A transparência administrativa, a sustentabilidade financeira e o profissionalismo estão entre as principais bandeiras defendidas por Gilmar Nascimento, integrante de uma chapa de oposição na eleição do Clube do Remo. Com experiência em diferentes setores políticos e administrativos da instituição, o candidato pretende levar aos associados uma proposta de mudança na condução do Leão, com ênfase na prestação de contas, no cumprimento das obrigações estatutárias e na organização dos recursos destinados às atividades esportivas.
Em entrevista ao jornal O Liberal, Gilmar afirmou que a formação da chapa para a eleição no dia 8 de novembro, surgiu da necessidade de apresentar uma alternativa ao modelo de gestão que, segundo ele, permanece há mais de uma década no comando dos principais órgãos políticos do clube.
Para o candidato, a ausência de avanços em áreas como governança e transparência compromete a sustentabilidade institucional e precisa ser enfrentada “Nossa chapa nasceu quando percebemos que há mais de dez anos os mesmos grupos estão no poder do Conselho Deliberativo e da Diretoria do Remo, sem conseguir implementar políticas efetivas de governança, transparência e prestação de contas.
Quando vemos que essas questões não avançam e que isso compromete a sustentabilidade do clube, entendemos que era o momento de apresentar uma alternativa aos associados”, declarou. [[(com.atex.plugins.image-gallery.MainElement) GILMAR NASCIMENTO | CANDIDATO A PRESIDÊNCIA DO REMO]]
Gilmar explicou que a composição da chapa reúne pessoas com histórico de participação na vida política e administrativa do Remo. Entre os nomes citados por ele estão Ricardo Ribeiro e Adalberto Rocha, apresentados como integrantes de um grupo que pretende contribuir para uma nova etapa institucional do clube.
Segundo o candidato, ele quer estabelecer mecanismos de controle e organização que alcancem diferentes áreas da instituição, incluindo os aspectos financeiro, jurídico e tributário. O objetivo seria criar condições para que o Remo mantenha o desenvolvimento do futebol profissional sem deixar de lado as demais modalidades e atividades que fazem parte da estrutura azulina.
Passagem pela diretoria jurídica A relação de Gilmar Nascimento com o Remo começou na sede náutica, onde atuou como diretor jurídico.
Posteriormente, recebeu o convite para integrar a gestão do então presidente Manoel Ribeiro. Foi durante esse período que assumiu, em 2017 e 2018, um dos desafios que considera mais importantes de sua participação na instituição, na diretoria jurídica.
Segundo ele, a experiência ocorreu em um cenário de dificuldades financeiras e de uma série de pendências judiciais e tributárias que exigiam atuação constante para preservar o patrimônio azulino. “Considero a diretoria jurídica, em 2017 e 2018, o maior desafio da minha trajetória no Remo.
Foi um período em que precisei me dedicar intensamente ao clube, diante de dificuldades financeiras, penhoras sobre o patrimônio e problemas tributários, cíveis e trabalhistas. Foi um momento de muito comprometimento, em que trabalhamos para enfrentar essas questões e manter a instituição de pé”, relembrou.
Além da atuação na diretoria, Gilmar também presidiu a Comissão de Assuntos Legislativos do Conselho Deliberativo e cumpriu dois mandatos no órgão. A experiência, segundo ele, ampliou o conhecimento sobre o estatuto azulino e sobre os mecanismos que orientam as decisões internas do clube.
A passagem pela diretoria jurídica é apontada por Gilmar como uma das principais credenciais para disputar a eleição. Ele avalia que o conhecimento dos problemas administrativos e das normas internas pode contribuir para a implantação de uma gestão mais organizada.
Transparência e sustentabilidade Gilmar colocou a transparência como o primeiro compromisso.
Na avaliação dele, um clube da dimensão do Remo precisa oferecer informações claras aos associados sobre suas receitas, despesas e decisões administrativas. “Não conseguimos admitir que um clube com a grandeza do Remo e uma torcida tão imensa não tenha uma conta própria, com informações acessíveis e uma prestação de contas transparente.
Essa é uma questão fundamental, tanto para a relação com a torcida quanto para o respeito ao associado”, afirmou. Para o candidato, o crescimento esportivo precisa estar acompanhado de planejamento financeiro e de uma estrutura administrativa capaz de manter os compromissos do clube.
Ele recordou que, durante sua passagem pela diretoria jurídica, já acreditava que o Remo poderia alcançar a Série A e afirmou manter a mesma perspectiva de desenvolvimento para os próximos anos. O terceiro eixo é o profissionalismo, com a intenção de estabelecer procedimentos mais claros para a administração e para a distribuição dos recursos.
Gilmar ressaltou que o futebol profissional representa uma das principais responsabilidades de uma presidência, mas ponderou que a instituição não pode concentrar toda a atenção apenas na equipe principal. “Qual é a maior missão de um presidente de um clube de massa como o Remo? É o futebol profissional.
Mas não podemos deixar de lado as outras áreas que fazem parte da instituição, como os esportes olímpicos e a sede náutica”, destacou. Gilmar chamou atenção para a situação das modalidades olímpicas e citou o desempenho da equipe de remo nas regatas.
Segundo ele, o clube não conquista uma regata desde 2018. Gilmar também defendeu o acompanhamento dos recursos que, conforme as regras estatutárias, devem ser destinados a determinadas modalidades esportivas.
Mapeamento nos primeiros 100 dias Caso a chapa seja eleita, Gilmar prevê que os primeiros 100 dias sejam dedicados a um levantamento da situação administrativa e financeira do Remo.
A proposta é conhecer detalhadamente o funcionamento de cada setor, identificar problemas e verificar se os recursos estão sendo aplicados conforme as determinações do estatuto. “Nos primeiros 100 dias, precisamos fazer esse mapeamento e conhecer de fato como o clube funciona.
Não podemos deixar de olhar para os outros esportes nem de verificar por que determinados percentuais previstos no estatuto não foram destinados às modalidades correspondentes. É preciso ter clareza sobre essas questões para saber o que precisa ser corrigido”, explicou.
O candidato reconheceu, ainda, que o clube já estará envolvido em competições durante esse período. Por isso, defende que a reorganização administrativa seja conduzida sem ignorar as necessidades esportivas imediatas.
Apesar das críticas à condução atual, Gilmar afirmou que não pretende transformar a campanha em um movimento de perseguição a adversários. A intenção, segundo ele, é apresentar alternativas e reunir colaboradores dispostos a contribuir para uma mudança na administração azulina.
“Não estou aqui para criticar ou perseguir ninguém. Quero apresentar alternativas, com muito trabalho e a participação de todos os integrantes da chapa e dos colaboradores, para construir um Remo diferente”, declarou.
O candidato também convidou os associados e torcedores a conhecerem as propostas do grupo. A expectativa é que a discussão eleitoral coloque em pauta não apenas os resultados do futebol, mas também os mecanismos de gestão e planejamento que podem influenciar os próximos anos do Remo.
O Liberal