Os efeitos da Copa do Mundo de 2026 ainda apareceram nas vendas do varejo brasileiro em junho, ainda que de forma menos intensa que no mês anterior. O volume de vendas do setor cresceu 0,5%, após alta de 0,3% em maio, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira. Em junho, artigos esportivos e televisores tiveram maior influência. O primeiro segmento fica dentro do grupo 'outros artigos de uso pessoal e doméstico', que registrou alta de 2,4% de um mês para o outro. Já os televisores estão incluídos em móveis e eletrodomésticos, que tiveram influência mais moderada neste mês, com alta de 0,4%.
Em maio, o destaque havia sido as vendas de livros, jornais, revistas e papelaria, com um salto de 16%, impulsionado pelos álbuns de figurinhas do Mundial. Agora, o setor registrou uma devolução de parte desses ganhos, com uma queda de 9,9%. Ainda no campo positivo, artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria cresceram 0,2%. O resultado também contou com a alta de 1,1% em hiper e supermercados, grupo de grande peso na pesquisa e que inclui a venda de bebidas. Na outra ponta, a venda de combustíveis e lubrificantes teve retração de 1,7%. Cristiano Santos, analista do IBGE, explica que o impacto da Copa mudou de composição entre maio e junho. — (A venda de) Artigos esportivos pode ter a ver com a Copa do Mundo, algo que não foi muito sentido no mês anterior. Como parte desse grupo está dentro de vestuário, há também esse efeito. Já os televisores tiveram impacto maior em maio e arrefeceram em junho. Setor perde fôlego, mas cresce 1,9% no semestre O varejo perdeu fôlego na passagem para o segundo trimestre, quando o volume de vendas recuou 0,4%, após alta de 1,2% nos três primeiros meses do ano. Segundo Santos, do IBGE, o resultado vem após o setor atingir o recorde da série histórica em março, o que eleva a base de comparação. O analista também destaca que, no primeiro semestre, o varejo cresceu 1,9%, um resultado superior ao que fechou o ano de 2025, quando em 12 meses acumulou alta de 1,6%. Santos lembra ainda que as vendas estão apenas 0,8% abaixo do pico registrado em março, e avalia que o cenário macroeconômico segue tendo mais fatores positivos do que negativos para o comércio: — A inflação desacelerou de maio para junho, o número de pessoas ocupadas cresceu e a alimentação no domicílio ajudou na passagem de receita para volume em hiper e supermercados. Vestuário, mobiliário, eletrodomésticos e produtos farmacêuticos também tiveram alívio nas pressões inflacionárias. São fatores que ajudam a manter o indicador no campo positivo. Material de construção e veículos em queda No comércio varejista ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, o volume de vendas recuou 1% em junho, após queda de 0,3% em maio. As vendas de materiais de construção caíram 3,5%, enquanto as de veículos e motos, partes e peças recuaram 1,5%. Segundo Santos, o crédito para a compra de veículos por pessoas físicas segue relativamente estável, mas o desempenho dos segmentos também vem sendo travado pela alta dos preços, especialmente no caso de materiais de construção.
O Globo