Eleitores que não votaram no 1º turno resgatam ânimo e superam problemas de saúde para comparecer às urnas

Eleitores que não votaram no 1º turno resgatam ânimo e superam problemas de saúde para comparecer às urnas - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Com a disputa acirrada no segundo turno, muito eleitores superaram problemas de saúde ou resgataram motivação para votar após faltarem no primeiro. Essas pessoas mudaram de ideia ao longo da campanha nas últimas semanas, motivadas pelos debates e notícias recentes e fizeram questão de exercer sua cidadania.

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​A aposentada Valdicéia Persília Valença, de 76 anos, enfrentou dores intensas para conseguir votar na Escola Oga Mitá, na Rua Conde de Bonfim, 1305, na Tijuca (7ª Zona Eleitoral do Rio de Janeiro). No primeiro turno, ela não teve condições de deixar o local onde mora devido a problemas no joelho.

— Eu estava com o joelho muito inchado e doendo. O joelho estava latejando e eu não tinha como vir porque não tinha condução.

Como hoje deu uma melhorada, eu vim com o maior sacrifício, mas vim. Queria votar, dar o meu voto, porque sou cidadã e precisava exercer esse direito — relatou Valdicéia, que no segundo turno ganhou uma carona do genro Jean para o colégio eleitoral.

​No caso de Tiana Osny, de 74 anos, a ausência na primeira etapa também esteve diretamente ligada a limitações físicas. Ela relatou que, no primeiro turno, ainda se recuperava de um acidente de trânsito ocorrido em um ônibus da Viação Tijuquinha, quando o motorista fechou a porta enquanto ela desembarcava.

Aposentada Tiana Osny, de 74 anos, e o neto Thiago Ribeiro, de 27 Patrick Chaia

— Eu estava impossibilitada de vir. Foi um acidente de ônibus que ainda preciso resolver na Justiça.

Mas hoje estou aqui pelo meu neto e pelos meus bisnetos, venho por eles — explicou Tiana, que chegou à zona eleitoral na companhia do neto Tiago Ribeiro, de 27 anos. ​Janete Ferreira, de 80 anos, recuperou o ânimo na reta final da disputa eleitoral.

O filho, Marcus Vinícius, de 47 anos, conta que no primeiro turno a mãe resolveu pendências pessoais e não se sentia animada para participar do pleito. No entanto, a visão mudou após acompanhar os desdobramentos da campanha.

— Ela não estava muito motivada no primeiro turno e acabou resolvendo alguns problemas no domingo da votação. Mas, depois dos debates e de todas as notícias que saíram, ela se sentiu mais animada — explica Marcus, que a levou ao colégio Ogá Mitá, na Usina.

Julia Luciana, de 79 anos Patrick Chaia

Julia Luciana, de 79 anos, mora no bairro de Triagem e também não veio no primeiro turno, mas comparece no segundo. A aposentada conta que não teve problemas de mobilidade, nem faltou por conta do desânimo, mas por outro problema.

O marido, Cirilho, de 82 anos, teve um AVC há pouco tempo e precisa de cuidados. Neste domingo, ela conseguiu deixá-lo sozinho por um breve momento, apenas para votar.

— Ele ficou em casa sozinho, mas eu já volto. Quis votar porque é o certo a se fazer — concluiu.

Em Belford Roxo, o movimento era tranquilo no meio da manhã no Colégio Estadual Presidente Kennedy. O local reúne 29 seções eleitorais.

Moradora do entorno, Alessandra Costa, de 46 anos, não compareceu no primeiro turno porque passou mal e ficou de cama. Neste domingo, foi à urna, chegou de ônibus sem pagar passagem e votou rapidamente.

— Foi tudo fácil. Não tive problema para votar — contou.

Alessandra Costa faltou no primeiro turno e votou no segundo turno em Belford Roxo Marcos Furtado

Alessandra votou em branco. Para ela, a disputa está dividida, mas o eleitorado já sabe o que quer.

A sua decisão também reflete o desânimo com a política. — Os políticos só pensam em si, em dinheiro para eles.

Não priorizam a população. Então a gente fica desacreditada — disse ela, que só saiu de casa por causa da obrigatoriedade.

— Senão não teria vindo. No ExpoRio, um dos principais locais de votação do Centro do Rio, a copeira hospitalar Cláudia Siqueira, de 60 anos, compareceu no segundo turno.

Ela, no entanto, não conseguiu votar no primeiro por ter chegado atrasada. — Eu morava aqui, agora estou morando em Irajá.

Vim do hospital, mas não deu tempo, cheguei três minutos atrasada e não pude entrar — conta. A copeira hospitalar Cláudia Siqueira, de 60 anos

Carolina Torres Na fila desde antes das 8h, ela contou que faz questão de exercer o direito ao voto.

Indecisa sobre o segundo turno, foi o debate da TV Globo que a ajudou a definir seu candidato para presidente. — Eu sempre votei no Lula, mas tive mais certeza depois do que ouvi.

Acho que ele está bem coerente — diz. Faltei no primeiro turno.

E agora? Quem faltou ao primeiro turno, como Alessandra, pode votar normalmente no segundo, desde que o título não esteja cancelado nem suspenso, já que cada etapa é considerado uma eleição independente, segundo o TRE-RJ.

A ausência de 4 de outubro, porém, precisa ser justificada até 3 de dezembro, pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento da Justiça Eleitoral ou com formulário em qualquer zona eleitoral. Para quem deixar de votar hoje, o prazo vai até 8 de janeiro de 2027, e a multa pode chegar a R$ 3,51 por turno, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral.

A gratuidade nos transportes usada por Alessandra vale para ônibus municipais e intermunicipais, trens, metrô, barcas, BRT e VLT, das 6h30 às 19h20

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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