Ela Inspira 2026 aborda saúde e bem-estar feminino em talks no Copacabana Palace

 

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Minutos antes de encerrar o Ela Inspira, na noite desta terça-feira, a editora-chefe da Revista Ela, Marina Caruso, proferiu uma frase que sintetizou o tom do evento como um todo. "São histórias como estas que enchem nossos olhos de lágrimas e as páginas da nossa revista de reportagens", disse. A fala encerrou uma sequência de oito talks que iluminaram diferentes temas pertinentes à vida da mulher contemporânea ao longo de toda a tarde, no Teatro Fernanda Montenegro, no Copacabana Palace. O evento é uma realização da Revista ELA, com patrocínio de Vichy, SBEM, como Shopping Oficial o RIO SUL Shopping Center, além do Apoio de MSD, Firjan SESI e CARE e participação da Alta Diagnósticos, Grupo Azzas e Technos e parceria do Copacabana Palace.

Encerrado com uma homenagem à ginasta Rebeca Andrade, a maior medalhista olímpica do Brasil, o encontro teve, entre os pontos altos, uma conversa descontraída conduzida por Marina com as atrizes Ingrid Guimarães e Mônica Martelli. Entraram em pauta assuntos como cumplicidade feminina, menopausa e maternidade. "A vida inteira fomos levadas a acreditar na rivalidade entre mulheres, mas isso é uma construção social", disse Mônica. "Dessa forma, se isso foi aprendido, está na hora de desaprendermos."

Ingrid, por sua vez, classificou a amizade feminina como "o ato mais revolucionário da vida", lembrando o quanto se trata de uma ferramenta importante para encarar as dores e as delícias da existência. É o caso da menopausa, sobre a qual ela ressaltou o quanto o diálogo e a conscientização são fundamentais. "Não romantizo essa fase. Foi muito difícil", desabafou. "Tive todos os sintomas, mas fiz tratamentos e melhorei. Nasci de novo, meu corpo é diferente."

"MSD: Hipertensão Arterial Pulmonar em mulheres" reuniu Joana Dale, Fabiana Encarnação e Marcia Datz Abadi

Helena Barreto

O tema da saúde já havia sido levantado em talks anteriores, como em "MSD: Hipertensão arterial pulmonar em mulheres", mediada pela editora-assistente da Revista Ela, Joana Dale. Na conversa, a diretora executiva e médica da MSD, Marcia Datz Abadi, trouxe esclarecimentos sobre essa condição rara. Ela lembrou que, em geral, leva-se até dois anos para diagnosticar as pacientes no Brasil. Isso acontece porque muitos profissionais ainda associam os sintomas a fatores como estresse e sobrepeso, por exemplo. "Por isso, o maior tratamento é a informação", frisou.

Na ocasião, Fabiana Encarnação, portadora de hipertensão arterial pulmonar e voluntária da Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas, lembrou o próprio processo de diagnóstico. "Tinha uma vida normal e fui parando. Comecei a sentir cansaço, falta de ar, sofri desmaios", relatou, emocionada. "Nós, mulheres, queremos dar conta de tudo e, às vezes, nos esquecemos de nós."

"SBEM: Tire o peso do peso: o uso correto das canetas emagrecedoras", mediada por Flávia Barbosa, reuniu Fabiana Karla, Karen de Marca e Priscilla Gil

Helena Barreto

Tema quente quando o assunto é saúde e bem-estar, os novos medicamentos para tratamentos contra obesidade estiveram em pauta na mesa "SBEM: Tire o peso do peso - O uso correto das canetas emagrecedoras", mediado pela editora executiva do jornal O Globo, Flávia Barbosa. A atriz Fabiana Karla lembrou da importância dos esclarecimentos sobre o assunto, assim como da necessidade de se combater os estigmas. "No meu caso, tive que fazer uma mudança estratégica. Nunca procurei tratamentos porque desejava simplesmente emagrecer, mas, sim, performance de vida."

A médica Priscilla Gil, endocrinologista pela SBEM e do Departamento de Psiquiatria e Transtornos Alimentares da ABESO, alertou para os riscos de glamourização da magreza. "O que vemos no tapete vermelho do Oscar e nos desfiles de moda ainda é um ideal de corpo excessivamente magro e normativo quando, na verdade, precisamos falar sobre tratamentos contra a obesidade", comentou. A endocrinologista e metabologista Karen de Marca, presidente eleita da SBEM, concordou. "Uma mulher de 50 anos não deve querer ter o corpo de 30. E, no caso das celebridades, muitas não contam o que realmente fazem em nome da aparência."

Marina Caruso, Adriana Freitas, Louise Rossetti, ⁠Vivy Tenório e⁠ Paula Acioli, no talk "Riosul Shopping Center e H&M: O que representa a chegada da marca para as mulheres cariocas"

Helena Barreto

Já a moda deu o tom no papo "Riosul Shopping Center e H&M: O que representa a chegada da marca para as mulheres cariocas", em que ⁠ a pesquisadora e analista de moda Paula Acioli, autora do livro "A Culpa é do Rio! A cidade que inventou a moda do Brasil", falou sobre o protagonismo da cidade no setor. "A nossa elegância está na descontração e exportamos isso para o restante do Brasil e para o mundo", comentou.

