El Helicoide: prisão conhecida como 'maior centro de tortura' da Venezuela é esvaziada e detentos são transferidos
O centro de detenção El Helicoide, um dos locais mais associados a denúncias de tortura e perseguição política na Venezuela, ficou praticamente vazio na quinta-feira após a transferência de seus detentos para outras prisões do país.
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Projetado na década de 1950 para funcionar como um shopping center, o edifício acabou transformado em centro de detenção e se tornou um dos símbolos mais conhecidos da repressão estatal venezuelana, especialmente contra opositores do governo.
Embora o fechamento da unidade tenha sido celebrado por ativistas de direitos humanos, familiares de presos denunciaram a falta de transparência no processo e criticaram a transferência dos detentos para penitenciárias distantes, o que dificulta visitas e acompanhamento das condições de detenção.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou na terça-feira que a "infame prisão El Helicoide foi fechada", embora ainda houvesse presos no local naquele momento.
As transferências começaram na quarta-feira, segundo familiares ouvidos pela AFP. As autoridades venezuelanas, porém, não divulgaram informações detalhadas sobre o destino dos detentos, aumentando a preocupação entre parentes e organizações de direitos humanos.
O deputado governista Jorge Arreaza, que preside a comissão parlamentar responsável por supervisionar o processo de anistia, rebateu as críticas.
"A campanha contra El Helicoide foi feroz: o pior 'centro de tortura' desde a Idade da Pedra. Medidas estão sendo tomadas para fechá-lo e transformá-lo. Como consequência inevitável, os detentos são transferidos para outros centros de detenção. Mesmo assim, fazem escândalo. Quem consegue entendê-los?", escreveu Arreaza na rede X.
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Familiares denunciam incerteza sobre paradeiro dos presos
Andreína Baduel, integrante do Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (Clippve), afirmou que a prisão foi completamente esvaziada.
— Totalmente vazio; não restaram nem prisioneiros detidos por outros delitos nem presos políticos — disse à AFP.
Baduel é filha do general Raúl Baduel, ex-ministro da Defesa de Hugo Chávez que morreu em El Helicoide em 2021.
Durante a noite, integrantes do comitê voltaram ao local para uma vigília que já dura 147 dias em defesa da libertação dos presos políticos.
"Continuamos insistindo: não há razão para que esses indivíduos estejam detidos, muito menos para que suas famílias sejam submetidas à incerteza de não saber como eles estão", afirmou o grupo na rede X.
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, havia anunciado o fechamento da prisão em janeiro.
Durante a quinta-feira, a área ao redor do complexo apresentava movimento reduzido. Um agente que fazia a segurança do local disse a um jornalista da AFP que "não sobrou ninguém" dentro da instalação.
Na véspera, familiares reunidos diante da prisão relataram desespero ao tentar obter informações sobre o paradeiro dos parentes transferidos, enquanto eram mantidos à distância por agentes de segurança.
Organizações cobram mudança na política de repressão
O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) manifestou preocupação com a ausência de informações oficiais sobre as transferências.
Segundo a organização, as autoridades não divulgaram uma lista dos presos removidos. A ONG estima que mais de 70 pessoas estavam detidas em El Helicoide.
O ex-deputado Renzo Prieto, que passou quatro anos e 23 dias na prisão, afirmou que o fechamento do local só terá significado se vier acompanhado de mudanças mais amplas.
— Além do fechamento dessa prisão e de outros centros de tortura, é fundamental que o Estado mude sua política repressiva. Caso contrário, é apenas um teatro — acrescentou.
Prieto relembrou as condições precárias enfrentadas pelos detentos durante sua passagem por El Helicoide.
Segundo ele, havia pessoas dormindo nas escadas e convivendo com "ratos que, às vezes, mordiscavam os dedos de seus pés".
