O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) compartilhou no X um vídeo antigo como se fosse do primeiro ato do irmão, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), em sua primeira agenda de campanha no Nordeste.
O ex-parlamentar, que vive autoexilado nos Estados Unidos desde o ano passado, replicou postagem de um apoiador que vinculava as imagens — de uma carreata cercada por uma multidão — ao evento bolsonarista desta terça-feira em Maceió (AL).
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"Bati o olho e achei que era o pai, mas é o @FlavioBolsonaro mesmo! Venha 2026!", escreveu Eduardo.
Mas as imagens, na verdade, exibem a mobilização popular durante um ato do patriarca do clã, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na Praça da Matriz de Gravatá, em Pernambuco, às vésperas da campanha eleitoral de 2024.
A chegada de Jair ao evento foi compartilhada pelo perfil do próprio ex-presidente no Instagram, à época.
O caso foi publicado primeiramente pelo Estadão.
A aposta por uma suposta ascensão bolsonarista na região responde a uma dificuldade eleitoral concreta.
No Nordeste, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 53% das intenções de voto no primeiro turno, contra 25% de Flávio, segundo o Datafolha.
São 28 pontos de vantagem, a maior distância entre os dois nos recortes regionais.
Em um território de forte identificação histórica com o petista, a campanha vê pouco espaço para avançar apenas com a mobilização do eleitorado tradicionalmente bolsonarista.
Em sua primeira viagem ao Nordeste desde o início oficial da campanha, Flávio suavizou o discurso contra Lula e incorporou a defesa de uma das principais marcas dos governos petistas numa tentativa de avançar sobre o eleitorado que sustenta a maior vantagem regional do presidente.
Em Maceió, nesta terça, o candidato reconheceu que Lula “fez algo pelo Nordeste” no passado, prometeu manter o Bolsa Família e dirigiu parte de sua fala a quem já votou ou acreditou no petista, mas que, segundo ele, hoje estaria “desiludido” com o governo.
A mudança de tom apareceu já na chegada a Alagoas e acompanhou Flávio ao longo do primeiro dia de compromissos na região.
Em vez de desqualificar toda a passagem de Lula pelo poder, como costuma fazer em discursos para a base bolsonarista, o senador separou o passado do atual governo e tentou se apresentar como alternativa para um eleitor que não precisa romper com a avaliação positiva que fez anteriormente do petista para mudar de voto agora.
— Eu entendo as pessoas que até ontem acreditavam no Lula, uma pessoa que lá no passado fez algo pelo Nordeste.
Agora, o legado dele é a desilusão — afirmou Flávio.
A tentativa de conquistar antigos eleitores de Lula ocorre ao mesmo tempo em que Flávio enfrenta dificuldades para transformar alianças estaduais em palanques presidenciais no Nordeste.
O senador escolheu Alagoas, estado de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), para abrir a agenda na região, mas passou o primeiro dia sem JHC (PSDB), candidato ao governo apoiado pelo PL.
Arthur Lira (PP), candidato ao Senado, ficou fora das agendas político-eleitorais durante o dia, mas compareceu à noite à convenção que celebrou os 111 anos da Assembleia de Deus em Alagoas.
