Eletrificação mundial com energias renováveis deve ser prioridade da década, diz Irena

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As fontes renováveis têm adicionado energia à matriz elétrica, mas não estão substituindo os combustíveis fósseis – uma tendência que deve ser rompida rapidamente. A aceleração da eletrificação, impulsionada por energias renováveis, deve se tornar prioridade para a década. A meta global é chegar à 35% de eletrificação até 2035.

“Uma verdadeira transição energética significa substituir progressivamente os sistemas baseados em combustíveis fósseis e não simplesmente adicionar nova capacidade de geração a um mix energético inalterado”, alerta o novo relatório da Irena, a agência internacional de energias renováveis com sede em Abu Dhabi.

O 2026 World Energy Transition Outlook (Weto) lançado hoje mostra a reforma urgente que deve ser feita no sistema energético global se o que se espera é uma trajetória de emissões de gases-estufa compatível com o limite de 1,5°C de aquecimento da temperatura neste século.

Mesmo com este limite sendo superado em breve, como se espera, é preciso que a ultrapassagem do 1,5°C aconteça por um período curto e sem que as emissões de gases-estufa fiquem fora do controle.

Nas estimativas da Irena, a capacidade global de energia renovável precisa crescer dos atuais 5,2 terawatts (TW) para 38,2 TW até 2050. Além do grande salto, a participação da eletricidade no consumo de energia deve chegar a 35% em 2035 e superar 50% até 2050.

Mais de 80% da eletricidade viria de fontes solares e eólicas até 2050.

O relatório da Irena sugere que a eletrificação a partir de fontes renováveis seja combinada com tecnologias mais eficientes e combustíveis sustentáveis que promovam ganhos com eficiência energética e atendam à demanda crescente por energia.

A meta de se atingir uma eletrificação global de 35% em 2035 também é um dos objetivos da COP31, a conferência climática das Nações Unidas que acontecerá na Turquia, em novembro.

O “2026 Outlook” aponta as falhas atuais no sistema energético. Embora novas usinas de energias renováveis sejam instaladas batendo recordes anuais, as melhorias na rede não acompanham o ritmo e a demanda continua crescendo. Os ganhos em eficiência energética são tímidos.

Os gargalos para a transição energética global são, segundo a agência, a urgência na ampliação das redes de distribuição, o armazenamento e a flexibilidade do sistema, além de ganhos muito mais expressivos em eficiência energética.

Em nota à imprensa, Francesco La Camera, diretor geral da Irena, diz que a transição energética global está sob pressão. “O crescimento recorde das energias renováveis, por si só, não é suficiente: a eficiência energética está aquém do necessário, as redes de distribuição têm dificuldade para acompanhar o ritmo e a demanda global por energia continua a crescer rapidamente.”

Ele segue: “Não podemos concretizar a transição simplesmente adicionando fontes renováveis a um sistema energético que permanece inalterado.” La Camera defende a reforma e construir a infraestrutura necessária para um novo sistema energético. “Um sistema eletrificado, eficiente, flexível e alimentado por fontes renováveis.”

Para o diretor da Irena, a eletrificação, as redes, o armazenamento, a flexibilidade e a eficiência energética não são apenas elementos de apoio laterais à transformação. “São a sua espinha dorsal”, diz. “A questão central é com qual rapidez podemos implantar essas soluções em conjunto e na escala necessária para manter a transição alinhada com a meta de 1,5°C”, continua.

Segundo o relatório de 166 páginas existe também um forte argumento econômico na transição. No cenário projetado de 1,5°C da Irena a economia mundial cresceria 1,1% ao ano a mais do que em um contexto “business as usual”, ou seja, se nada for feito para cortar emissões de gases-estufa.

Isso significaria ganhos por volta de US$ 46 trilhões em 2050, para os países.

Os empregos envolvidos com energias renováveis poderiam crescer cinco vezes no período, saindo do patamar atual em torno de 16 milhões.

Outro ponto levantado pela Irena é que com os mercados emergentes de eletricidade tornando-se mais competitivos, poderia haver uma redução de 15% nos preços da energia para o usuário final até 2050.

A transição global também poderia significar aumento nos investimentos – algo em torno de US$ 10,3 trilhões entre 2026 e 2050, com mais instalações de geração de energia renováveis, redes, flexibilidade e equipamentos que usem energia elétrica. Relatório da Irena sugere que a eletrificação a partir de fontes renováveis seja combinada com tecnologias mais eficientes e combustíveis sustentáveis Acervo Eletrobrás

“A qualidade da transição será tão importante quanto sua velocidade”, diz La Camera. “A acessibilidade financeira, a proteção social e o acesso justo às oportunidades econômicas devem ser incorporados à implementação desde o início para manter a aceitação do público e garantir que os benefícios da transição sejam compartilhados.”

O novo relatório identifica sete prioridades de ação para a próxima década para acelerar a eletrificação. Menciona o planejamento integrado de energia e mercados, planos de ação adaptados a cada país, modernização das redes elétricas, fortalecimento das estratégias industriais e de investimento, promoção de políticas sociais e ambientais para maximizar os benefícios e aprofundar a cooperação internacional.

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