'Ele colocou o revólver na minha cabeça': moradores enfrentam onda de assaltos no Alto da Lapa, Zona Oeste de SP

 

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Moradores do Alto da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo, adotam estratégias próprias, como apitos e sirenes, para se proteger de assaltos. A Secretaria da Segurança Pública fala em queda, mas levantamento da CBN aponta alta de cerca de 15% nos roubos na área do Sétimo Distrito Policial, que atende a região.

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Nas ruas Dardanelos, Majubim e Juvenal de Almeida, no Alto da Lapa, Zona Oeste de São Paulo, o clima é de alerta constante. Moradores caminham olhando para todos os lados e desconfiam da aproximação de motociclistas com mochilas de entrega.

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Entre as estratégias adotadas, mulheres passaram a andar com apitos no bolso para avisar vizinhos diante de qualquer movimentação suspeita.

A moradora Tatiana Uehara sofreu uma tentativa de assalto e conta como funciona esse sistema improvisado.

"A gente está andando com apito. Faz umas duas semanas que a gente implementou esse sistema de tentar distribuir apitos para começar a sinalizar quando a situação começa a ficar estranha. Eu, por mais que passe de louca, quando estou saindo do apartamento e vou em direção ao carro, alguma coisa assim, já saio apitando. Mesmo em ruas com guaritas, câmeras e segurança privada, os criminosos continuam agindo", conta.

No Alto da Lapa, mulheres passaram a andar com apitos no bolso para avisar vizinhos diante de movimentações suspeitas

Acervo pessoal

Nem mesmo uma sirene instalada por moradores na Rua Juvenal de Almeida inibe a ação criminosa. O aposentado Cláudio Siqueira, morador há 40 anos, relata a abordagem que sofreu:

"Eu estava passeando com o cachorro, era nove e meia da noite, e o motoboy me abordou com um revólver. Queria o celular, aliança e relógio, mas eu estava sem nada, aí ele foi embora. Me xingou, né? Ele pôs o revólver na minha cara, na minha cabeça", divide.

A dinâmica é conhecida entre os vizinhos, como explica Vicente Rocha.

"Sempre são as mesmas motos. Essas com o bagageiro de entregadores. E um avança, dois ficam parados atrás", diz.

277 roubos apenas no início deste ano

No primeiro bimestre deste ano, foram 277 roubos registrados na região, contra 240 no mesmo período de 2025, um aumento de cerca de 15%.

Na Rua Dardanelos, a publicitária Andressa Vitória foi uma das vítimas recentes.

"E eu estava bem aqui, para colocar o rosto para desbloquear a facial e entrar no prédio. Ele (assaltante) já veio, colocou a arma para fora e falou 'passa o celular'. E aí já veio outro, me fechou pelas costas e me encurralaram. Tinha um terceiro ainda que ficava olhando todo o movimento da rua", conta.

A empresária Carolina Rocha mudou completamente a rotina para evitar novos assaltos:

"Pediram meu celular, minha bolsa, tudo, e aí eu tive que entregar, naquele esquema de pedir a senha também. Tive que passar a senha para desbloquearem o celular".

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que as polícias atuam de forma integrada na região e destacou a importância do registro de boletins de ocorrência para direcionar o policiamento.

A pasta informou ainda que houve redução de 6,73% nos roubos no primeiro bimestre de 2026, na comparação com o ano passado, com base em dados da 3ª Delegacia Seccional Oeste.

Já os registros na área do 7º Distrito Policial indicam aumento.