Entre 2017 e 2024, Michael Smith transformou músicas geradas por inteligência artificial e ouvintes que não existiam em mais de US$ 8 milhões em royalties reais. Na terça-feira (6), o esquema lhe rendeu 18 meses de prisão. Smith, de 54 anos, havia se declarado culpado em março por conspiração para cometer fraude eletrônica. Além da cadeia, a sentença determinou dois anos de liberdade supervisionada e o confisco de US$ 8.091.843,64. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresenta o processo como o primeiro caso criminal do país envolvendo fraude de streaming musical com o uso de IA. Como dez mil robôs viraram ouvintes Smith não apostou em uma música de sucesso. Montou uma operação de escala industrial. Criou milhares de contas falsas em serviços como Spotify, Apple Music, Amazon Music e YouTube Music e usou programas para mantê-las reproduzindo continuamente as faixas de seu catálogo. A inteligência artificial abastecia a máquina com músicas novas. Como uma concentração exagerada de plays em poucas faixas poderia acionar os sistemas antifraude, Smith espalhava as reproduções por centenas de milhares de canções. Em um e-mail citado pelos investigadores, escreveu que precisava de “uma tonelada de músicas, rapidamente” para contornar as regras das plataformas. No auge da operação, até 10 mil contas funcionavam ao mesmo tempo. Smith usava endereços de e-mail falsos e cartões de débito obtidos de maneira fraudulenta para criar e financiar os perfis. Seus robôs tocaram as músicas geradas por IA bilhões de vezes. A dimensão do esquema aparece em uma comparação feita pelos promotores. Em abril de 2023, todo o catálogo de Taylor Swift acumulou 9,3 milhões de reproduções por meio de planos familiares no YouTube Music. No mesmo mês, os bots de Smith produziram 80,9 milhões de plays nas mesmas condições. Dinheiro saía do mesmo bolo Os milhões pagos a Smith não surgiram de uma taxa fixa criada a cada reprodução. As plataformas reúnem parte da receita em fundos de royalties e distribuem o dinheiro de acordo com a participação de cada faixa no total de plays. Cada audição fabricada pelos robôs aumentava a fatia destinada ao catálogo de Smith e reduzia o valor disponível para artistas, compositores e outros detentores de direitos ouvidos por pessoas reais. A IA deu ao esquema o volume de músicas necessário para disfarçar a operação; as contas falsas transformaram esse catálogo em dinheiro. A condenação se concentrou nessa manipulação deliberada da audiência. Smith criou perfis fraudulentos, simulou consumidores e programou as contas para tocar as próprias faixas sem parar, sabendo que as reproduções seriam convertidas em royalties. A pena ficou abaixo do que havia sido solicitado antes da decisão. Segundo o Music Business Worldwide, os promotores pediram ao menos 46 meses de prisão. O U.S. Probation Office, órgão do Judiciário que avalia o réu e orienta o juiz antes da sentença, recomendou 24 meses. A defesa pediu que Smith não fosse preso. O juiz John G. Koeltl fixou a pena em 18 meses.. Mais Lidas
Ele criou músicas com IA, inflou bilhões de plays e ganhou US$ 8 mi; agora vai para a prisão
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