Eleições nos EUA têm vitórias históricas de mulheres, negros, LGBTQIA+ e indígenas

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Fonte da notícia: Correio Braziliense Correio Braziliense

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3/11), levaram candidatos de grupos historicamente sub-representados a cargos inéditos na política norte-americana. Entre os resultados confirmados por projeções da imprensa estão a vitória da primeira mulher negra eleita governadora de um estado do país, a chegada do primeiro homem assumidamente gay ao Senado e a eleição da primeira mulher indígena para comandar um governo estadual.A renovação de cadeiras no Congresso e a escolha de novos governadores também abriram espaço para representantes latinos, muçulmanos e integrantes de uma geração mais jovem de políticos.

As conquistas ocorreram em estados tradicionalmente associados tanto ao Partido Democrata quanto ao Republicano, refletindo mudanças na composição das instituições norte-americanas.Leia também: Democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara e impõem derrota histórica a TrumpOs resultados foram anunciados ao longo da noite de terça-feira e da madrugada desta quarta (4/11).

Embora algumas disputas ainda dependam da conclusão da contagem oficial dos votos, os principais veículos de imprensa dos Estados Unidos já confirmaram as vitórias dos candidatos que protagonizaram esses marcos.Mulheres conquistam espaço nos governos estaduaisNa Geórgia, a democrata Keisha Lance Bottoms derrotou o republicano Rick Jackson, apoiado pelo presidente Donald Trump, e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora de um estado norte-americano.

Ela também será a primeira mulher e a primeira pessoa negra a ocupar o comando do Executivo estadual da Geórgia.Aos 56 anos, Bottoms chega ao governo depois de ter administrado Atlanta entre 2018 e 2022. Sua trajetória também inclui uma passagem pelo governo de Joe Biden, que chegou a considerá-la para a candidatura à vice-presidência em 2020.Leia também: Economia e democracia foram os temas mais importantes para americanos nas eleições, indica pesquisaDurante a campanha estadual, a democrata concentrou suas propostas na ampliação do Medicaid, programa público de assistência à saúde, no alívio tributário para proprietários de imóveis e no aumento dos recursos destinados à educação.

Sua vitória encerra mais de duas décadas de controle republicano sobre o governo da Geórgia.Outra mudança ocorreu no Texas, onde a deputada estadual Gina Hinojosa, de 52 anos, venceu o governador republicano, que estava no cargo havia quase 12 anos. Advogada e integrante do Partido Democrata, ela será a primeira mulher latina a governar o estado e a terceira mulher a ocupar o posto.

A governadora eleita Gina Hinojosa discursa em Austin, no Texas(foto: Ronaldo Schemidt/ AFP)O resultado também representa o retorno dos democratas ao governo texano pela primeira vez desde a eleição de Ann Richards, em 1990. Ao longo da disputa, Hinojosa e Abbott apresentaram posições divergentes sobre assuntos como o aborto.

A candidata democrata também direcionou sua campanha às dificuldades econômicas enfrentadas pela população e aos efeitos da expansão de centros de processamento de dados no estado.No Novo México, Deb Haaland alcançou outro marco ao se tornar a primeira mulher indígena eleita governadora nos Estados Unidos.

Integrante do povo Laguna Pueblo, a democrata já havia ocupado posições inéditas na política nacional antes de vencer a disputa estadual.Em 2018, Haaland foi uma das duas primeiras mulheres indígenas eleitas para o Congresso norte-americano, representando o 1º Distrito do Novo México.

Posteriormente, durante o governo Biden, tornou-se a primeira pessoa indígena a integrar o primeiro escalão do Executivo federal, à frente do Departamento do Interior, entre 2021 e 2025. A governadora eleita Deb Haaland, do Novo México, a primeira mulher indígena a assumir o comando de um estado norte-americano(foto: Reprodução/Instagram)Sua trajetória política também inclui a presidência do Partido Democrata no Novo México, exercida entre 2015 e 2017, período em que se tornou a primeira mulher indígena a comandar a legenda no estado.A médica Amy Acton, por sua vez, conquistou o governo de Ohio ao derrotar o republicano Vivek Ramaswamy, em uma das disputas que receberam atenção nacional.

