Eleição olímpica? Alemanha quer voltar a sediar jogos de verão, mas decisão será tomada por voto popular; entenda

 

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Sem organizar uma edição dos Jogos Olímpicos desde 1972, a Alemanha pretende voltar a sediar o evento e avalia candidaturas para 2036, 2040 ou 2044. No entanto, antes de avançar, as cidades interessadas precisam obter o aval da população local por meio de consultas públicas.

Neste domingo, seis meses após Munique, será a vez da região do Reno/Ruhr submeter seu projeto ao escrutínio popular. Cerca de quatro milhões de eleitores foram convocados a se manifestar por meio de votação por correio.

O Comitê Olímpico Alemão (DOSB) conduz há meses um processo que deve culminar em 29 de setembro, quando será escolhida a cidade que representará o país junto ao Comitê Olímpico Internacional (COI). Em uma estratégia para ampliar as chances, o DOSB decidiu apresentar candidatura simultânea para três edições — 2036, 2040 ou 2044 —, o que faria com que os Jogos retornassem ao país seis ou sete décadas após a última realização em solo alemão, em Munique, em 1972.

Aquela edição ficou marcada pelo atentado contra a delegação israelense na vila olímpica, que resultou na morte de onze integrantes da equipe.

Para 2036, a Ásia desponta como favorita, com várias candidaturas em curso. Além disso, a coincidência com os Jogos de Berlim de 1936, utilizados como ferramenta de propaganda pela Alemanha nazista, gera controvérsia dentro do próprio país. O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, considera a data “historicamente problemática” e demonstra preferência por uma candidatura em 2040 ou 2044.

Quatro projetos estão oficialmente na disputa interna: Munique, a região do Reno/Ruhr (com cidades como Colônia e Düsseldorf), Hamburgo e Berlim.

Antes de formalizar suas candidaturas, três dessas propostas optaram por consultar a população — uma estratégia que já enfrentou resistência no passado. Hamburgo teve sua candidatura aos Jogos de 2024 rejeitada em referendo no fim de 2015, enquanto Munique sofreu revés semelhante dois anos antes, ao tentar sediar os Jogos de Inverno de 2022.

Para o especialista em olimpismo da Universidade de Lausanne, Jean-Loup Chappelet, a consulta popular é válida, mas envolve riscos. Um referendo “é uma boa ideia”, embora historicamente “tenha havido referendos negativos, muitos inclusive”, afirmou à AFP.

Ciente das dificuldades crescentes para encontrar cidades candidatas, o COI reformulou seus critérios e passou a incentivar o uso máximo de infraestrutura já existente. Segundo Chappelet, os Jogos de Paris 2024, primeiros plenamente alinhados a essa agenda, “demonstraram que é possível organizar uns Jogos sem demasiado déficit”.

No outono de 2025, Munique foi a primeira a consultar sua população. Mais de um milhão de habitantes participaram da votação sobre um projeto baseado, em grande parte, nas estruturas utilizadas em 1972, especialmente o parque olímpico. O “sim” venceu com mais de 66% dos votos, em uma participação de 42% — a maior já registrada em consultas desse tipo na capital bávara —, resultado que deu impulso à estratégia do DOSB.

Agora, a atenção se volta para o resultado da votação na região do Reno/Ruhr, que será observado de perto para medir o nível de apoio popular a um projeto olímpico no país. A próxima etapa decisiva ocorrerá em Hamburgo, em 31 de maio.

O respaldo da população pode influenciar a escolha final do COI. “Não é uma exigência imposta pelo COI, mas é uma vantagem muito grande. É muito importante, hoje em dia ainda mais do que antes, porque houve dezenas de referendos negativos”, destacou Chappelet.

Ainda assim, o apoio popular não é suficiente por si só. Para evitar surpresas, o COI passou a priorizar cidades consideradas mais preparadas, com o objetivo de atribuir o maior número possível de edições com antecedência.