Economista vê espaço para início gradual do corte de juros e alerta para volatilidade do dólar em ano eleitoral
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define nesta quarta-feira (28) se mantém ou não a taxa básica de juros da economia. A expectativa quase unânime do mercado é de que a Selic será mantida em 15% ao ano.
Copom decide nesta quarta (28) se mantém ou altera a taxa Selic
Por que os juros do Tesouro se comportam de forma diferente?
Em entrevista ao Jornal da CBN, Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual e ex-Secretário do Tesouro Nacional, avaliou que há espaço para o início do ciclo de corte da taxa básica de juros, ainda que de forma gradual.
"Há espaço para redução da taxa de juros a partir de hoje. Nós teremos oito reuniões do Banco Central ao longo do ano. Se o Banco Central tomar a decisão de de cortar os juros hoje, vai ser um corte pequeno, de 0,25 ponto percentual. No cenário mais otimista de mercado, a gente termina este ano com juros nominal de 12% e com a inflação esperada de 4%.
Na terça-feira (28), o dólar fechou em R$ 5,20, o menor nível desde 2024, enquanto a Bolsa ultrapassou 181 mil pontos. No mesmo período, o ouro continua em alta, acumulando valorização de quase 90% em 12 meses. O especialista explicou que esses movimentos refletem um processo global de diversificação de risco. Segundo ele, fundos internacionais vêm reduzindo a exposição aos Estados Unidos e direcionando recursos para outros mercados, incluindo o Brasil.
"É um movimento que a gente chama diversificação do risco. Vários fundos de investimento internacionais que, nos últimos anos, aplicaram muito dinheiro nos Estados Unidos. Mas hoje os Estados Unidos, que em geral era visto como um porto seguro para o dinheiro de qualquer país do mundo, tem risco e esses investidores estão diversificando o risco. Esses investidores estão hoje saindo um pouco do dólar e procurando outros países."
Apesar do cenário positivo, o economista alertou que 2026 é um ano eleitoral no Brasil, o que tende a aumentar a volatilidade do câmbio nos próximos meses.
"O investidor estrangeiro está com uma visão tão positiva de Brasil e América Latina que a gente corre o risco desse dólar ficar nesse patamar por volta de R$ 5. Só que nós estamos em um ano de eleição presidencial. Ano de eleição presidencial é, por natureza, um ano com muita volatilidade. Então, não vamos nos assustar se daqui a três ou quatro meses se o dólar bater R$ 5,40 ou R$ 5,50."
Mansueto Almeida ainda destacou que a fraqueza do dólar é resultado das incertezas geradas pelo governo dos EUA, especialmente pelo aumento de tarifas e por declarações que afetam a credibilidade das instituições econômicas americanas, como o Federal Reserve.
