Edwin Luisi reestreia peça LGBTQIA+ após 18 anos e fala do eterno sucesso de 'Escrava Isaura', que completa 50 anos
Contar histórias que marcaram época parece ser especialidade deste artista. Após 18 anos, Edwin Luisi, eternamente lembrado pela novela “Escrava Isaura’’ (1976), remonta a premiada peça “Eu sou minha própria mulher”, espetáculo que joga luz sobre a história de Charlotte von Mahlsdorf, travesti alemã que sobreviveu ao nazismo em meio ao preconceito e à violência, num regime que perseguia pessoas LGBTQIA+. Além da protagonista, o ator interpreta mais de 20 personagens no palco.
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— Esse trabalho me deu muitas alegrias no passado. Naquela época, nem pensei que abordava um tema LGBT. Vi a possibilidade de fazer uma peça em que eu podia mostrar tudo aquilo que eu tinha aprendido na minha vida. Charlotte deixou um legado de coragem — destaca Edwin.
Apesar do recorte histórico, o ator traz ao público uma versão atualizada aos novos tempos:
— Hoje o tema LGBT é muito mais forte do que antes, com o público altamente politizado em relação a essa luta — resume o ator de 79 anos, que precisou aprender termos novos sobre esse universo e admite:
— Eu sempre falei algumas palavras que hoje não posso mais usar. Me orientaram, por exemplo, a não falar “um travesti”, porque o correto é dizer no feminino: “uma travesti”. Tem a questão do politicamente correto. Tô tão habituado ao meu vocabulário, que evito entrar em discussão com medo de falar alguma coisa errada. Ando tomando cuidado .
Com o espetáculo, Edwin se desconstrói do perfil de galã que por muito tempo o acompanhou, principalmente em famosos folhetins dos anos 1970 e 1980. Um de seus trabalhos mais emblemáticos e vivos na memória do público foi o Álvaro de “Escrava Isaura”, que completa 50 anos de exibição.
— A novela ainda está viva no mundo. Antigamente, eu tinha um pouco de problema em falar da trama. Pensava: “poxa, faço tanta coisa e só lembram da ‘Escrava Isaura’”. Hoje, tenho muito orgulho. Tô resistindo há 50 anos com esse papel. Ele abriu as portas pra mim tanto no Brasil quanto no exterior — assume o intérprete, compartilhando seu saudosismo: — Não vejo a hora de comemorar esse aniversário de meio século. Sou muito amigo da Lucélia Santos (que viveu a protagonista Isaura e foi seu par romântico) até hoje. Ela é minha eterna Isaura.
‘Nunca se matou tanta travesti. É tenebroso’, diz Edwin Luisi
Edwin Luisi em peça
Livio Campos/ Divulgação
Embora enfatize que a peça não é exclusivamente LGBT, o artista reforça a importância de abordar o tema.
— Nunca se matou tanta travesti quanto hoje. É tenebroso, porque ao mesmo tempo que se empodera por um lado, a reação vem na mesma proporção. Ainda temos um caminho longo a percorrer. É uma peça que acolhe, mas não é panfletária. É a história de uma travesti, mas por trás tem afeto e resistência. Charlotte nunca se acovardou.
Traçando um paralelo com a protagonista da peça, Edwin afirma que também nunca se deixou abater.
— Na minha juventude, tive questões como qualquer jovem, mas hoje eu não tô preocupado com nada. Sempre levei a vida com muita leveza. Tive uma vida de muita sorte. Nunca precisei fazer análise, por exemplo — confessa.
A peça é dirigida por Herson Capri, amigo do ator há mais de 50 anos e que comandou também a primeira versão, em 2008, e se recupera de um enfarte recente:
— Herson é muito inteligente e sensível. Ele me deu toques incríveis e respeitou meu temperamento.
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