Ed Sheeran abordou neste sábado, durante um show na Filadélfia, nos Estados Unidos, a polêmica envolvendo a saída de Macklemore de sua turnê Loop Tour. Foi a primeira apresentação do cantor desde que o rapper foi retirado das datas restantes da excursão americana, após manifestações de apoio aos palestinos durante shows em Nova Jersey. Macklemore: quem é o rapper retirado da turnê de Ed Sheeran após manifestações pró-Palestina Após polêmica com Sheeran, Macklemore vê números no streaming dispararem, onda também atingiu outros artistas Antes de começar a apresentação no Lincoln Financial Field, Sheeran pediu espaço para falar sobre os acontecimentos da última semana. — Antes de tocar algumas músicas esta noite, espero que tudo bem se eu disser algumas palavras sobre esta última semana. Estou acostumado a ter minha música criticada, e estou sempre feliz em aceitar isso porque tenho sorte. Muitos de vocês gostam das minhas coisas e, para ser honesto, estou surpreso. Não estou surpreso que eu tenha feito isso. Você sabe, é normal. Mas, esta semana, a crítica foi sobre algo muito mais importante, e eu tive que tomar e fazer decisões difíceis, e estou cometendo erros, e sinto muito, muito mesmo — disse Sheeran. Manifestantes pró-Palestina se reuniram em frente a uma estação de metrô próxima ao Lincoln Financial Field neste sábado, exibindo bandeiras palestinas e entoando a frase "Palestina livre". Policiais em uma dúzia de viaturas acompanharam à distância a manifestação pacífica. Alguns fãs que entravam no estádio disseram ter hesitado em ir ao show por causa da polêmica, mas finalmente decidiram aproveitar a música. Outros, como Brandon Ateke, mudaram de planos. Este estudante de 18 anos da Universidade Brown acusou Sheeran de "cumplicidade" com Kraft na tentativa de silenciar Macklemore. — Decidi não ir ao show e no lugar, participar do protesto para visibilizar o genocídio que ocorre hoje em Gaza — disse à AFP. Relembre o caso A polêmica começou após apresentações de Macklemore nos dias 4 e 5 de setembro, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Durante seu set, o rapper falou sobre a guerra em Gaza e na Cisjordânia, declarou "free Palestine" ("Palestina livre", em tradução livre) e apresentou "Hind's Hall", música de protesto lançada em 2024 em apoio aos palestinos. As manifestações provocaram críticas de organizações judaicas e pró-Israel, entre elas o Israeli-American Council, que pediu a retirada do rapper da turnê. A Messina Touring Group, promotora responsável pela etapa americana da Loop Tour, anunciou posteriormente que Macklemore não participaria mais das apresentações restantes. Segundo a empresa, os locais dos shows haviam informado que não permitiriam a realização de concertos com o rapper, o que poderia levar ao cancelamento de eventos e afetar centenas de milhares de compradores de ingressos. Manifestações anteriores Sheeran já havia se manifestado sobre a decisão no início da semana. O cantor afirmou que a retirada de Macklemore foi uma decisão da promotora e dos locais das apresentações, e não dele. — Macklemore sair da turnê foi uma decisão da promotora, não minha — disse Sheeran, acrescentando que conversou com casas de shows, promotores e ativistas na tentativa de encontrar uma solução. — O contrato de Macklemore para a turnê era com a promotora, não comigo — afirmou. O cantor também disse estar "horrorizado" com o conflito entre Israel e Palestina e classificou o sofrimento provocado pela guerra como uma "tragédia humana". Ao mesmo tempo, explicou que costuma manter seus shows concentrados em "união, alegria, escapismo, amor", em vez de apresentar suas próprias opiniões políticas.
Macklemore, por sua vez, divulgou uma longa declaração após ser retirado da turnê. O rapper afirmou que teve "conversas difíceis" com Sheeran depois das apresentações no MetLife Stadium. Embora tenha demonstrado respeito pelo cantor, questionou a preferência de Sheeran por manter uma posição pública neutra e disse não se arrepender de ter usado o palco da turnê para defender os palestinos. Desde então, Macklemore também anunciou que doará US$ 1 milhão para organizações de ajuda humanitária aos palestinos. A repercussão da decisão se estendeu a outros artistas. Aaron Rowe e a banda dinamarquesa Lukas Graham, que fariam apresentações de abertura em datas futuras da turnê norte-americana, anunciaram sua saída. Finneas, que participaria de uma série de shows de Sheeran na América do Sul ainda neste ano, também deixou a programação. O grupo irlandês Beoga, colaborador de longa data do cantor e integrante de sua apresentação ao vivo, também anunciou sua saída. Os quatro citaram a retirada de Macklemore ao comunicar as decisões.
O Globo