Um gesto de Eduardo Bolsonaro nas redes sociais neste domingo reacendeu a disputa na família do ex-presidente justamente quando a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tenta consolidar uma reaproximação com Michelle Bolsonaro e ampliar a participação da ex-primeira-dama na corrida presidencial.
Eduardo comentou e compartilhou um vídeo em que o influenciador Allan dos Santos defende a eleição de outros dois candidatos ao Senado pelo Distrito Federal no lugar de Michelle.
O deputado classificou o vídeo como “triste, mas verdadeiro”, numa manifestação que irritou aliados da ex-primeira-dama e provocou preocupação no QG do irmão.
No vídeo, Allan diz preferir a eleição da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e do ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo) à de Michelle, que lidera as pesquisas de intenção de voto para uma das duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal, segundo o DataFolha.
O influenciador chama a ex-primeira-dama de uma “incógnita” para a direita e questiona as posições políticas que ela poderá adotar caso seja eleita.
— Eu prefiro mil vezes Bia Kicis e Sebastião Coelho do que a Michelle com oito anos de incógnita.
É uma incógnita, porque nós não sabemos o que ela poderá trazer para a direita.
O que não é incógnita: pauta feminista, pauta de esquerda, saindo da boca de alguém que se diz de direita — afirmou Allan.
Eduardo escreveu no espaço dos comentários: “Triste, mas verdadeiro…” e depois compartilhou o vídeo em suas próprias redes.
No entorno de Michelle, o gesto foi interpretado como um endosso à avaliação de que seria preferível eleger outros nomes ao Senado, e não apenas como uma concordância com críticas pontuais à atuação política da ex-primeira-dama.
Michelle disputa uma das duas vagas ao Senado pelo mesmo campo político de Bia e vinha trabalhando para acomodar as candidaturas da direita no Distrito Federal.
Ao dar aval público a uma manifestação que põe em dúvida sua eleição, Eduardo introduziu uma nova frente de tensão dentro da família Bolsonaro em plena campanha.
Para o QG de Flávio, o episódio ocorre em um momento especialmente inconveniente.
Nas últimas semanas, o presidenciável e Michelle acumularam gestos para superar uma crise que atravessou a pré-campanha e chegou a colocar em dúvida o envolvimento da ex-primeira-dama na corrida presidencial.
Agora, quando o PL tenta ampliar sua presença nos palanques do senador, outro integrante da família volta a colocá-la no centro de uma disputa pública.
A preocupação é evitar que o episódio reabra uma divisão familiar que vinha sendo administrada e prejudique a tentativa de apresentar o bolsonarismo unido em torno de Flávio.
Michelle é considerada pela campanha um ativo principalmente entre mulheres e evangélicos, segmentos nos quais o senador tenta ampliar seu desempenho.
Reaproximação sob novo teste
O novo foco de tensão aparece depois de uma sequência de movimentos de Flávio e Michelle para superar as divergências da pré-campanha.
Os dois protagonizaram um embate público em torno de decisões partidárias, especialmente da aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará, e a ex-primeira-dama chegou a afirmar que havia sido desrespeitada pelo enteado.
Flávio divulgou posteriormente um pedido público de desculpas.
Michelle respondeu que o perdoava, e Jair Bolsonaro atuou para aproximar os dois.
Nas últimas semanas, a reconciliação começou a ganhar contornos eleitorais.
Michelle gravou com Flávio para a campanha presidencial, pediu votos para ele durante a própria estreia eleitoral em Ceilândia e publicou em seu perfil o primeiro vídeo dos dois juntos desde a crise.
Na semana passada, também afirmou que pretende participar de um ato ao lado do enteado caso ele faça campanha no Distrito Federal.
A campanha tenta avançar agora mais uma etapa e negocia a presença da ex-primeira-dama em alguns dos principais palanques de Flávio fora de Brasília.
O desenho em discussão prevê viagens pontuais ao Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, para conciliar a participação na campanha presidencial com sua própria disputa pelo Senado e a rotina ao lado de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
A cúpula do PL considera a presença de Michelle importante também para demonstrar unidade depois das divergências expostas na pré-campanha.
