Economistas apontam consumo e tecnologia como motores do PIB de 1,1% no início de 2026
A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com os últimos três meses de 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Com o resultado, o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todas as riquezas produzidas no país, alcançou R$ 3,3 trilhões.
O desempenho representa uma aceleração em relação ao quarto trimestre de 2025, quando a atividade econômica havia registrado crescimento de 0,3%.
A principal contribuição para o avanço da economia veio da agropecuária, que cresceu 2% no período. Segundo o IBGE, o setor foi impulsionado pela safra recorde de soja, favorecida pelas condições climáticas e pela ampliação da área plantada.
A indústria também apresentou crescimento, de 1%, enquanto o setor de serviços avançou 0,5%. Dentro dos serviços, os destaques foram as áreas de informação e comunicação, com alta de 2,4%, puxadas pelo desenvolvimento de sistemas e pela expansão da digitalização da economia.
Segundo a economista Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do FGV-IBRE, o segmento de tecnologia segue ganhando espaço no desempenho da atividade econômica.
‘O setor de serviços, que é o que mais pesa na economia, teve um crescimento menor, mas dentro dele também tiveram os destaques. Um deles é a atividade de informação e comunicação, que teve um crescimento de 2,4%, muito influenciado pela questão de desenvolvimento de sistemas, toda a parte de tecnologia da informação, digitalização da economia’, afirmou.
Na indústria, os principais destaques foram a extração mineral, com crescimento de 3,6%, e a construção civil, que avançou 2,9%.
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1% entre janeiro e março. Já os investimentos, medidos pela formação bruta de capital fixo, avançaram 3,5% em relação ao trimestre anterior.
Para o economista André Perfeito, o principal fator negativo no período veio do setor externo, com queda nas exportações e aumento das importações.
‘O que não veio tão bom do lado da demanda foi o setor externo. As exportações caíram e as importações subiram. As exportações também caíram porque vinham subindo de maneira consistente nos últimos trimestres e houve um ajuste’, avaliou.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB brasileiro avançou 1,8%. Já no acumulado dos últimos quatro trimestres, a economia registrou crescimento de 2%.
Após a divulgação dos dados, o Ministério da Fazenda manteve a projeção de crescimento de 2,3% para o PIB de 2026, mas indicou expectativa de desaceleração da atividade econômica nos próximos trimestres.
