrônicos rapidamente

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