Economia, desaprovação pelas mulheres e isenção do IR: as más notícias para Lula da pesquisa Genial/Quaest
O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL) na pesquisa Genial/Quaest, em que aparece empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, foi acompanhado de uma piora na popularidade do governo em segmentos e áreas estratégicos. O levantamento mostra que houve alta na desaprovação do petista entre as mulheres, que pela primeira vez rejeitam mais numericamente do que apoiam a gestão Lula, e na percepção negativa da economia. Em outra frente, os dados não mostram ganhos com a isenção do Imposto de Renda para quem tem renda de até R$ 5 mil, uma das principais apostas do governo para as eleições.
Pesquisa Genial/Quaest: Flávio Bolsonaro empata com Lula em 41% das intenções de voto no segundo turno
A desaprovação do governo Lula (PT) entre as mulheres superou pela primeira vez a aprovação, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (11). Historicamente, as mulheres têm aprovado o governo mais do que os homens. Mas, desde novembro, a aprovação da gestão federal vem caindo nesse segmento. Naquele mês, chegava a 51%, e agora caiu ao patamar de 46%, enquanto a desaprovação chegou a 48% neste levantamento de março.
Ainda que a diferença esteja dentro da margem de erro, que é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, os resultados mostram, numericamente, um aumento da avaliação negativa do governo Lula: em fevereiro, o índice de desaprovação entre o eleitorado feminino era de 44%, e a aprovação era de 48%. Entre os homens, a desaprovação é de 55% e a aprovação soma 41%, mantendo o mesmo patamar que já vinha sendo percebido em sondagens anteriores.
Quando considerado os resultados gerais, sem distinção de gênero, a aprovação de Lula também caiu. A maioria dos entrevistados (51%) desaprova a gestão Lula, enquanto 44% aprovam. Essa é a maior discrepância entre os grupos — sete pontos percentuais de diferença, acima da margem de erro— desde julho de 2025, quando a desaprovação superava a aprovação por dez pontos percentuais e o governo iniciava uma leve recuperação da popularidade após a crise envolvendo mensagens falsas sobre a mudança de regras do Pix.
A fatia dos brasileiros que avalia que a economia piorou nos últimos 12 meses avançou de 43% para 48%. Além disso, apenas 17% afirmaram que a renda aumentou significativamente com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, uma das principais apostas da gestão para ampliar a popularidade. Outros 48% dizem que não sentiram diferença e 34% apontaram que a renda aumentou, mas não muito. No segmento com renda superior a dois e de até cinco salários mínimos, 52% relataram que não sentiram diferença com a medida.
Ainda de acordo com os dados da Quaest, pela primeira vez, o medo da permanência de Lula no Planalto superou numericamente o temor da volta da família Bolsonaro ao poder (43% a 42%). Em fevereiro, 44% diziam que tinham medo do retorno dos Bolsonaro à Presidência e 41% temiam mais Lula seguir no cargo. A oscilação ocorreu dentro da margem de erro, mas numericamente o temor sobre a reeleição do petista aumentou.
Entre os homens, a rejeição ao atual governo supera o apoio em 14 pontos. Entre os católicos, outro segmento que costuma ter preferência pelo petista, a desaprovação também avançou para 47%, mas segue atrás, numericamente, da aprovação (48%). Já entre os evangélicos, a rejeição ao governo ficou estável, em 61%.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 9 de março.
Casos de violência de gênero
Nos últimos meses, casos de violência de gênero como o estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, ou da mulher arrastada na Marginal Tietê, em São Paulo, têm gerado revolta e pressionado o governo federal a tomar medidas de proteção às mulheres.
No mês passado, Lula lançou um pacto nacional contra feminicídios, e no dia da mulher fez um pronunciamento em cadeia nacional direcionado às mulheres. Entretanto, o discurso do presidente esbarra na falta de resultados concretos na proteção das mulheres durante sua gestão.
Em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Dados compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que os três estados com taxas mais elevadas de feminicídio no ano passado foram o Acre, com 3,2 feminicídios por 100 mil mulheres, seguido por Rondônia (2,9) e Mato Grosso do Sul (2,7), mas em números absolutos é São Paulo quem lidera a lista, concentrando 17,2% do total de feminicídios do Brasil em 2025.
