Eduardo Moscovis sobre sucesso de monólogo e retorno às novelas: 'resultado de um acúmulo de experiências'

 

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Em cartaz com o monólogo inédito “O motociclista no globo da morte” no Teatro Vivo, em São Paulo, e no ar em “Três Graças”, novela de Aguinaldo Silva na TV Globo, Eduardo Moscovis parece não negar um bom desafio. Em entrevista ao Fim de Expediente, da Rádio CBN, o ator falou sobre o momento atual da carreira, que inclui o sucesso do espetáculo --- que já recebeu mais de 6 mil espectadores no Rio de Janeiro --- e o retorno ao horário nobre da televisão.

Após sucesso de público e crítica no Rio de Janeiro — onde esteve em cartaz no Teatro Poeira —, o monólogo embarcou para São Paulo no final de janeiro. A temporada paulistana segue até 29 de março.

No espetáculo, o público é apresentado à seguinte premissa: o que leva um indivíduo (até então pacífico) a se envolver em uma espiral de extrema violência? A partir da vivência do protagonista Antonio, Moscovis tece considerações sobre as formas de violência que resultam da sociedade — e se é possível combatê-las.

"Eu ganhei esse texto. Quando o Leonardo Netto terminou de escrevê-lo, ele me ligou e disse que, lá pela segunda página, já tinha me visualizado como o personagem. A gente não pensa no sucesso da peça, mas se ela vai alcançar o público no que se propõe, em qual é o desafio artístico e de linguagem”, diz.

Apesar das décadas de atuação (que contam também com trabalhos nos streamings), há como seguir buscando por novidades. Este é o segundo monólogo de Moscovis — o primeiro foi “O Livro”, em 2011, de Newton Moreno; sua quinta vez como produtor de um espetáculo; e, ainda, a primeira vez que trabalha com o diretor da peça, Rodrigo Portella.

“Eu gosto de contracenar, mas o texto (do monólogo) me pegou muito. Produzir e estar em cena foi uma porta facilitadora. É a quinta vez que produzo, mas sempre faço isso com algum outro produtor, até para trazerem a experiência que não tenho. (...) Terminei a primeira leitura contaminado pelo texto e logo pensei que queria produir”, conta.

De volta às novelas

Mesmo envolto à árdua rotina de apresentações, ensaios e gravações, Eduardo Moscovis conta que ainda arranja um tempo para frequentar o teatro como espectador.

“Estamos em uma sequência de temporadas muito interessantes e potentes, em todos os níveis e tipos de teatros”, diz sobre o momento da dramaturgia brasileira.

Depois de dezenas de papéis nas telinhas — como Julião Petruchio em “O Cravo e a Rosa” (2000) e Rafael em “Alma Gêmea” (2005) —, o ator deu uma pausa nas novelas e se dedicou ao teatro e aos streamings. Por dois anos, ficou em cartaz com a peça “Duetos”, ao lado de Patricya Travassos. Já na Netflix, fez sucesso na série “Bom Dia, Verônica”, como o vilão Cláudio Antunes.

O hiato foi terminado em 2024, com a participação como Quintino Ariosto na novela “No Rancho Fundo”. O retorno aos enredos principais, porém, veio recentemente em “Três Graças”, novela de Aguinaldo Silva, como o enigmático Rogério.

“A novela é sempre uma sucessão de surpresas, é como uma ultramaratona. Estar no núcleo principal é um esforço que ninguém mede, ninguém tem ideia da quantidade de dias e de textos que temos que gravar. Os arcos dramáticos que surgem, o personagem que muda… É intenso”, conta.

Quanto ao momento de sucesso, Moscovis afirma acreditar que “as coisas acontecem quando tem que acontecer”.

“O que está acontecendo agora é o resultado de um acúmulo de experiências. Nossos personagens são aprimoramentos de outros que já fizemos, estão na mesma prateleira. É questão de maturidade. Alguns produtos que fazemos são tão bons quanto, mas não são vistos… Têm trabalhos que são importantes para a gente, mas não são bons de público. Há muitas variantes. Mas (o sucesso) está vindo agora e eu estou bem feliz”, termina.