Eduardo Bolsonaro reage a Salles após ex-ministro acusá-lo de ter vendido vaga em chapa ao Senado a aliado do PL

 

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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) rebateu as críticas feitas pelo deputado Ricardo Salles (Novo-SP), que neste sábado reclamou da decisão do PL de lançar André do Prado (PL) como pré-candidato ao Senado por São Paulo, com apoio de Eduardo. Em uma transmissão ao vivo realizada nesta segunda-feira (11), Eduardo respondeu ponto a ponto as falas de Salles, disse que ele se transformou num “biruta de vento político”, que “está virando meme” e pediu “mais maturidade” para ele.

Salles se coloca como pré-candidato ao Senado e criticou a escolha de Prado como segundo postulante da direita ao cargo, na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo. Eduardo será o primeiro suplente de Prado. No sábado, em entrevista ao podcast IronTalks, Salles falou que Eduardo foi "fazer bravatas" nos Estados Unidos e o chamou de “burro”, e acusou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, de ter praticado "corrupção" no Ministério dos Transportes.

Eduardo disse que Salles “partiu para a calúnia” ao dizer que ele estaria aceitando dinheiro para apoiar Prado. O filho de Jair Bolsonaro (PL) disse que precisava responder, mas que não irá processar Salles por tê-lo chamado de corrupto, mas pediu que ele provasse que há alguma espécie de “acordo financeiro” entre ele e André do Prado.

— Você está virando meme nas páginas, Salles, por causa dessa sua conduta de ser biruta de vento político. Você é quem está se desgastando, não sou eu não. Eu sou o primeiro suplente de uma chapa. Você está notoriamente quieto, todo mundo viu isso, porque você acha que essa é a estratégia correta de se manter dentro do tabuleiro político com mandato. Eu coloquei tudo na minha vida em jogo, uma candidatura encaminhada para o Senado, para me arriscar e tentar fazer pressão de fora — falou.

No sábado, em entrevista ao podcast "IronTalks", Salles declarou que Eduardo teria feito parte do grupo que negociou a vaga de Prado em troca de receber até R$ 60 milhões. O ex-ministro afirmou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) descartou ter Prado em sua chapa como vice nas eleições deste ano "para não contaminar o governo" com supostos esquemas de corrupção.

— O Tarcísio sabe o que o PL do Valdemar vai fazer se ele puser o cara (André do Prado) de vice. O cara não foi aceito para ser vice. Estão querendo dizer que o candidato ao Senado do centrão corrupto, que justamente por essa razão não pôde ser vice para não contaminar o governo, passa a ter credencial para ser senador — afirmou. — A troco de quê que o Valdemar e o Prado convenceram o pessoal? Lá na Câmara, já estão dizendo: "pagou não sei quantos milhões". Espero que seja mentira. Se der um telefonema para quatro deputados federais, os quatro vão falar a mesma coisa: "recebeu (dinheiro)". Um fala R$ 20 milhões, outro fala R$ 60 milhões — completou Salles.

Eduardo disse que Salles está “cag***” para os outros nomes que eram cotados para serem candidatos ao Senado em São Paulo, como o vice-prefeito Mello Araújo (PL), o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e o deputado estadual Gil Diniz (PL), e criticou sua postura de “não jogar para o grupo”. Para o ex-parlamentar, que está nos Estados Unidos, o ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro quer “descontar a raivinha porque não foi escolhido” para ser apoiado pelo PL para a eleição.

— Salles não é incontrolável não, o Salles não joga para o grupo, esse é o problema dele. É por isso que ele está fazendo esse estardalhaço todo, ele quer se vingar de mim. Ele não quer botar o Mello Araújo, o Mário Frias, não. Ele vai se deleitar e vai rir se conseguir me tirar de campo e para isso ele está apelando tanto. Ele começa a conversa falando que quer jogar para o grupo e, no primeiro obstáculo que ele encontra, ele já estoura o pavio curto — acrescentou.

Eduardo ainda rebateu as acusações de Salles de que teria sumido e não teria conversado com ele antes de decidir. André do Prado, junto a Valdemar, foi aos Estados Unidos três vezes neste ano para convencê-lo de apoiar sua candidatura.

— Eu não sabia que eu devia satisfações a você, Salles. Por que você não veio aqui nos Estados Unidos, estava com medo de ser perseguido? — indagou.

Em resposta à acusação de Salles de que Eduardo saiu do Brasil para “fazer bravatas” no exterior, o filho de Bolsonaro se defendeu dizendo que suas ações nos EUA teriam ajudado a direita em alguns pontos, citando a sanção do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com a Lei Magnitsky, e o crescimento do irmão Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto à presidência da República.

— Por que o Moraes foi sancionado com a Lei Magnitsky, por que o Flávio está liderando as pesquisas? É exatamente por causa disso que eu, junto com um monte de gente, vai expondo. A diferença entre eu aqui e você é que aqui eu tenho ferramentas mais poderosas de divulgação — disse.

Eduardo ainda aproveitou para xingar o vereador Pablo Almeida (PL), de Belo Horizonte, aliado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). No mês passado, Eduardo e Nikolas bateram boca nas redes sociais.

— É lamentável que pessoas recortem meu vídeo onde eu falo "não tô nem aí, meu pai vai morrer um dia mesmo", esses dez segundos, e sugerir que eu não estou me importando com a vida do meu pai. Isso não foi o Salles não, isso foi um vagabundo, um vereador de BH que é o braço-direito do Nikolas, o Pablo. Isso que o Pablo fez é coisa de vagabundo. E depois como ele faz para se limpar? Ele vai lá com o Flávio tirar uma foto. E o Flávio está num turbilhão, eu nem enchi o saco dele com isso. Mas Pablo, você é um vagabundo — disse.