Depois de 14 anos longe dos palcos, Edson Celulari encontrou justamente em Nelson Rodrigues o empurrão que faltava para voltar.
Ele está em cartaz no Teatro Gláucio Gill com “O beijo no asfalto”, que tem provocado longas filas em Copacabana com gente querendo garantir seu ingresso.
O ator, de 68 anos, destaca que o clássico escrito há mais de seis décadas segue atual.
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— A peça aborda temas como a homofobia, o que hoje chamamos de fake news e cancelamento, e também a informação inventada por interesse.
O público absorve na hora a atualidade do texto.
Existe uma crueldade nos julgamentos públicos.
O adulto, dependendo da situação, consegue se defender.
Mas penso muito nos adolescentes e nas crianças.
Isso pode mudar completamente a trajetória de uma pessoa e se tornar um trauma.
Feliz com a repercussão do trabalho, nas redes o ator já compartilhou até o momento em que os filhos Enzo Celulari e Sophia Raia, do casamento de 17 anos com Claudia Raia, foram prestigiá-lo na montagem.
Sophia trabalha nos Estados Unidos após se formar em cinema, enquanto Enzo iniciou carreira como produtor.
— Eles me acompanham sempre nos espetáculos, desde pequenininhos.
Tenho essa memória deles nos bastidores assistindo tanto ao pai quanto à mãe.
Já fiz um curta-metragem que Enzo produziu, o que me dá um orgulho danado.
Temos planos para, quem sabe, os três estarem no mesmo projeto.
Edson Celulari e os filhos Enzo Celulari e Sophia Raia
Instagram/reprodução
Celulari também é pai da pequena Chiara, de 4 anos, de sua união com Karin Roepke.
Ele conta como é a paternidade em outra fase:
— A paternidade é um papel que eu amo concretizar no dia a dia.
Tenho a disponibilidade total para estar com ela, brincar 100% focado, sem telefone.
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O ator lembra que, em 2016, ter enfrentado um câncer mudou sua vida.
— Com um susto de saúde desse, em algum momento você fala: será que chegou a minha hora? Graças a Deus a medicina avançada me deu suporte e a chance de sobrevida, saudável.
Passei a valorizar mais o que realmente importa.
Descobri que muitas vezes gastava energia com coisas sem sentido — assume ele, que diz se cuidar ainda mais depois disso: — Tirei o açúcar da minha vida.
Estou eliminando a farinha e comendo comida de verdade.
Edson Celulari na peça "O beijo no asfalto"
Lucio Luna
O ator conta que a diminuição do ritmo de trabalho também se deu para aproveitar mais a família.
Mas aposentadoria está longe dos seus planos.
— Acredito no poder transformador da arte.
Quero ser ator até o meu último momento.
Memória afetiva
Nas redes sociais, Edson anda apostando em vídeos sobre memórias da infância, como o cheiro de cigarro do pai Edno e do tempero da mãe, Enoy.
— É como ter o meu próprio canal de TV para falar o que quero — celebra.
Vídeos com a mulher
No Instagram, ele também costuma aparecer em vídeos de casal com Karin.
— O público tem curiosidade sobre como vai meu casamento.
Também não sou de expor tudo, mas algumas coisas ficam gostosas de dividir e ler os comentários.
Edson Celulari com a mulher Karin Roepke e a filha Chiara
Instagram/reprodução
Carioca de coração
Paulista de Bauru, o ator não esconde a paixão pela Cidade Maravilhosa, onde mora há 46 anos e criou todos os filhos.
— Não troco o Rio por nada.
Me sinto um quase carioca.
Amo a sensualidade dessa cidade e a força da nossa cultura — derrete-se o galã.
Serviço
‘O beijo no asfalto’: Teatro Glaucio Gill: Praça Cardeal Arcoverde s/nº, Copacabana.
Qui a seg, às 20h.
R$ 20 (inteira).
80 minutos.
14 anos.
Até 3 de agosto.
