El Niño muito forte deve manter chuva frequente em SC até janeiro com previsão de frentes frias e ciclones

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Fenômeno tem 96% de chance de permanecer na categoria muito forte até fevereiro de 2027; Defesa Civil alerta para risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos Santa Catarina deve enfrentar um período de chuva frequente entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, com possibilidade de volumes acima do esperado, principalmente no Grande Oeste.

A previsão está associada à atuação de um El Niño muito forte, que deve continuar influenciando as condições do tempo no Sul do Brasil nos próximos meses. O cenário foi analisado durante o 247º Fórum Climático Catarinense, que reuniu meteorologistas da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, da Epagri/Ciram, do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) e da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Até o fim da primavera, em 21 de dezembro, a previsão indica a continuidade da atuação de ciclones, frentes frias e massas de ar frio, sistemas que favorecem a ocorrência de chuva persistente na região Sul. Com a chegada do verão, os temporais devem se tornar mais isolados e estar associados principalmente ao aumento das temperaturas.

“São os típicos temporais de verão que a população costuma observar no fim de tardes abafadas”, explica o meteorologista da Defesa Civil, Caio Guerra. Apesar de mais localizados, esses temporais podem provocar chuva intensa em curtos períodos, elevando o risco de alagamentos e enxurradas.

Historicamente, dezembro e janeiro concentram um número elevado de ocorrências relacionadas a eventos meteorológicos em Santa Catarina, o que reforça a necessidade de atenção durante o período. A previsão da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta 96% de probabilidade de o El Niño permanecer na categoria muito forte até fevereiro de 2027.

A tendência é que o fenômeno comece a perder intensidade no trimestre de fevereiro a abril, mas continue ativo até o início do outono. A classificação de intensidade muito forte foi alcançada em setembro, quando as anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial ultrapassaram 2 °C.

Na última semana analisada, o índice chegou a 2,5 °C na média semanal, conforme os dados apresentados no Fórum Climático. O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar os padrões de circulação atmosférica.

No Sul do Brasil, o fenômeno costuma favorecer períodos mais chuvosos e aumentar a possibilidade de eventos extremos. Os efeitos já são observados na região.

No Paraná, os últimos meses foram marcados por eventos meteorológicos intensos. Em Santa Catarina, a maior frequência de dias nublados contribuiu para temperaturas abaixo do normal para a época e para a sensação de frio durante outubro.

Em outubro, os maiores impactos da chuva em Santa Catarina se concentraram no Grande Oeste, no Planalto Norte e no Litoral Norte. Foram registrados alagamentos, enxurradas, deslizamentos e inundações, além de ocorrências relacionadas a vendavais, granizo e chuva intensa.

Entre os municípios com maiores acumulados estão Anchieta, no Extremo Oeste, que registrou 430 milímetros de chuva no mês, e Maravilha, com 379 milímetros. No Litoral Norte, Garuva acumulou 395 milímetros, enquanto Joinville registrou 365 milímetros.

Segundo os registros da Defesa Civil estadual, 84 municípios tiveram ocorrências relacionadas a vendavais, chuva intensa, granizo, alagamentos e enxurradas ao longo de outubro. A possibilidade de novos episódios de chuva volumosa nos próximos meses exige atenção, especialmente em áreas suscetíveis a inundações, enxurradas e movimentos de massa.

Além da chuva, a previsão indica mudanças nas temperaturas ao longo do período. Em novembro, a maior presença de nuvens deve contribuir para tardes mais amenas.

Isso ocorre porque a cobertura de nuvens reduz a incidência de radiação solar durante o dia e interfere na perda de calor durante a noite. “As nuvens funcionam como um cobertor térmico, que bloqueia o calor que vem de fora e retém as temperaturas que já estão dentro, reduzindo a variação térmica”, explica Caio Guerra.

Mesmo com tardes mais amenas, as manhãs podem registrar temperaturas mais baixas, com possibilidade de episódios isolados de frio até o fim da primavera. Já entre dezembro e janeiro, a tendência é de ocorrência de períodos de calor intenso, típicos do verão catarinense.

A combinação de temperaturas elevadas e umidade favorece a formação de temporais localizados, que podem provocar chuva intensa em pouco tempo, mesmo quando não há previsão de precipitação persistente ao longo de todo o dia. Diante da previsão, a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil recomenda que a população acompanhe diariamente os boletins meteorológicos e os avisos oficiais, principalmente durante a passagem de sistemas capazes de provocar tempestades severas, granizo e rajadas intensas de vento.

Em períodos de chuva persistente ou com grandes volumes, a orientação é evitar o contato com a água e não atravessar ruas alagadas, pontes ou pontilhões submersos. Crianças também devem permanecer longe de rios e ribeirões.

Em áreas de risco para deslizamentos, é importante observar sinais como inclinação de postes e árvores, movimentação de terra ou rochas e o surgimento de rachaduras em muros e paredes. Durante temporais com raios, vento forte e granizo, a recomendação é procurar abrigo seguro, longe de árvores, placas e outros objetos que possam ser arremessados.

Dentro de casa, a orientação é permanecer em um cômodo mais protegido, preferencialmente com paredes de alvenaria e janelas menores. Quem estiver na praia deve sair da água imediatamente.

A Defesa Civil reforça que acompanhar as condições do tempo e respeitar os alertas é fundamental para reduzir os riscos durante os meses mais chuvosos e o período de temporais de verão em Santa Catarina. Thaane Otero é editora e repórter no portal ND Mais, onde atua no Núcleo de Santa Catarina e acompanha a produção de conteúdos e cobre o cotidiano de Florianópolis e cidades da região, como São José, Biguaçu e Palhoça.

Também produz matérias sobre o que há de relevante em solo catarinense, incluindo destaques de segurança pública, saúde, política e mais, sempre com olhar atento e conectado à realidade local. Formada em Jornalismo pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), atua na área desde 2019 e tem experiência em produção multiplataforma, com passagem por veículos digitais e impressos.

Também trabalhou com assessoria de imprensa e assina projetos editoriais especiais, como revistas de municípios do Médio Alto Uruguai, no Rio Grande do Sul. Atuou nas Eleições 2022 e 2024 na produção de conteúdos multimídia, debates ao vivo e apuração de votos em veículos com abrangência no Rio Grande do Sul.

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