Eleito senador por SP, André do Prado superou desconfiança de bolsonaristas e herdou prestígio de Tarcísio no estado

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A eleição de André do Prado (PL) como senador por São Paulo neste domingo (4), é também uma vitória de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foi com o mote “braço-direito do Tarcísio” que o presidente da Assembleia Legislativa (Alesp) foi eleito com 11,4 milhões de votos. Durante a campanha, Prado enfrentou, de um lado, a desconfiança de bolsonarista e, de outro, duas candidatas da esquerda muito mais conhecidas do que ele, as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). Natural de Guararema, município da Grande São Paulo, e formado em Análise de Sistemas, Prado fez carreira no PL, e foi eleito vereador, seu primeiro cargo público, em 1992. Em 2000, foi eleito vice-prefeito e, em 2004, prefeito. A partir de 2010, foi eleito deputado estadual por quatro mandados seguidos. Em 2023, foi chegou à presidência da Alesp, com o apoio de Tarcísio, cargo para o qual foi reeleito em 2025 e ocupa até hoje. Alçar Prado como candidato ao Senado não estava nos planos do PL. Não só ele não tinha experiência em Brasília como o partido tinha acordado lançar as candidaturas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e Guilherme Derrite (PP). A saída do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) do Brasil (ele passou a para viver nos Estados Unidos) bagunçou esse acerto e abriu novo caminho de disputa na direita.

Por meses, houve articulações e conversas para definir quem receberia o aval da família Bolsonaro para concorrer ao cargo. Os deputados federais Mário Frias (PL-SP) e Ricardo Salles (Novo) eram alguns dos cotados. Mas Tarcísio apostou em André do Prado, a quem credita boa parte de sua articulação política no legislativo estadual. Prado também tinha ao seu lado o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Foram necessárias muitas articulações de Tarcísio nos bastidores e duas viagens de Prado e Valdemar aos Estados Unidos para convencer Eduardo, mas a aliança enfim foi selada no início de maio: o filho de Jair Bolsonaro anunciou, em um vídeo publicado no Instagram, que André do Prado o representaria como candidato ao Senado. Eduardo até tentou, posteriormente, ser o primeiro suplente de Prado, mas uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o declarou inelegível e frustrou esses planos.

Apesar do martelo batido, Prado nunca foi um consenso na direita: recebeu críticas nas redes sociais bolsonaristas e virou o principal alvo de Salles — que decidiu concorrer mesmo sem o apoio formal de Tarcísio e Flávio Bolsonaro (PL) — que o acusou, por diversas vezes, de fazer parte do “Centrão” e de ter se aliado a candidatos petistas, como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), no passado.

O candidato do PL usou e abusou de sua aliança com Tarcísio em sua campanha, mas a estratégia inicial de explorar sua trajetória política na centro-direita e apresentar projetos mais voltados aos municípios teve de ser adaptada após uma estagnação nas pesquisas de intenção de voto. Foi uma estratégia dividida.

De um lado, Prado se viu forçado a explorar mais a aliança com Flávio, a ser mais incisivo na defesa de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a pregar mais a defesa da família, de valores cristãos, para mirar o eleitor de Salles e evitar uma fragmentação do voto da direita, o que abriria espaço para as adversárias da chapa rival.

De outro, o deputado estadual viu em Simone Tebet (PSB) uma ameaça, já que ela poderia conquistar o eleitor de centro que não se identifica com o bolsonarismo, principalmente moradores do interior mais conservadores, empresários e representantes do agronegócio. Prado, então, passou a mirar seus ataques na candidata dizendo que era ele quem defenderia os interesses desses segmentos.

A exposição na TV e no rádio a partir do fim de agosto o ajudaram a subir nas pesquisas, mas foi Tarcísio o principal avalizador de sua vitória. Na reta final da campanha, Tarcísio passou a reforçar que seus dois candidatos eram Derrite e Prado, de olho em conquistar o eleitor de Salles, alertando que dividir o segundo voto poderia levar à vitória do campo adversário.

Mas na última semana da campanha, na segunda-feira (28), Tarcísio conseguiu neutralizar essa ameaça ao convencer Salles de desistir da disputa. O candidato do Novo anunciou a desistência e o apoio à chapa completa, incluindo Prado, ainda que tivesse passado os últimos meses atacando o representante do PL. Sem a divisão de votos, Tarcísio conseguiu eleger sua chapa para o Senado, ampliando a bancada bolsonarista na Casa, estratégia considerada fundamental para pressionar por processos de impeachment contra ministros do STF.

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