Edição de ‘A princesa de Clèves’ ilustrada por Christian Lacroix ganha versão brasileira
"A magnificência e a galanteria nunca brilharam na França com tanto esplendor como nos últimos anos do reinado de Henrique II." A frase que abre o romance “A princesa de Clèves”, publicado em 1678 por Madame de La Fayette, fica ainda mais luminosa quando ilustrada por Christian Lacroix, estilista francês famoso pelas tintas dramáticas de suas criações. É por isso que a versão deste clássico da literatura francesa que chega ao Brasil em março pela Editora Ercolano e com tradução de Jorge Coli deve fazer suspirar os leitores mais estetas.
Desde que deixou a marca que leva seu próprio nome, em 2010, o designer, de 74 anos, passou a se dedicar mais à criação de figurinos para óperas e peças teatrais, o que torna ainda mais coerente a imersão literária. “A princesa de Clèves” narra o dilema de uma dama nobre, que se vê numa encruzilhada entre a lealdade ao marido e a paixão por outro homem. Nesta versão, lançada originalmente em 2018 pela Editora Gallimard, na França, as ilustrações de Lacroix adicionam uma carga dramática com colagens e sobreposições coloridas. Desenhos que dão conta das complexidades de uma sociedade marcada pelo moralismo e onde a verdade está, muitas vezes, camuflada pelas aparências.
Desenhos dão conta da complexidade da sociedade parisiense no século XVI
Divulgação
Tudo pensado de modo que as imagens não se sobreponham à força do texto. “É como um filme de Almodóvar, que tem um monte de elementos estéticos, mas o principal é a narrativa”, compara Roberto Borges, publisher e sócio da Ercolano. “Dá para ver que o Lacroix teve um cuidado em contar uma história por meio das ilustrações. Elas não estão ali apenas para embelezar, mas para ajudar na ambientação do leitor.”
O acabamento brasileiro (o projeto precisou ser aprovado pelo francês) não economizou nos detalhes. Produzido em escala limitada, o exemplar custa R$ 278 e chega ao mercado munido de capa dura, fitilho e outros caprichos. Para quem não tem familiaridade com a obra, pode ser a deixa que faltava para mergulhar num livro fundamental para a literatura moderna, acrescenta o editor Régis Mikail. “É um dos precursores do romance psicológico, um livro que mudou a história desse gênero literário.”
