'Ele enfrentou o presidente dos EUA': revista alemã destaca críticas de Lula contra Trump
A revista Der Spiegel, uma das mais influentes do país, destacou nesta quinta-feira (16) que o presidente Lula confrontou o líder da maior economia do mundo, Donald Trump.
Em entrevista a Der Spiegel Lula falou sobre como se impor em um mundo imprevisível. A conversa teve como foco a defesa da soberania e da 'autoestima' do Brasil nas relações com outros países. Ele também reforçou que 'Trump não é imperador do mundo'.
Lula disse ainda que o Brasil não pode aceitar relações internacionais marcadas por humilhação ou subordinação e indicou que não pretende buscar diálogo direto com Donald Trump a qualquer custo.
Segundo o presidente, uma eventual ligação neste momento colocaria o país em posição humilhante, incompatível com a postura de uma nação soberana. Ele acrescentou que está disposto a conversar, desde que haja disposição real para o diálogo, e não imposições públicas ou ameaças.
O Der Spiegel destacou a postura de Lula como uma exigência de dignidade nacional na condução da política externa brasileira.
Outro ponto central da entrevista foi a crítica direta à tentativa de Donald Trump de vincular sanções comerciais ao processo judicial contra Jair Bolsonaro.
Lula afirmou que nenhum governo estrangeiro pode interferir no funcionamento da Justiça brasileira e destacou que o Supremo Tribunal Federal é independente, sem receber ordens do Executivo, nem no Brasil nem de fora. Classificou como 'inaceitável' o uso de tarifas como instrumento de pressão política.
Tarifas dos EUA impostas ao Brasil
Ao tratar das tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos, Lula reconheceu impactos sobre setores da economia, mas rejeitou a ideia de submissão. Ele argumentou que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil e indicou que o governo busca respostas diplomáticas e multilaterais, inclusive no âmbito dos BRICS.
Fala sobre Bolsonaro
Na entrevista, Lula também elevou o tom contra Bolsonaro. Ele afirmou que o ex-presidente estimula a intervenção estrangeira ao buscar apoio político de Trump, disse que ele age contra os interesses nacionais e o classificou como 'traidor da pátria'. Defendeu ainda que Bolsonaro responda à Justiça 'como qualquer cidadão'
Ao El País, também em entrevista nesta quinta-feira, o presidente brasileiro reforçou a declaração, afirmando que o mundo não concede a Donald Trump o direito de, simplesmente, acordar e ameaçar um país inteiro, em referência aos ataques no Irã.
'Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito a isso, a Constituição americana não garante isso e muito menos a carta da ONU, afirmou Lula.'
Presidente Lula
Ricardo Stuckert/PR