Vivy Tenório, criadora de conteúdo, celebrou a chegada da H&M à capital fluminense por ser um passo importante para "trazer a moda global de um jeito acessível". Diretora de comunicação e marketing da rede, Louise Rossetti disse que o grupo, por sua vez, "chega por aqui disposto a ouvir os cariocas e entender como trazer um moda relevante até eles". Gerente de marketing do Riosul, Adriana Freitas finalizou lembrando que o shopping sempre foi um termômetro para a cidade. "Estamos orgulhosos de ser essa porta de entrada."

"Futebol feminino e igualdade de gênero no esporte", com Flávia Barbosa, Gal Barradas, Ju Cabral, Bruna Linzmeyer e Bárbara Coelho

Helena Barreto

O esporte também teve lugar de destaque na programação em "Futebol feminino e igualdade de gênero no esporte,. Logo no início, a atriz Bruna Linzmeyer falou sobre um filme e um podcast que está produzindo dentro da temática. Nas obras, ela relembra como a modalidade foi proibida durante a ditadura militar e resgata as protagonistas de histórias apagadas. "Se foi proibido é porque estava acontecendo e incomodando."

O fato de o Brasil sediar a Copa do Mundo Feminina no ano que vem também foi lembrado. Gal Barradas, diretora executiva de revenues, marketing e business intelligence da Fifa, destacou o poder de transformação de um evento deste porte. "Há toda uma cadeia impactada, para além das jogadoras, como técnicas, árbitras e médicas", listou. Ju Cabral, comentarista esportiva na CazéTV e ex-capitã da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, completou: "Para dizer que temos voz, ainda precisamos trabalhar muito para ocupar esse espaço e ter reconhecimento".

Também presente no encontro, a jornalista Bárbara Coelho, apresentadora da CazéTV, dimensionou o quanto o respeito às atletas precisa ser assegurado no país. "O nosso papel, enquanto mídia, é criar comunidade e mostrar que o futebol feminino não é migalha, mas realidade. Emprega pessoas e movimenta a economia", sentenciou.

Joana, Lelê, Bárbara e Malu no talk "O poder da influência by Lelê Burnier, Bárbara Brito e Malu Borges"

Helena Barreto

Por falar no poder da comunicação, o bate-papo "O poder da influência by Lelê Burnier, Bárbara Brito e Malu Borges" reuniu as três influenciadoras para falar sobre as responsabilidades de quem atua neste meio. "Tocar em assuntos mais profundos para mim tem sido gratificante", disse Bárbara, cujos conteúdos sobre mercado corporativo e empreendedorismo fazem sucesso. "Prefiro focar minha influência nos temas que domino."

Lelê, por sua vez, falou sobre a importância de manter um diálogo honesto com os seguidores. "O que buscamos hoje é ser o mais real e natural possível", afirmou. Algo que, na visão de Malu, vem a calhar com o "jeito carioca de ser". "Temos um perfil easy going que deixa tudo mais leve."

Belisa, Aline, Chica e Isabela em "VICHY – Longevidade e bem-estar"

Helena Barreto

Por falar em particularidades de uma terra tão solar, "VICHY – Longevidade e bem-estar" garantiu bons papos sobre os cuidados com a pele. A médica dermatologista Aline Vieira ressaltou o quanto "a pele é um reflexo das nossas escolhas". Por isso, precisamos transformar o skincare num momento em que "entramos em contato com a nossa própria identidade", diante do espelho. Diretora de Vichy no Brasil, Belisa Avena acrescentou que isso tem a ver também com conscientização. "Precisamos de um olhar cada vez mais forte na prevenção e, por isso, a educação é tão importante. Nada deve ser a curto prazo."

Lição dada, lição aprendida. Mãe e filha, as designers Isabela e Chica Capeto falaram como trocam figurinhas e se inspiram uma na outra. "Sempre admirei minha mãe porque ela se cuidou sem pesar a mão", disse Chica. Isabela completou: "Amo as novidades que surgem e quero aproveitá-las. Conheço várias pela minha filha".

A mesa "Firjan SESI: Mulheres na indústria", com Carla Pinheiro e Eliane Damasceno

Helena Barreto

A programação foi aberta com uma conversa sobre mercado de trabalho. "Firjan SESI: Mulheres na indústria" pontuou conquistas e mostrou que ainda há muitos avanços a serem alcançados. "Os empregadores precisam entender que esse espaço ainda é adverso", salientou a presidente do Sindjoias e líder do Conselho Empresarial Mulheres da Firjan, Carla Pinheiro. "Logo, é necessário não somente que contratem mais profissionais do sexo feminino como sejam acolhedores com elas."

Gerente de responsabilidade social da Firjan, Eliane Damasceno, ressaltou que as mulheres representam mais da metade da população brasileira e fez o alerta: "Se o empregador não enxerga isso, terá problemas em seus negócios".