Ela será a primeira mulher eleita para administrar o estado e a primeira democrata a vencer uma eleição para o cargo desde 2006.Entre as prioridades apresentadas por Acton estão a redução dos impostos sobre propriedades para famílias de classe média e pessoas idosas. A democrata também defendeu a suspensão temporária da instalação de novos centros de dados, a menos que as empresas responsáveis assumam os custos adicionais de energia elétrica.

A governadora eleita de Ohio, a democrata Amy Acton, cumprimenta uma multidão de apoiadores após o anúncio de sua vitória(foto: Jeff Swensen/Getty Images North America/Getty Images via AFP)Na Califórnia, a vitória de Xavier Becerra sobre o republicano Steve Hilton garantiu a eleição do primeiro governador latino escolhido pelo voto popular no estado.O democrata sucederá Gavin Newsom depois de uma carreira que inclui mandatos na Câmara dos Representantes, o cargo de procurador-geral da Califórnia e a chefia do Departamento de Saúde e Serviços Humanos durante a administração Biden.

O governador eleito da Califórnia, Xavier Becerra, discursa em evento na noite de eleição(foto: Benjamin Fanjoy/Getty Images North America/Getty Images via AFP)Ao longo da campanha, Becerra procurou associar Hilton ao governo Trump e apresentou sua candidatura como uma alternativa à agenda defendida pela Casa Branca.Republicanos também registram vitória inéditaNa Flórida, o deputado republicano Byron Donalds conquistou o governo estadual e se tornou o primeiro homem negro eleito para o cargo.

Apoiado por Donald Trump desde o início da disputa, ele sucederá Ron DeSantis, impedido de concorrer a outro mandato consecutivo. O republicano Byron Donalds, governador eleito da Flórida e primeiro homem negro a conquistar o posto no estado(foto: Andrew Hamik/Getty Images North America/Getty Images via AFP)Donalds derrotou David Jolly, ex-congressista republicano que migrou para o Partido Democrata.

Sua campanha reuniu propostas de mudanças tributárias, regulamentação de centros de dados e apoio às políticas do presidente norte-americano.A vitória também fez de Donalds o primeiro republicano negro eleito governador na história dos Estados Unidos.Os resultados ampliam a presença de governadores negros no país.

Além de Bottoms e Donalds, os democratas David Crowley e Aaron Ford venceram, respectivamente, as disputas em Wisconsin e Nevada. Em Maryland, Wes Moore conquistou a reeleição.Novos representantes chegam ao SenadoO democrata Chris Pappas conquistou uma cadeira no Senado por New Hampshire e se tornou o primeiro homem assumidamente gay eleito para a Casa.

A vitória também permitiu ao Partido Democrata preservar uma vaga que os republicanos consideravam uma oportunidade importante de ampliar sua representação. O senador democrata eleito por New Hampshire, Chris Pappas, comemora com seu marido, Vann Bentley, ao proferir seu discurso de vitória(foto: Joseph Prezioso/Getty Images North America/Getty Images via AFP)Antes de disputar o Senado, Pappas havia cumprido quatro mandatos na Câmara dos Representantes, representando o sudeste de New Hampshire.

Na eleição deste ano, superou o republicano John Sununu.Na Carolina do Sul, Annie Andrews também alcançou um resultado inédito ao se tornar a primeira mulher eleita para representar o estado no Senado norte-americano.Na Carolina do Sul, a candidata democrata Annie Andrews alcançou um resultado inédito ao ser eleita a primeira mulher a representar o estado no Senado norte-americano.A médica derrotou a republicana Darline Graham, que havia sido nomeada para assumir temporariamente a vaga após a morte de seu irmão, o senador Lindsey Graham, ocorrida em julho.

