Eduardo Paes critica 'uso político' em prisão de vereador e ataca Castro: 'Corja de covardes que está no governo do estado'

 

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Dois dias após a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), o prefeito Eduardo Paes, aliado do parlamentar, disse que a operação tinha o objetivo de lhe atingir. Ele afirmou que o suposto uso político da polícia será denunciado à Procuradoria Geral da República (PGR), à Polícia Federal (PF) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), e aumentou o tom de críticas ao governo Cláudio Castro.

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— Se eles têm o objetivo de me alcançar, que me investiguem e não sejam covardes de ir para cima de vereador para me atingir — disse Paes, que não chegou a falar o nome de Castro. — Corja de covardes que está no governo do estado. Bandidos, delinquentes. Vou enfrentar esses vagabundos todos nas eleições.

Paes afirmou que Salvino foi preso por ser "cria da Cidade de Deus". O prefeito disse que as evidências da polícia eram o fato do vereador se auto intitular "cria" da comunidade e presidir a Comissão De Políticas Para as Favelas na Câmara do Rio, como "se todo morador da favela fosse ligado ao crime organizado" , disse.

— Visão dessa gente preconceituosa — criticou Paes.

O prefeito afirmou que a bancada federal do PSD do Rio vai procurar o diretor da PF, Andrei Rodrigues, o PGR Paulo Gonet e o ministro do STF, Alexandre de Moraes, para denunciar suposto uso político da operação da Polícia Civil que prendeu Salvino.

Paes ainda disse que integrantes da Polícia e do governo estadual chegaram a admitir, reservadamente, o erro na prisão.

— Não posso contar publicamente as explicações e recados que recebi, de que erraram. Nao adianta ir nos gabinetes passar recado. Admitam publicamente, não sejam covardes.

Ataques a Flávio Bolsonaro

Ao lado de Lula, Paes e seu secretário de Saúde, Daniel Soranz, também anteciparam a disputa eleitoral e aprofundaram criticas ao pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois afirmaram que o senador era responsável, durante o governo de seu pai, por indicações políticas na gestão do Hospital Federal do Andaraí, que estava "destruído" durante a pandemia de Covid-19, frisou Paes.

O presidente Lula, o ministro da Saúde Alexandre Padilha e autoridades do Rio inauguraram o novo setor de trauma do Hospital Federal do Andaraí. O prefeito, que vai deixar o cargo nas próximas semanas para se candidatar ao governo do estado, criticou as "indicações políticas de Flávio Bolsonaro" na gestão passada.

— Era para mim uma frustração permanente ver o que acontecia nos hospitais federais. Estava tudo destruído aqui no Andaraí — disse Eduardo Paes, que agradeceu Lula pela liberação de recursos para melhoria do hospital.

Segundo o secretário Daniel Soranz, o hospital funcionava a base de contratos emergenciais na gestão Bolsonaro. Ele destacou a demora na conclusão da obra da cozinha da unidade, que custaria R$8 milhões, o que forçava um contrato mensal de R$1 milhão para transporte de quentinhas.

— Parece que havia questão intencional em transportar comida, manter contrato com as empresas. Quase todos contratos na gestão Bolsonaro eram emergenciais. Hoje muitas pessoas estão respondendo na justiça, mas as vidas que eles tiraram nunca terá reparo — disse Soranz.

O secretário exibiu um video com imagens do hospital deteriorado durante a pandemia. E reforçou que Flávio Bolsonaro era responsável pelas indicações de diretores.

— Aqui a gente foi humilhado na gestão Bolsonaro. Flávio indicava pessoalmente os diretores. Indicava as piores pessoas, não ao sabiam nada de SUS, nunca tinham trabalhado em unidade de saúde. O único interesse era nos contratos. Fecharam leitos no meio da pandemia, destruição foi completa. Muitas pessoas morreram sem assistência médica. Foi terrível , dano irreparável. Temos que lembrar o que aconteceu, para que nao se repita — afirmou.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que houve um "apagão" da rede de saúde pela família Bolsonaro.

— Era um hospital abandonado. O Projeto da família era sucatear os hospitais federais do rio. Nao queriam que os hospitais funcionassem — disse.