Eles se conheceram num jantar no Douro; Agora trazem suas garrafas elogiadas ao Vinhos de Portugal
Os dois eram jovens enólogos, trabalhavam para vinícolas diversas e se conheceram num jantar no Douro. Deu match. Sandra Tavares vinha de uma família proprietária de uma quinta na região de Lisboa, tinha acabado de cursar agronomia e trabalhava como modelo. A família de Jorge Serôdio produzia vinhos no Douro. Pouco depois de se casarem decidiram criar sua própria marca. Assim nasceu a Wine & Soul, em 2001, que utiliza apenas vinhas velhas e castas tradicionais do Douro.
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Neste ano em que a vinícola completa 25 anos, os dois estarão juntos pela primeira vez dividindo uma mesa em São Paulo, na 13a edição dos Vinhos de Portugal, que começa hoje no Shopping JK Iguatemi. Sandra e Jorge, que foram eleitos enólogos de 2025 pela "Revista de Vinhos", participam da prova “A Arte de Criar Vinhos a Dois" com o casal de especialistas Jorge Lucki, crítico do Valor, e Bianca Veratti, na sexta, dia 29, das 19h às 20h.
— Quando começamos, não tínhamos nem terras nem adega, só sonhos — conta Sandra. Apesar de jovens, ambos já tinham na bagagem a experiência de trabalhar em vinícolas prestigiadas do Douro. Ela na Quinta Vale Dona Maria e ele na Niepoort. — Tivemos a sorte de ter dois mentores incríveis. E nossa ideia inicial era criar apenas um vinho.
Não foi isso que aconteceu. A Wine & Soul começou pequena e cresceu de forma orgânica comprando vinhas velhas, algumas com mais de 90 anos e com mais de 40 castas misturadas.
— O Douro tem essa diversidade incrível, além de ser para mim, a região vinícola mais bonita que conheço. Mas tivemos a sorte de começar quando a região estava agitada pelo movimento de uma geração que decidiu apostar nos vinhos de mesa quando se fazia basicamente vinhos do Porto.
Sandra Tavares, da Wine & Soul, vinícola localizada no Douro, estará em São Paulo
Divulgação
Nos primeiros anos em que se dedicou ao vinho, Sandra ainda trabalhava como modelo e tinha uma agenda concorrida. Mas largou o mundo do glamour e da moda pela paixão pela Wine & Soul. Anteriormente ela havia jogado vôlei pela seleção portuguesa.
— Sempre fui uma criança muito tímida, que gostava muito de mexer na terra, não falava com quase ninguém e era muito introvertida. Todas essas atividades me ajudaram a ultrapassar a timidez. Acho que foi bom enfrentar uma passarela e fotografias, enquanto todo o mundo olhava para mim.
Tudo isso, Sandra e Jorge vão contar com desenvoltura numa conversa regada a bons vinhos, que além do prazer agrega conhecimento. Essa proposta de trazer vinhos especiais foi justamente o que norteou as escolhas de Jorge Lucki, que comanda várias provas nesta edição do evento, a exemplo de anos anteriores.
— Uma das orientações que pedi para os produtores é que para as minhas provas sempre mandassem alguns vinhos que não estão disponíveis no mercado. Quero que o público possa experimentar algo novo e que não seja apenas uma repetição daquilo que ele já tomou — diz Lucki. — Neste ano teremos vinhos que nem eu nem o Dirceu (Dirceu Vianna Junior) tomamos, que serão novidades pra nós e faremos essa experiência junto ao público. Isso é legal.
Entre os grandes vinhos que estarão nesta edição há o Pêra-Manca, em São Paulo, e o Barca Velha, no Rio. O Pêra-Manca, do Alentejo, produzido pela Cartuxa, chega aqui pela Adega Alentejana e tem preço de R$ 5,1 mil, já o Barca Velha, da Casa Ferreirinha, no Douro, é importado pela Zahil e custa na faixa de R$ 10 mil.
— Não quis colocar esses dois ícones na mesma cidade " diz Lucki, que também destaca o Tapada do Chaves, branco como um dos seus vinhos preferidos de Portugal (Adega Alentejana R$ 425).
Jorge Lucki, crítico de vinhos e colunista do Valor
Ana Branco
O evento se inicia num momento especialmente promissor. É que na contramão do mercado global que tem registrado queda na venda de vinhos, o Brasil teve alta de consumo. Dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) indicam que em 2025 o brasileiro consumiu 440 milhões de litros, uma alta de 41,9% comparada ao ano anterior, enquanto o consumo mundial caiu 2,7% no mesmo período. Importante frisar que esses dados incluem vinhos nacionais e não apenas importados.
— Isso é particularmente instigante, porque entre os vinhos importados, os de categoria premium, super premium ou luxury, que são os mais caros, Portugal cresceu 20%, enquanto países como Chile e Argentina experimentaram quedas — diz Carlos Abar, diretor da CRA Business, consultoria e informação estratégica, que monitora as Américas.
Nesta temporada paulistana, o Vinhos de Portugal vai trazer cerca de 700 rótulos de 77 produtores, que devem apresentar safras novas nos diversos horários do salão de degustação, onde aqueles que fazem os vinhos e o público se encontram e conversam num clima informal. Além disso, há várias atividades gratuitas para quem estiver passeando à toa pelo shopping: informações de enoturismo, conversas em volta de um copo de vinho, wine-bar e comidinhas.
O Vinhos de Portugal 2026 é uma realização dos jornais O GLOBO, Valor Econômico e Público, em parceria com a ViniPortugal, com a participação do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto; apoio do Turismo de Portugal, das Comissões do Vinhos de Lisboa, Dão, Alentejo, Vinhos Verdes, Agências Regionais de Promoção Turística Centro de Portugal, do Porto e Norte e do Alentejo– Cofinanciados pela União Europeia através do Programa COMPETE 2030, Quinta do Paral, queijos Président e Granfino, água oficial Águas Prata, cia. aérea oficial TAP Air Portugal, local oficial Shopping JK Iguatemi (SP), Jockey Club Brasileiro (RJ), loja oficial Woods Wine, assessoria de imprensa InPress Porter Novelli, promoção Clube O Globo, rádio oficial CBN e curadoria Out of Paper.
PROVAS EM DESTAQUE
29 de Maio, sexta-feira
14:30: "As cores e os sabores dos Vinhos Verdes”, com o crítico português Manuel Carvalho
16h: "Alentejo, entre clássicos e modernos" com Jorge Lucki e Luís Lopes
20:30: "Entre a Tradição e inovação", com os enólogos Carlos Agrellos e Manuel Lobo, mediada por Dirceu Vianna Junior