Com apoio de Donald Trump, a indicação de Darline gerou controvérsia local, abrindo espaço para a vitória de Andrews em um estado com histórico amplamente favorável aos republicanos. Annie Andrews alcançou um resultado inédito ao ser eleita a primeira mulher a representar o estado no Senado norte-americano(foto: Win Mcnamee/Getty Images North America/Getty Images via AFP)A eleição também marcou a chegada do primeiro senador muçulmano da história dos Estados Unidos.

Abdul El-Sayed, integrante da ala progressista do Partido Democrata, venceu a disputa em Michigan contra o republicano Mike Rogers.Ex-integrante da administração pública na área de saúde, El-Sayed enfrentou questionamentos sobre sua religião ao longo da campanha. Sua vitória ampliou a diversidade religiosa na composição do Senado.

Abdul El-Sayed celebra a vitória no Michigan, tornando-se o primeiro senador muçulmano eleito na história dos Estados Unidos(foto: Jeff Kowalsky/AFP)Outra conquista inédita ocorreu em Minnesota, com a eleição de Peggy Flanagan, que se tornará a primeira mulher indígena a integrar a Casa.

Até então vice-governadora do estado, a democrata pertence ao povo Ojibwe, da nação White Earth, e recebeu apoio de lideranças progressistas, entre elas os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren.Câmara terá representantes de novos gruposA renovação da Câmara dos Representantes também abriu espaço para candidaturas que romperam barreiras de representação em diferentes estados.No Colorado, a advogada Melat Kiros, de 29 anos, venceu a disputa pelo 1º Distrito Congressional e se tornou a primeira mulher negra eleita para representar o estado no Congresso.

A democrata Melat Kiros torna-se a primeira mulher negra a representar o estado no Congresso(foto: Reprodução/Instagram)Identificada com o socialismo democrático, Kiros também passa a integrar o grupo de parlamentares da Geração Z. Sua idade a coloca entre os integrantes mais jovens da Câmara dos Representantes.Em Nova Jersey, Adam Hamawy conquistou uma vaga pelo 12º Distrito Congressional, tornando-se o primeiro muçulmano eleito para representar o estado no Congresso.Hamawy é cirurgião aposentado do Exército dos Estados Unidos e integra a ala progressista do Partido Democrata.

Durante a campanha, defendeu a criação de um sistema público universal de saúde, conhecido como Medicare for All, além de propostas para cancelar dívidas médicas e estudantis.Nova York também terá uma representante indígena pela primeira vez. Claire Valdez, deputada estadual em primeiro mandato, venceu a eleição para o 7º Distrito Congressional e será a primeira mulher indígena eleita para a Câmara dos Representantes pelo estado.

Claire Valdez comemora a vitória nas urnas em Nova York, tornando-se a primeira mulher indígena eleita para a Câmara dos Representantes pelo estado(foto: Reprodução/Instagram)Integrante da ala progressista democrata, Valdez recebeu apoio do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, cuja trajetória política ajudou a ampliar a projeção de candidaturas associadas ao mesmo campo partidário.Os resultados de terça-feira consolidam uma série de mudanças na composição dos governos estaduais e do Congresso norte-americano.

Com a chegada de representantes que até então não haviam ocupado determinadas posições, as eleições de 2026 estabeleceram novos marcos para a participação de mulheres, negros, indígenas, latinos e integrantes da comunidade LGBTQ+ na política dos Estados Unidos. Saiba Mais Mundo Líderes reagem à derrota de Trump nas eleições de meio de mandato Mundo Revista ‘Time’ retrata Trump silenciado após derrota eleitoral histórica Mundo Senador eleito nos EUA brinca com significado de seu sobrenome no Brasil: 'Não vou roubar sua garota'

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