Edição histórica do centenário leva O GLOBO ao GUINNESS WORLD RECORDS
Três anos de planejamento, aproximadamente 240 pessoas envolvidas diretamente no processo, 14 cadernos especiais e quase dois quilos de peso distribuídos por 526 páginas. Com essa edição superlativa O GLOBO comemorou seu centenário, completado em 29 de julho de 2025, e com ela acaba de conquistar um GUINNESS WORLD RECORDS na categoria “jornal comercializado com o maior número de páginas em uma edição única no mundo”. Publicada em 27 de julho, no domingo anterior ao centenário, a edição chegou completa tanto para os assinantes como nas bancas (todos os exemplares disponíveis foram vendidos nas primeiras horas do dia), gerando repercussão imediata e igualmente gigante nas redes.
A entrega do certificado aconteceu nesta segunda-feira, dia 13, na Redação do GLOBO, com a presença de Natalia Ramirez, uma das duas juízas da Guinness World Records responsáveis pela verificação do feito alcançado pela edição. A Guinness World Records tem hoje cerca de 70 mil títulos ativos em sua base de dados, sendo que aproximadamente 4 mil deles são publicados no livro a cada ano.
— Esta edição começou a nascer em agosto de 2022, quando tivemos a primeira reunião para tratar dos projetos do centenário. Desde o início sabíamos da importância da data, e trabalhamos para fazer do jornal impresso de 100 anos um documento histórico que honrasse a trajetória do GLOBO — diz Alan Gripp, diretor de Redação. — A repercussão entre leitores e assinantes, com centenas de postagens em redes sociais celebrando o resultado, nos mostrou que conseguimos o nosso objetivo. Passados alguns meses, o reconhecimento do GUINNESS WORLD RECORDS acrescenta uma dimensão mundial a esse feito e reforça o valor do jornalismo do GLOBO para a sociedade brasileira.
Frederic Kachar, diretor geral da Editora Globo (que publica o jornal O GLOBO) e do Sistema Globo de Rádio, destaca o trabalho de equipe que culminou na entrada para o GUINNESS WORLD RECORDS:
— Ganhamos muitos prêmios jornalísticos, e naquela edição é claro que o jornalismo é o coração, nossa razão de existir, a base do sucesso dela. Mas ali está literalmente o trabalho da empresa inteira. Só conseguimos construir aquela edição por uma coesão e uma cumplicidade de muitas áreas que fizeram seu papel brilhantemente, e cujo resultado é esse marco que vamos carregar pelos próximos cem anos.
Sob liderança de Alan Gripp, boa parte da Redação foi envolvida na produção do conteúdo da edição histórica. Nas últimas semanas, as reuniões editoriais eram diárias, e todas as decisões eram compartilhadas com os times do Parque Gráfico, da Distribuição e do departamento Comercial. A coordenação editorial dos cadernos especiais foi do editor executivo André Miranda, com edição de Mànya Millen, coordenação gráfica do editor executivo visual Alessandro Alvim e coordenação de diagramação do designer Télio Navega.
— Um dos destaques da edição foi a possibilidade de contar 160 histórias dos milhares de profissionais que passaram pelo GLOBO em todas as décadas e de todas as áreas. Essa edição foi também uma homenagem a todos esses e muitos outros, que há um século acreditamos na importância do jornalismo para uma sociedade saudável — diz Miranda.
As capas dos 14 cadernos temáticos produzidos para edição histórica de 100 anos do GLOBO.
Arte O GLOBO
Além da edição diária composta pelas editorias fixas (Opinião, Política, Brasil, Economia, Mundo, Saúde, Rio, Esportes e Segundo Caderno), aquele domingo trouxe ainda, além da revista ELA, igualmente encorpada, 14 cadernos temáticos produzidos pela Redação. Reportagens, entrevistas e artigos sobre temas diversos, do entretenimento à educação, do meio ambiente à economia, deram ao leitor um panorama do futuro do país e lembraram como o GLOBO acompanhou os grandes momentos da História ao longo de sua trajetória centenária. Das 526 páginas certificadas pelo Guinness, 336 foram publicadas nos cadernos especiais.
Uma das etapas do processo de certificação para a conquista da nova categoria no GUINNESS WORLD RECORDS foi o registro, em vídeo, da contagem de todas as páginas da edição: ao todo 23 minutos e 37 segundos de duração, tempo que enquadraria a produção como um média-metragem.
“Como líder global em recordes, a integridade dos nossos títulos é nossa maior prioridade. Isso significa que somos exigentes — e, às vezes, até obsessivos — com a precisão. Nossa equipe analisa, avalia, questiona e certifica cuidadosamente cada recorde, recorrendo, quando necessário, a uma rede de mais de 200 consultores e a especialistas independentes”, frisa um representante da Guinness World Records sobre o processo.
Fundada na Inglaterra em 1954 por Sir Hugh Beaver (1890-1967), diretor-geral da Cervejaria Guinness, a ideia da Guinness World Records aconteceu no início da década a partir de uma discussão. Beaver participou de uma caçada com amigos e teve início um debate sobre a ave mais rápida da Europa. Ninguém encontrou nenhuma obra de referência que desse resposta sobre o assunto. A semente da curiosidade moveu Sir Beaver a partir daí, e alimentou a ideia de promover a cervejaria criando um livro de fatos que ajudassem a resolver discussões em bares. Em 1955 seria publicada a primeira edição da obra que se tornaria um best-seller mundial imediato.
Desde então os números acumulados são igualmente superlativos: são mais de 157 milhões de exemplares, publicados em 40 línguas, vendidos no mundo até hoje. Apenas em 2025 foram 49 mil candidaturas enviadas de 190 países, com 3,2 mil delas aprovadas e certificadas. A divulgação dos recordes acontece majoritariamente no site, já que a edição impressa anual comporta menos de 10% deles.
A edição do GLOBO detentora do recorde foi um dos marcos do centenário ao longo de 2025, celebrado em diferentes iniciativas e plataformas. No campo editorial, os 100 anos inspiraram duas obras, ambas publicadas pela Globo Livros. “Um século de histórias” reuniu artigos de 11 jornalistas que fizeram ou fazem parte da Redação (Ancelmo Gois, Agostinho Vieira, Arthur Dapieve, Ascânio Seleme, Cora Rónai, Flávia Oliveira, Lauro Jardim, Merval Pereira, Míriam Leitão, responsável pela curadoria, Pedro Doria e Toninho Nascimento), revisitando grandes temas abordados pelo jornal e lembrando histórias saborosas dos bastidores da Redação. Já “Um século em cem crônicas”, com seleção e organização de Maria Amélia Mello e colaboração de Cláudia Mesquita, trouxe textos de autores consagrados que passaram pelas páginas do GLOBO, de Antonio Maria a Nelson Rodrigues, de Elsie Lessa a Fernanda Young, de João Ubaldo Ribeiro a Aldir Blanc, sem esquecer ícones da literatura brasileira como Guimarães Rosa e Rubem Braga.
A comemoração do centenário do jornal fundado por Irineu Marinho, e conduzido em grande parte de sua trajetória pelo filho Roberto Marinho, foi marcada ainda pela exposição “O GLOBO 100 anos – Um século de histórias”. Abrigada na Casa Roberto Marinho, ela levou ao público 213 fotografias marcantes produzidas pelo jornal em diversas áreas, lembrando as inovações promovidas pelo GLOBO ao longo das décadas e seu compromisso com os leitores. A história do jornal também foi contada na série “O século do GLOBO”, criada por Pedro Bial e produzida pelos Estúdios Globo.
