Eleições no Peru: ultradireitista pede anulação enquanto candidato de esquerda se encaminha para segundo turno
Enquanto a apuração da eleição presidencial segue para seu quinto dia no Peru após enfrentar problemas logísticos no último domingo, pelo menos dois candidatos seguem disputando uma vaga no segundo turno, que será realizado em junho, contra Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori — condenado por violações de direitos humanos —, que lidera a contagem preliminar com 17,06% dos votos. Participam da disputa acirrada pelo segundo lugar o candidato de esquerda Roberto Sánchez e o candidato de ultradireita Rafael López Aliaga, com 11,97% e 11,93% de votos respectivamente, com 93% das urnas apuradas. Após ser ultrapassado na contagem de votos por Sánchez na última quarta-feira, López Aliaga passou a pedir a anulação do pleito, com referência ao atraso nos votos de pelo menos 60 mil pessoas em Lima, que só conseguiram participar da eleição na segunda-feira.
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Sánchez, herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo — preso por tentativa de golpe em 2022 —, que até então ocupava o sexto lugar na apuração preliminar, ultrapassou López Aliaga à medida em que os votos rurais começaram a ser contabilizados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). Diante disso, o ultradireitista, que é apoiador do presidente americano, Donald Trump, chegou a questionar se os eleitores das áreas rurais têm instrução suficiente para processar uma cédula eleitoral.
Em coletiva de imprensa, Sánchez alertou que convocará uma mobilização caso "alguns atores políticos" insistam na narrativa de suposta fraude, apesar de não possuírem qualquer prova de que tenha havido condução ilegal do pleito, em referência às acusações de López Aliaga.
— Convocamos todo o Peru, todas as forças sociais, a estarem vigilantes e atentas ao nosso apelo. No momento em que houver qualquer indício de que o voto dos cidadãos não será respeitado, convocaremos uma mobilização, uma defesa democrática, uma defesa social. Conclamamos a comunidade internacional a nos acompanhar e a vigiar para garantir que o voto dos cidadãos seja respeitado de forma sagrada. Sem narrativas de fraude como as do processo anterior. O voto andino, amazônico e rural será respeitado — afirmou Sánchez.
As eleições enfrentaram sérios problemas de organização, incluindo atrasos na instalação das seções eleitorais e uma prorrogação sem precedentes até segunda-feira em Lima, onde mais de 60 mil pessoas não conseguiram votar no domingo. Apesar disso, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia descartou qualquer fraude. Tanto o Ministério Público quanto a Ouvidoria do Peru chegaram à mesma conclusão.
Assim como o voto rural, o voto no exterior é um dos últimos a ser apurado. Segundo o El País, este é um grupo de votos que geralmente não é decisivo, mas nestas eleições tão acirradas, pode ser. Com 45,9% das urnas desta seção apuradas, López Aliaga lidera as pesquisas com quase 40 mil votos, enquanto Sánchez aparece em oitavo lugar, bem atrás, com 3.225 votos.
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Fujimori, única candidata com vaga garantida no segundo turno, questionou as ações de López Aliaga e enfatizou que "a democracia se fortalece com ações, não com retórica".
— Não responderei aos insultos do Sr. López Aliaga, aos quais ele infelizmente nos acostumou, mas o que não podemos permitir é a incitação a uma insurgência... Hoje, responsabilidade e maturidade política são necessárias — declarou.
Mesmo assim, a filha de Alberto Fujimori anunciou que seu partido, Fuerza Popular, colocaria sua equipe de representantes à disposição de López Aliaga para investigar quaisquer possíveis irregularidades.
