“Ele foi imprudente”: MP denuncia piloto que pulou e soltou a fita do balão em chamas com oito a bordo em SC

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Fonte da notícia: Jornal Razão Jornal Razão

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou nesta segunda-feira (26) o piloto do balão que pegou fogo e caiu em Praia Grande, no Extremo Sul do estado, em 21 de junho de 2025. Oito pessoas morreram na tragédia.

Elves de Bem Crescêncio, que também era sócio-administrador da empresa contratada pelos passageiros, foi denunciado por homicídio culposo e lesão corporal culposa. A denúncia foi protocolada pela manhã na Vara Única da comarca de Santa Rosa do Sul, conforme nota publicada pelo MPSC.

O promotor de Justiça Ricardo Figueiredo Coelho Leal também pede que o piloto seja condenado a pagar indenização por danos morais aos 12 passageiros que sobreviveram e às famílias das oito vítimas. O procedimento segue em sigilo.

Segundo a denúncia, o piloto manteve dentro do cesto um maçarico da marca Italgas, modelo 5IT, ligado a um frasco de gás MAPP. O equipamento não era o acendedor fornecido pelo fabricante do balão, não tinha trava de segurança e podia continuar aceso sozinho.

A válvula estava aberta em cerca de três quartos de volta. De acordo com o promotor, o maçarico caiu da mala de bordo, o botão de faísca foi acionado, o gás pegou fogo e a chama atingiu a capa de um dos cilindros de propano.

O MPSC sustenta que o piloto também foi imprudente ao abandonar o balão depois do toque no solo. Ao pular, ele soltou a fita que controlava a abertura superior, e o balão, ainda em chamas e com oito pessoas a bordo, voltou a subir de forma desgovernada.

Quatro delas saltaram do cesto e morreram na queda. As outras quatro morreram carbonizadas.

“Ele foi imprudente. Ele agiu de forma contrária ao que deveria se esperar de um piloto”, disse o promotor em entrevista divulgada pelo MPSC.

A denúncia aponta ainda que o piloto não fechou as válvulas dos cilindros de gás quando o incêndio começou, demorou para iniciar o pouso forçado e não avisou os passageiros de que o voo era uma atividade aerodesportiva de alto risco, sem certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A Polícia Civil concluiu o inquérito em outubro de 2025 sem indiciar ninguém. O MPSC não arquivou o caso e, em novembro daquele ano, pediu novas diligências, com 16 perguntas para a Polícia Científica.

O laudo complementar ficou pronto em 22 de setembro de 2026. A denúncia também se baseia nos depoimentos de mais de 20 pessoas, entre vítimas, testemunhas e o fabricante do balão.

O promotor se manifestou contra um acordo de não persecução penal, que encerra o caso sem processo mediante condições como prestação de serviço à comunidade e pagamento em dinheiro. Para ele, a extensão dos danos, com oito mortes, torna esse tipo de acordo desproporcional.

Agora a Justiça vai decidir se recebe a denúncia. Se receber, o piloto passa à condição de réu e terá de apresentar resposta à acusação.

Depois vêm a audiência com as testemunhas, o interrogatório e o julgamento. Na esfera cível, o MPSC e o Ministério Público Federal seguem apurando a atuação das empresas e as normas de segurança do balonismo.

Até a publicação desta reportagem, a defesa do piloto não havia se manifestado publicamente sobre a denúncia. Fonte: nota do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/justica/mpsc-denuncia-piloto-balao-praia-grande

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