Educação midiática: projeto leva atores e influenciadores a escolas para falar sobre o ambiente digital
Em meio ao debate sobre o excesso de telas entre crianças e adolescentes, iniciativas voltadas à educação midiática têm buscado ampliar a discussão para além da restrição do uso de celulares. A proposta é ensinar jovens a desenvolverem uma relação mais equilibrada com o ambiente virtual.
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A educação midiática é definida pelo Ministério da Educação como uma área interdisciplinar que inclui as competências e aprendizagens previstas na Base Nacional Comum Curricular relativas ao uso de tecnologias, comunicação, reflexão e análise de informações e mídias e cultura digital. É nesse contexto que atua a Redes Cordiais, associação brasileira criada em 2018 para promover uma cultura informacional mais crítica e segura. Um dos braços da instituição é o Pequenos Cordiais, núcleo voltado para crianças, adolescentes e educadores, que cria projetos sobre convivência digital, desinformação e cidadania on-line.
HQ “Desconectados?” explora o uso da tecnologia de maneira mais lúdica e acessível
Divulgação/Thaty Aguiar
Segundo a coordenadora do projeto, Januária Cristina Alves, os jovens também têm que ser ouvidos nas discussões sobre regulação do uso de celulares nas escolas:
— Eles têm consciência de que o celular distrai e prejudica a atenção, mas também defendem que essa discussão precisa acontecer com escuta e diálogo.
Entre as iniciativas do Pequenos Cordiais está a HQ “Desconectados?”, da Turma da Mônica Jovem, criada em parceria com o YouTube e a Maurício de Sousa Produções. Na história, os personagens participam de passeio escolar sem celular e descobrem novas formas de convivência offline. A publicação propõe uma reflexão sobre equilíbrio digital e uso consciente da tecnologia, mostrando que diminuir o tempo de tela envolve oferecer outras possibilidades de convivência e lazer fora do ambiente virtual.
Como parte das ações do projeto, o Pequenos Cordiais promoveu recentemente uma atividade para adolescentes do 6º ano na Escola Municipal Alencastro Guimarães, em Copacabana. O evento contou com a presença das atrizes Lorena Comparato e Valéria Silva e do criador de conteúdo e educador Marcel Mosby, que fizeram a leitura da HQ.
O encontro discutiu os impactos das redes sociais no cotidiano dos jovens e a importância da educação midiática dentro e fora das salas de aula. Para Januária, a educação digital precisa envolver colégios, famílias e os próprios jovens.
— A escola sozinha não dá conta. É uma construção coletiva para que crianças e adolescentes aprendam a fazer escolhas mais conscientes — afirma.
*Esta reportagem foi publicada no especial Educação do GLOBO-Zona Sul de 23/5/2026
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