Ecossistema de duplicatas escriturais inaugura novo patamar de confiança para recebíveis, diz diretor do BC

Ecossistema de duplicatas escriturais inaugura novo patamar de confiança para recebíveis, diz diretor do BC

Fonte: Bandeira



O diretor de regulação do Banco Central (BC), Gilneu Vivan, disse, durante lançamento do ecossistema de duplicatas escriturais nesta terça-feira (30), que a medida inaugura um novo patamar de confiança, transparência e eficiência para as operações com recebíveis comerciais. O Banco Central espera uma transformação com a digitalização dos tradicionais títulos que funcionam como ordem de pagamento e comprovante de uma venda a prazo — operação em que o produto (ou serviço) é entregue no presente e o pagamento ocorre no futuro.


Empresas utilizam essas duplicatas para obter modalidades de financiamento com as instituições financeiras. Sem a digitalização integrada, pessoas jurídicas conseguem utilizar o mesmo título para obter recursos com diferentes instituições financeiras, o que provoca perdas ao sistema financeiro e juros maiores. Outra possibilidade com a modalidade impressa é a falta de lastro real, a chamada “duplicata fria”.


Vivan relembrou que o ecossistema é um avanço depois da promulgação da Lei 13.775, em vigor desde 2018. O projeto perpassa as gestões dos ex-presidentes Ilan Goldfajn e Roberto Campos Neto, além da atual administração de Gabriel Galípolo.


"Ao longo dos últimos anos, trabalhamos na definição de padrões, no desenvolvimento de infraestrutura, e na construção de um arcabouço de governança capaz de assegurar a integridade, a confiabilidade e a eficiência desse novo sistema", disse o diretor de regulação.


Vivan reconheceu que a implementação do ecossistema de duplicatas escriturais demandou mais tempo do que o originalmente previsto. Citou, além da pandemia de covid-19, a necessidade de aperfeiçoamentos operacionais, tecnológicos e de governança no projeto.


Para o diretor, as duplicatas escriturais, ao substituir o formato físico, derão mais transparência, eficiência e segurança às operações. "Do ponto de vista econômico, os ganhos são expressivos. Um dos principais benefícios é a redução das assimetrias de informação, historicamente presentes nesse mercado", defendeu Vivan.


“Os efeitos são particularmente relevantes para as pequenas e médias empresas, que tradicionalmente enfrentam maiores restrições de acesso ao crédito. Com ativos mais transparentes e verificáveis, tais empresas passam a apresentar menor risco percebido, o que tende a ampliar a oferta de financiamento e melhorar as condições de crédito”, acrescentou.


O diretor disse que o BC seguirá acompanhando, com atenção e compromisso, a evolução desse mercado, em permanente diálogo com os diversos agentes, de modo a assegurar o pleno funcionamento do sistema e o alcance dos benefícios esperados.

Gilneu Vivan, diretor de regulação do Banco Central

Raphael Ribeiro/Banco Central